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24/08/2018

“Dentes de Dragão”; um livro póstumo de Michael Crichton para ser apreciado como uma garrafa de vinho de safra especial


A galera que acompanha o blog já sabe da minha paixão pela obra de Michael Crichton. Li quase todos os seus livros e juro que viajei no enredo de todos eles. Não me peça para indicar uma história ruim que eu tenha lido. Cara, não dá pra fazer isso porque eu gostei de todas elas.
Recentemente fiquei sabendo do lançamento do terceiro livro póstumo de Crichton: “Dentes de Dragão” – os outros dois foram “Micro” e “Latitudes Piratas”. Não preciso nem dizer que eu surtei ao saber da novidade.
Sabe quando você compra aquela garrafa de vinho de uma safra rara e guarda no seu barzinho como se fosse o anel precioso do Golem, esperando o momento especial para sorvê-la? Pois é, fiz isso com o novo livro do autor lançado em maio pela editora Arqueiro. Após comprar a obra, guardei-a num lugar especial em minha estante, aguardando o tempo certo para devorá-la. Quando acontecerá  isso? Sei lá. Pode ser nas minhas férias ou numa noite de chuva bem mansinha, comigo enfiado, confortavelmente, debaixo de um edredom. Não sei, simplesmente não sei... só tenho certeza que lerei a história numa ocasião singular.
Apesar de ter sido lançado somente agora, “Dentes de Dragão foi escrito na década de 70 e pode ser considerado um dos primeiros livros de Crichton. Pelo que sei, a obra vinha sendo revisada constantemente pelo autor que por algum motivo optou por guardá-la. Os originais foram encontrados por sua mulher após a morte do escritor.
Adorei a capa. Capaça!! De fato, a editora caprichou no layout. Cheguei até a pensar que tinha baixado o espírito da Darkside nos artistas gráficos da Arqueiro. Brincadeiras a parte, o visual da obra é muito bonito.
Quanto a sinopse oficial da trama também chama a atenção; pelo menos chamou a minha. Confiram:
“Desde Jurassic Park, nunca foi tão perigoso escavar o passado.
Em 1876, no inóspito cenário do Oeste americano, os famosos paleontólogos e arquirrivais Othniel Marsh e Edwin Cope saqueiam o território à caça de fósseis de dinossauros. Ao mesmo tempo, vigiam, enganam e sabotam um ao outro numa batalha que entrará para a história como a Guerra dos Ossos.
Michael Crichton
Para vencer uma aposta, o arrogante estudante de Yale William Johnson se junta à expedição de Marsh. A viagem corre bem, até que o paranoico paleontólogo se convence de que o jovem é um espião a serviço do inimigo e o abandona numa perigosa cidade.
William, então, é forçado a se unir ao grupo de Cope e eles logo deparam com uma descoberta de proporções históricas. Mas junto com ela vêm grandes perigos, e a recém-adquirida resiliência de William será testada na luta para proteger seu esconderijo de alguns dos mais ardilosos indivíduos do Oeste.”
Um fato curioso é que “Dentes de Dragão” é baseado na rivalidade entre dois personagens reais. E mais, o enredo será transformado em minissérie pelo canal National Geographic em parceria com a Amlin Television e a Sony Pictures.
E aí? Gostaram?
Espero que sim.

17/05/2018

Cinco livros de Michael Crichton que não podem faltar em sua estante


Sempre fui um grande fã de Michael Crichton. Fã de carteirinha, mesmo. Tanto é que os primeiros livros que fizeram parte da minha humilde sala de leitura foram os dele. Por exemplo, tenho até hoje a edição capa dura de  “O Parque dos Dinossauros”, lançado pela editora Círculo do Livro, guardado em um lugar de honra em minha estante. Também tenho um carinho especial por “Presa” que me proporcionou uma viagem marcante para o mundo da fantasia. 
No post de hoje quero fazer uma homenagem para esse autor que faleceu em novembro de 2018, portanto há quase 10 anos, e que escreveu 19 livros de ficção – se incluirmos três póstumos – além de ter roteirizado e dirigido diversos filmes no cinema e televisão. Esta homenagem vem na forma de cinco livros que não podem faltar de maneira alguma nas estantes dos fãs do autor americano que infelizmente deixou de escrever... para sempre.
Vamos á eles:
01 – O Parque dos Dinossauros (Jurassic Park) (1990)
Imagine se eu não iria abrir essa lista com “O Parque dos Dinossauros”! Apesar de Michael Crichton ter escrito outros livros excelentes antes desse, incluindo “O Enigma de Andrômeda” e “O Homem Terminal”, posso dizer que “O Parque dos Dinossauros” é considerado a sua obra máxima. O enorme sucesso de sua adaptação cinematográfica dirigida pelo gênio Steven Spielberg colaborou para o ‘endeusamento’ da obra.
Apesar do grande sucesso do filme, o livro é muito melhor e bem mais elucidativo. Crichton recheia o seu texto com detalhes técnicos que foram inteiramente banidos da produção cinematográfica. Desde o processo de criação dos dinossauros por meio de manipulação genética até informações sobre as características dos animais pré-históricos (ver mais detalhes aqui).
“O Parque dos Dinossauros” tem ação e suspense em doses cavalares. Aliás, o autor é mestre nesse tipo de enredo, ou seja, ele é capaz de “lotar” seus textos de informações científicas sem torná-lo cansativo.
02 – Mundo Perdido (1995)
Se você tem “Jurassic Park” em sua biblioteca, com certeza também tem a obrigação de ter “Mundo Perdido”. Após cinco anos do lançamento de “O Parque dos Dinossauros”, Crichton decidiu escrever uma sequência da história com novos personagens e novos dinossauros, mas sem perder a essência do primeiro livro que continuou sendo o fio condutor do enredo.
Nesta sequencia, Crichton não perde tempo com explicações e detalhamentos científicos. De maneira objetiva, ele expõe apenas o essencial para que o leitor tenha uma noção do lado científico do romance. No mais, a ação e o suspense correm soltos, prendendo a atenção do mais disperso dos leitores.
Também achei os personagens de “Mundo Perdido” muito mais carismáticos. Richard Levine e Sara Harding, por exemplo, engolem Alan Grant e Ellie Satller. Os dois primeiros são personagens bem mais complexos, contrariando os padrões convencionais nos quais se encaixam os “certinhos” Alan e Ellie.
Crichton ainda brinda os seus fãs com um vilão de primeira linha: Lewis Dodgson.  Se em “O Parque dos Dinossauros”, Dodgson teve uma aparição ínfima, em “Mundo Perdido” ele dá um verdadeiro banho de vilania. 
Este livro também foi adaptado para os cinemas por Stevem Spielberg, mas com muitas alterações.
03 – O Homem Terminal (1972)
Cara, fiquei tão impressionado com um filme no início dos anos 70 que mesmo depois de décadas, ele ainda não saía da minha cabeça. Foi, então que decidi ler a obra de Crichton que serviu de base para a produção no cinema. Quando terminei de ler “O Homem-Terminal” posso garantir que, voltei a ficar impressionado. O livro explica, logo nas primeiras páginas, que no Japão em 1965 foi realizada um tipo de cirurgia semelhante em 98 pacientes com comportamento violento.
Não há como negar, os argumentos científicos apresentados durante o enredo são muito fortes e ao mesmo tempo que convencem também impressionam o leitor.
Em “O Homem Terminal”, Crichton Nara o drama de Harry Benson, um cientista de computação especializado em vida artifical e que após um traumatismo craniano causado por um acidente, descobre ser portador de LDA – Lesão Desinibitória Aguda – uma espécie de lesão cerebral que o faz sofrer terríveis crises nas quais perde completamente a inibição contra atos violentos e assume uma personalidade agressiva, cometendo crimes dos quais nada lembra ao término da crise.
Por suas atitudes estranhas e por seus delírios, amigos o aconselham a procurar um especialista. É assim que Benson chega à Unidade de Pesquisa Neuropsiquiátrica do Hospital Universitário de Los Angeles e torna-se paciente da Drª Janet Ross. A equipe de cirurgiões, liderada por um gênio da neurocirurgia, transforma Benson na principal cobaia do projeto desenvolvido pelo hospital.
Na tentativa de curar a lesão, o paciente é submetido a uma cirurgia única e inacreditável, onde tudo pode certo ou ficar pior do que já está.
Livraço de Crichton!
04 – Presa (2002)
Sempre considerei todas as listas, algo pessoal. Não existe esse lance de os 10 melhores livros de todos os tempos. Cara, veja só, você pode odiar a maioria dos livros que se encontram nessa lista. Entende? Por isso, sempre digo que toda e qualquer lista literária é pessoal, apesar de seus títulos e subtítulos.
Estou fazendo essa colocação porque muitos leitores do blog poderão questionar como incluo numa lista de ‘melhores livros de Michael Crichton’, uma obra tão insignificante e desconhecida quanto “Presa”. Então, eu respondo: pode ser insignificante e desconhecida para você, mas  para mim, não.
Na minha opinião, “Presa” foi um dos melhores livros já escritos pelo autor e uma das melhores obras de ficção científica. Bom demais! Até hoje não entendo porque a história ainda não foi adaptada para os cinemas e o motivo de ter tão poucas resenhas nos blogs.
No deserto de Nevada, uma experiência deu terrivelmente errado e com isso, uma nuvem de nanopartículas - microrobôs – consegue escapar de um laboratório que fica isolado no deserto de Nevada. Essa nuvem é auto-sustentável e auto-reprodutiva. É inteligente e aprende com a experiência. Para todos os fins práticos, está viva. A nuvem foi promulgada como um predador. Está evoluindo rapidamente, tornando-se mais letal a cada hora. Todas as tentativas de destruí-la fracassaram. Enquanto isso, elas continuam avançando para o centro da cidade onde todos nós seres humanos somos a sua presa.
“Presa” conta a história de uma praga mecânica e os esforços desesperados de um punhado de cientistas para exterminá-la. Baseado nos mais recentes fatos científicos, Michael Crichton nos transporta aos domínios emergentes da nanotecnologia e da inteligência artificial em uma história emocionante. 'Presa' é um livro para ser lido de um só fôlego.
05 – Micro (2011)
Há rumores de que Crichton tenha escrito apenas 73% de “Micro” antes de morrer. O restante da história teria sido completado por Richard Preston. Só que para o leitor é como se Crichton tivesse escrito todo o livro, o que deixa evidente o talento e a competência de Preston. Ele já havia provado que, de fato, é o “cara”, quando escreveu em 1994 “The Hot Zone”, um thriller de não ficção sobre um surto do vírus Ebola num laboratório especializado no estudo de primatas, localizado em Virginia. Este livro de Preston chamou a atenção do mundo em 1989 e mobilizou as autoridades médicas e sanitárias de vários países. “The Hot Zone”, lançado no Brasil pelo Rocco, é uma leitura obrigatória para aqueles que gostam de enredos de qualidade escritas em estilo jornalístico.
Quando soube que Preston havia sido escolhido pelos herdeiros de Crichton para concluir a sua obra póstuma, encostei a cabeça no travesseiro, dormi e sonhei com os anjos, pois tinha certeza que seria uma mistura de qualidade.
O enredo estilo montanha-russa de “Micro” descreve a aventura de sete promissores estudantes, cada um deles, graduado em determinado campo da ciência (aracnologia, entomologia, bioquímica, envenenamento, etc) que acabam participando – diga-se forçosamente - de uma pioneira experiência no ramo da miniaturização de seres humanos e assim, eles indo parar numa floresta tropical povoada de insetos e outros bichinhos inofensivos. Bem... inofensivos para nós leitores, mas letais para eles, personagens.
Taí, fãs de Crichton. Boa leitura!


26/02/2018

O Enigma de Andrômeda


Sou suspeito para falar dos livros de Michael Crichton. Aliás, muito suspeito já que me tornei um grande fã do cara. Tão fã que fiquei muito acabrunhado no dia em que ele morreu: 04 de novembro de 2008.  – Putz, adeus grandes enredos e grandes personagens – lamentei naquela época.
Se Crichton estivesse vivo – hoje, teria 76 anos de idade -  com certeza ele estaria produzindo grandes clássicos como esse que hoje escolhi para postar no blog.
“O Enigma de Andrômeda”, escrito em 1969, é um grande livro. Daqueles que fazem o leitor entrar nas páginas e viver a história junto com os personagens, como se estivesse ao lado deles.
No enredo de Crichton, um satélite dos Estados Unidos cai numa pequena cidade e uma bactéria fatal e desconhecida começa a matar a população. Misteriosamente apenas um bebê e um bêbado conseguem sobreviver. Uma equipe de quatro cientistas é convocada para estudar as causas da morte. A partir daí, eles passam a correr contra o tempo tentando encontrar uma solução para o enigma e assim salvar a humanidade. A pergunta raiz da questão é a seguinte: “o que defendeu o bebê e o bêbado da ação da bactéria  mortal que se apossou do satélite e dizimou todos os habitantes da cidade?
Este enredo seria um prato cheio para escrever uma história parecida com uma montanha russa com os cientistas correndo desesperadamente atrás da resposta. Como pano de fundo, teríamos uma conspiração tramada pelo governo o que acrescentaria ainda mais agito e correria no enredo. Não. Esqueça toda essa loucura desenfreada. 

“O Enigma de Andrômeda” não tem catástrofes e correrias. Crichton escreve de uma de tal maneira que faz com que o leitor se sinta parte da equipe de cientistas, como se ele estivesse ali, ao lado dos quatro pesquisadores, também descobrindo detalhes importantes que podem ajudar na investigação do fato. Cada descoberta é minuciosamente explicada aos leitores como se corpo científico estivesse falando conosco.
Por todas essas características, o livro cria uma cumplicidade impar com os leitores, como se os convidasse a ajudar os pesquisadores em suas descobertas.
Outro detalhe que chama a atenção são os questionamentos lançados pelo autor, como: “O que é a vida?” Por que a inteligência humana deveria ser considerada uma vantagem evolutiva?” “Uma pedra não pode ser algo vivo?”. Os debates sobre esses questionamentos vão evoluindo e se aprofundando com o desenrolar da trama, fazendo com que o leitor passe a refletir sobre essas dúvidas.
Enfim, um livraço com leitura obrigatória.


26/09/2014

Revelação (Assédio Sexual)



Sabem quando um escritor é bom, de fato? No momento em que ele consegue transformar um personagem amorfo, sem sal ou açúcar –  com toda a minha sinceridade: um cú de vaca que não presta prá nada – no sujeito mais carismático e fodástico do enredo. Mêo! Prá conseguir essa proeza, o autor tem que ser fera, bom mesmo; e pode crer, Michael Crichton fez isso.
Tom Sanders, o personagem do livro “Revelação”, idealizado pelo saudoso autor  é um cara medíocre ao extremo. Ele só leva ‘cala-boca’ da esposa e do chefe, além de demonstrar toda a sua incompetência ao chegar atrasado no serviço – justamente no dia da sua promoção!! - para poder suprir a inabilidade da esposa em preparar os filhos para irem à escola.
Então, o belezura chega no serviço e recebe a informação de que não será mais promovido porque eles encontraram uma outra pessoa bem mais jovem e impetuosa do que ele, além de ter o perfil da empresa. Estou falando escrevendo sobre a linda e estonteante Meredith Johnson. Ok, você deve estar pensando que Sanders depois que recebeu a notícia esbravejou, gritou, esperneou e cuspiu poucas e boas para o velhote de seu chefe metido. Ah! Ta! Me engana que eu gosto! Pode acreditar que ele  simplesmente deu algumas resmungadas bem baixinhas pra ninguém ouvir, se fêz de vítima e parou por aí mesmo. Mêo, para vai! Você acha que os leitores conseguem se simpatizar com um sujeito assim?! O pior, é que conseguem!! Bem mais do que isso: nós conseguimos torcer por Sanders e passamos – com o virar das páginas – até mesmo a descobrir virtudes no pobre coitado que estavam escondidas.
Sei que Crichton morreu, que eu sou seu fã, que ele é um gênio da escrita, mas em “Revelação”, o cara se ‘Revelou’ (desculpem o pleonasmo) num grande dum calhorda machista ao ter transformado o seu principal personagem masculino num herói valente e santo e a sua linda Meredith Johnson, sua principal personagem feminina, numa Cruela dos diachos; numa vilã tão maléfica, mas tão maléfica, capaz de fazer com que as feministas de carteirinhas – aquelas bem fanáticas – fiquem com vontade de esganá-la e depois trucidar o seu cadáver. Johnson é um poço de maldade bem profundo e muito mais.
Ao longo da história, Sanders vai crescendo e mostrando aos poucos que não é tão bobo quando imaginamos. Ele acaba conseguindo até mesmo, fazer a cabeça de uma advogada para que o defenda. Pois é, eu falei uma advogada e não advogado. A extensão da crueldade e safadeza de Johnson é tão extensa que consegue fazer com que uma outra mulher acabe aceitando como cliente um homem que diz ter sido vítima de assédio sexual. A advogada acredita mais no sujeito do que na mulher que, por sua vez, inverte os papéis, passando a afirmar que a abusada foi ela!
No enredo do autor, Tom Sanders é um executivo bem sucedido da DigiCom, uma empresa especializada no desenvolvimento de sistemas de computador. Seus sonhos de alçar-se à alta gerência da organização que ele ajudou a progredir, no entanto, começam a ruir quando ele reencontra Meredith Johnson, uma antiga amante, com quem viveu uma relação atribulada no passado, e descobre que ela foi escolhida para ser a nova diretora em seu lugar.
Apesar da frustração e do constrangimento, ele resolve, em nome do profissionalismo, acatar as ordens de sua chefe. Logo descobre que uma das determinações dela é seduzi-lo.
Pronto! Está armada a armadilha. Assediado sexualmente, Sanders acaba envolvido numa trama em que a verdade dos fatos não corresponde às aparências.
A manipulação cínica de dados atinge sua máxima tensão quando ele é acusado precisamente de assédio sexual pela chefe. Processado, Sanders com a ajuda de sua advogada, percebe que a DigiCom esconde um mistério que caberá a eles desvendar.
Portanto galera, deu pra ver que o livro de Crichton não se resume apenas aos ataques sexuais de Johnson para cima de um acuado marido fiel. Por trás disso, esconde algo muito maior; um segredo que a ‘Cruela Malévola’ e a DigiCom guardam a sete chaves e o qual Sanders pretende descobrir a qualquer custo.
A Rocco lançou o livro no Brasil em 1993 com o título de “Revelação”; um ano depois, Barry Levinson levaria para as telonas a adaptação cinematográfica, mas com um outro nome: “Assédio Sexual”. E a Rocco que não é ‘boba, nem nada’, aproveitaria a polêmica do filme para relançar, em conjunto com a L&PM a história de Crichton, mas agora com o mesmo título do filme.
Mas deixem o cinema para lá... o livro é muito melhor!

20/09/2014

Linha do Tempo



“Pronto! Lá vem ele falando, novamente, sobre Michael Crichton”. Antigamente, pouco tempo antes de ter esse blog, era dessa maneira que eu era recebido pelos meus amigos nas rodinhas de assuntos em que nos encontrávamos. E olha que eles tinham razão, aliás muita razão. Sempre fui um fã fissurado desse autor, ao ponto de ter a maioria de suas obras em minha estante. Fissurado, ao ponto, de ter ficado hiper abatido com a sua morte que ocorreu à seis anos.
Olha, Crichton é o cara. Ele é capaz de transformar temas maçantes, como física quântica e história medieval, tratados de maneira sonolenta por professores em salas de aula, em assuntos interessantes, capazes de viciar quem os lê. Agora, se o tema já é interessante, como por exemplo a teoria do caos e a biogenética, Crichton faz desses assuntos enredos incomensuráveis. Comparando grosseiramente, seria como se você colocasse um prato de comida suculento na frente de uma pessoa que não se alimenta há vários dias. Resultado: o sujeito vai devorar tudo, até o próprio prato.
Em “Linha do Tempo”, o autor faz os leitores viajarem numa eletrizante aventura no universo medieval, tendo como ponto de partida a física quântica. Na história, três  estudantes do mundo contemporâneo encontram um meio de voltar à França feudal do século XIV para salvar um professor em apuros. A narrativa é rica em detalhes, desde a descrição das lutas e do ambiente medieval. É interessante ver o choque de hábitos dos séculos XIV e XX (época em que o livro foi escrito – 1999). Imagine você vivendo naquele período? Pois é galera, saiba que uma expressão corriqueira ou até mesmo um corte de cabelos considerado comum hoje em dia, naquele século, teria uma importância enorme, capaz de desencadear uma série de atitudes e acontecimentos que poderiam beirar a catástrofe. Isso fica evidente quando uma das estudantes é alertada à usar uma peruca, já que mulheres com cabelos curtos naquela época eram consideradas bruxas ou desonradas. É nesse mundo que os três jovens ingressam e apesar de todos os preparativos feitos com esmero e antecedência, há sempre algo imprevisto. Crichton faz desse imprevisto uma verdadeira montanha russa.
E como é a máquina do tempo idealizada pelo escritor para levar os jovens estudantes à França feudal? Bem, esqueça aqueles trambolhões esquisitos, cheios de botões e alavancas ou então aquelas ‘batidas’ fendas temporais; o autor teve uma idéia muito mais ousada, ou seja, uma espécie de fax quântico, que permite "transmitir" pessoas para o passado. Isso mesmo! Bem louco, não é? Mas você deve estar se perguntando como isso é possível? Bem, na diluição que ele faz da teoria de Albert Einstein, a distância que separa duas épocas não seria uma questão de tempo, e sim de espaço – como se os séculos fossem universos paralelos. Capiche?
Na verdade, “Linha do Tempo” não difere muito de “Micro”, obra póstuma de Crichton, concluída por Richard Preston. Nos dois livros, o homem sai de seu habitat natural e acaba sendo obrigado a se virar num ambiente desconhecido e hostil. Em “Micro”, alguns jovens cientistas, após serem miniaturizados são deixados numa floresta tropical onde se vêem cercados de várias ameaças, desde insetos a aves gigantes. Já em “Linha do Tempo”, a floresta tropical e os insetos cedem os seus lugares para uma terra  medieval bruta, povoada por monges e guerreiros com hábitos bem diferentes do homem do novo século.
Ah! Antes que me esqueça, a história foi adaptada para o cinema em 2003 e pra variar não chegou aos pés do livro. Por isso, siga um conselho de amigo: Deixem de lado a bomba do filme dirigido por Richard Donner e invistam na leitura da obra escrita fantasticamente desenvolvida por Crichton.

20/03/2013

Micro


Antes de começar escrever sobre esse thriller tecnológico de Michael Crichton e Richard Preston, gostaria de contar algo que aconteceu comigo e que talvez tenha alguma relação com o romance que acabei de ler.
Aproximadamente uma semana antes de encarar “Micro” fui convidado para o churrasco de aniversário de um amigo meu. Durante a festa, um ‘sádico infeliz’ me chamou: “Môra!! – Etchaaa apelidinho triste esse!! – vem aqui ver um negócio, corre cara!!” Pois é, do jeito que o tal sádico me chamou – aliás, só saquei que o sujeito era um sádico, de fato, depois da cena chocante que me mostrou – pensei que alguém estava passando mal e precisando de cuidados médicos. Mas ao chegar no local do “acidente” o que é que eu vejo? Vai! Diz aí mêo! O que é que eu vejo!! PQP!! O que aquele disgramado duma figa – pra não falar d-e-s-g-r-a-ç-a-d-o!!!! – ‘fio’  de uma ..... me mostrou? O cara %*&¨%$#@* teve a capacidade de mostrar com um sorriso prazeroso, o ataque de uma aranha (grandinha e esquisita) à uma ‘moscona’ enorme presa e indefesa numa teia!!! Ecaaaa! A tal aranha vinha com as suas mandíbulas que mais se pareciam tesouras de jardineiro mais afiadas do que navalha.
Esse sádico que nem por isso deixa de ser um sujeito legal... grande amigo (rs), talvez tenha se interessado pelos tamanhos cavalares da aranha e do inseto e por isso me chamou pra presenciar a cena, como se eu fosse o juiz responsável pela luta desigual. Credita!!! Eu juiz de um ‘UFC’ de insetos!! Ahahaha!
Bem, na verdade,  aquela cena acabou comigo. Pode parecer mentira, mas cheguei a ter um ‘mini-pesadelo’ na noite seguinte. Bem, dois dias depois, fuçando na Net, vejo nos sites das livrarias virtuais o novo livro de Michael Crichton, “Micro”. Não pensei duas vezes, fechei o pedido na hora.
Êpa! Pêra um pouquinho! Como explicar o meu desejo por essa obra, se eu não suportei ver uma aranha deglutir uma mosca?!! Calma gente; eu explico. Os motivos foram dois. Vamos começar com o menos importante. Bem, pela maioria dos comentários que havia visto nas redes sociais, acreditei que o enredo principal da história estaria ligado a nanotecnologia, ‘a exemplo de “Presa”, uma das melhores obras de Crichton que já li em minha vida. Jamais pensava que a história teria um festival de animais peçonhentos gigantescos atacando seres humanos menores do que um grão de areia!. Vamos agora, ao segundo motivo. Este mais importante. A obra em questão se trata de um livro póstumo do meu ídolo. Portanto, que venham as aranhas, vespas, centopéias e o escambau a quatro! Que venham com trinta, quarenta, cinqüenta ou cem metros de altura! Eu coloco os meus medinhos, medões, toque e retoques dentro de uma sacola e encaro as páginas. Afinal de contas, estou me referindo a Michael Crichton. O cara... a lenda... Ihh.... desculpe a empolgação, é que o sujeito é fera.
Olha galera, mas apesar de estar com um tesão incrível pelo livro, confesso que tive de dominar todos os meus medos de aranhas, vespas, gafanhotos e outros “bichinhos” para ler as 411 páginas do romance. E quer saber de uma coisa?? Valeu à pena!! Uhauuu!! E como valeu! Pode acreditar: li “Micro” em três dias, apesar de estar entupido de serviço. Varava madrugadas, lia nos intervalos do meu trabalho, no trânsito, no consultório médico, no toalete; enfim, nos mais diferentes lugares. O enredo desenvolvido por Crichton e concluído por Preston é uma verdadeira montanha russa que impede o leitor de desviar os olhos das páginas. Imagine uma história com aventura, intrigas, traições e romance, temperada com ficção científica da melhor qualidade. “Micro” é tudo isso e um pouco mais.
Há rumores de que Crichton teria escrito apenas 73% da obra antes de morrer. O restante da história teria sido completado por Preston. Ocorre que para o leitor é como se Crichton tivesse escrito todo o livro, o que deixa evidente o talento e competência de Preston que já havia provado que, de fato, é o “cara”, quando escreveu em 1994 “The Hot Zone”, um thriller de não ficção sobre um surto do vírus Ebola num laboratório especializado no estudo de primatas, localizado em Virginia. Este fato chamou a atenção do mundo em 1989 e mobilizou as autoridades médicas e sanitárias de vários países. “The Hot Zone”, lançado no Brasil pelo Rocco, é uma leitura obrigatória para aqueles que gostam de obras de qualidade escritas em estilo jornalístico.
Quando soube que Preston havia sido escolhido pelos herdeiros de Crichton para concluir a sua obra póstuma, encostei a cabeça no travesseiro, dormi e sonhei com os anjos, pois tinha certeza que seria uma mistura de qualidade.
O enredo estilo montanha-russa de “Micro” descreve a aventura de sete promissores estudantes, cada um deles, graduado em determinado campo da ciência (aracnologia, entomologia, bioquímica, envenenamento, etc) que acabam sendo convidados por Eric Jensen, irmão mais velho de um deles,  a iniciarem um estágio na empresa da qual é sócio: a NaniGen, especializada na fabricação de micro-robôs. Chegando nesse conglomerado empresarial, eles descobrem que a pesquisa da NaniGen vai muito mais além. Na realidade, eles conseguiram dominar a tecnologia da miniaturização, conseguindo reduzir seres humanos e máquinas à proporções microscópicas.  O objetivo da NaniGen é enviar grupos de pesquisadores com equipamentos de última geração ao chamado micro-mundo habitado por  insetos, bactérias e outros animaizinhos nada legais para recolher amostras que podem ser utilizadas na fabricação de medicamentos que futuramente poderão acabar com moléstias incuráveis.  Com o avançar das páginas, os leitores vão chegando a conclusão de que na verdade as intenções da empresa são bem diferentes  e nada altruistas. Pelo contrário;  a exploração do micro-mundo é um disfarce para despitar o seu verdadeiro objetivo. É evidente né ‘migo’  que não vou revelar qual objetivo néee....
Quando  Éric é assassinado pelo seu sócio inescrupuloso, Vin Drake, por ter descoberto as verdadeiras intenções da NaniGen, seu irmão Peter Jensen se torna um alvo em potencial. Resultado: ele e seus amigos são miniaturizados, pelo vilão, e enviados ao chamado micro-mundo.  Pronto! A partir daí, prepare o seu coração para as emoções. E que emoções! Os nossos sete protagonistas micro-humanos são, literalmente,  abandonados em uma vasta floresta tropical na grande ilha do Havaí de Oahu, ficando à mercê  de um “Mundo Perdido” .  Os jovens cientistas encontram uma natrureza hostil e a cada instante deparam com perigos  intensos e surpreendentes. Armados apenas com o conhecimento do mundo natural, de repente, são obrigados a enfrentar predadores terríveis que até há poucos instantes não passavam de simples insetos ou bichinhos inofensivos. Eles tem que vencer esses obstáculos para tentar impedir que Vin Drake coloque em prática o seu plano diabólico. 
Gostaria de alertar os leitores  com estômagos mais fracos que existem trechos que realmente causam náuseas, mas daquelas náuseas instantaneas em que  o vômito vem logo a seguir (rs). Um deles  é o ataque de uma vespa que após ferroar  e paralisar  a sua vítima humana com veneno, carrega-a  ainda viva para dentro do ninho para que sirva de alimento para... digamos... os seus filhotinhos.  Outra passagem  “braba” é o ataque organizado das formigas cabeçudas, uma das espécies carnívoras  mais predadoras do mundo.  A sua forma de atacar é semelhante ao dos velociraptores em “O Parque dos Dinossauros”, também de Crichton. Elas são extremamente inteligentes e... letais. Mas nada se compara  a dois momentos  por demais asquerosos. O primeiro deles quando uma vespa parasitária pega de supresa um dos cientistas dormindo num pequeno galho de uma árvores e simplesmente.... confunde o seu braço com uma larva. Sente só o drama: “ Ele ouviu uma aproximação ruidosa que planou por cima como um helicóptero... Era uma vespa... Ela desceu.... tocou suavemente a antena em seu braço esquerdo e sentiu a textura macia e o gosto da pele... Era uma pele branca e macia como uma lagarta... Então, de repente, a vespa”.... Aii Aii Aii!!! Mãêeeeeeeeeee!!! Quero lembrar disso não!!!  E quero lembrar menos ainda do trecho em que os caras já ‘mortos’ de fome no micro-mundo – no desespero – resolveram matar um...... (pontinhos) e provar a carne esbranquiçada e gosmenta do ... (pontinhos novamente). Ecaaaaaaaaaa!!! Ah! E comeram ainda os bifes crus e disseram que: - “bem, até que é saboroso”. Ecaaaaaa novamente!!!
Cara! Chega vai! Enfim, “Micro” é isso aí. Perto do final do livro, há revelações surpreendentes que mudam de maneira quase que total o contexto da história. 
E se esses poucos trechos que descrevi no post já serviram para acelerar o seu coração ou então causar náuseas, espere só quando ler os demais, principalmente o ataque de um micro-robô que por engano entra na sala de miniaturização e recupera o seu tamanho normal. Bem... melhor esquecer.
Inté e boa leitura!

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