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09/02/2022

Flores para Algernon



Não espere um livro com grandes plot twists, aliás, Flores para Algermnon não tem nenhuma reviravolta bombástica na história. Tanto é verdade que logo no início da trama, eu já imaginava qual seria o final e adivinhem? Acertei em cheio! Começando a resenha dessa forma, fica a impressão de que o livro de Daniel Keys é algo sem sal e sem açúcar, enfim uma leitura nada atraente. Mero engano. Na realidade, Flores para Algernon é maravilhoso, uma leitura cativante e emocionante. Aliás, para uma obra literária ser boa não é preciso que ela esteja recheada de plot twists. Conheço várias narrativas ruins que tem inúmeras reviravoltas, por outro lado, conheço muitas narrativas excelentes e sem nenhum twist. Flores para Algernon se encaixa nessa segunda categoria.

Além de ter me emocionado muito, a história de Charlie Gordon fez com que a minha empatia por pessoas com deficiências intelectuais crescesse ainda mais. A narrativa de Keys é um tapa na cara de muitas pessoas que não dão a devida atenção para adultos ou crianças portadoras desse tipo de transtorno, transformando-os em vítimas de bullying ou simplesmente ignorando-as. A minha vontade, quando terminei a leitura, era a de esfregar o livro na cara dessas pessoas. Verdade! A história, de tão profunda e emocionante, mexe muito, mas muito com a gente.

A história é escrita em primeira pessoa, na forma de epístolas pelo personagem Charlie Gordon que sofre de retardo mental. Ele trabalha em uma padaria onde é um bom funcionário. Apesar de ter amigos no ambiente de trabalho, quase sempre acaba sendo vítima de brincadeiras de mau gosto por esses supostos “amigos”.

Depois de algum tempo, Charlie é selecionado para ser o primeiro humano a passar por uma cirurgia revolucionária que promete aumentar o QI do paciente transformando-o num ser humano com uma capacidade intelectual espantosa. Em um avanço científico sem precedentes, a inteligência do personagem aumenta tanto que ultrapassa a dos médicos que planejaram o experimento. Entretanto, Charlie passa a ter novas percepções da realidade e começa a refletir sobre suas relações sociais e até sobre o papel de sua existência.

Os trechos do livro que mostram o relacionamento de Charlie com Alice, a sua professora da escola de alunos com deficiência mental, são os mais fortes e emocionantes da narrativa, principalmente depois que ele atinge o limite de seu QI, tornando-se uma pessoa extraordinariamente inteligente. Esta mudança acaba interferindo até mesmo em sua interação com as pessoas que tem um QI elevado – os chamados gênios – e muito mais ainda com aquelas de QI normal. Isto porque a sua inteligência, após a operação, chega a ultrapassar todos os limites.

Outro momento forte do livro e que desperta um sentimento de raiva no leitor é relacionamento de Charlie com a sua mãe e com a sua irmã quando ainda sofria de retardo mental. Cara, abusivo demais! Que ódio dessas duas mulheres!

A conclusão do enredo, mesmo não sendo nenhuma novidade e até mesmo obvio, emociona pra caramba.

O autor foi muito criativo ao optar por desenvolver a sua narrativa em primeira pessoa na forma de um diário onde Charlie vai escrevendo passagens de sua vida. No início, a sua escrita é cheia de erros crassos de português, mas depois conforme a sua inteligência vai avançando, esses erros também vão desaparecendo e o seu texto ganha uma escrita perfeita. Achei um lance bem inovador por parte de Keys.


Flores para Algernon foi escrito na forma de conto e publicado pela primeira vez em 1958 numa revista de fantasia e ficção científica, ganhando o Prêmio Hugo de Melhor Conto em 1960. O romance foi publicado em 1966 e foi co-vencedor do mesmo ano do Prêmio Nebula para Melhor Novela.

A ideia de Keys em escrever a história surgiu durante um momento crucial, em 1957, enquanto Keyes ensinava inglês a alunos com necessidades especiais. Um desses alunos perguntou-lhe se seria possível ser colocado em uma classe comum (regular) se ele trabalhasse muito e se tornasse inteligente. Esse foi o gatilho para escrever Flores para Algernon.

O livro fez tanto sucesso no decorrer dos anos que ganhou várias adaptações para a TV e o cinema, sendo a mais famosa delas “Os Dois Mundos de Charly” de 1968 e que rendeu o Oscar de ‘Melhor Ator’ para Cliff Robertson.

Antes de encerrar essa resenha gostaria de revelar quem é o Algernon do título do romance de Keys. Tudo bem, fique despreocupado porque não darei spoilers. Vamos lá. Algernon é um rato de laboratório que serviu de cobaia no experimento científico. O animal foi o primeiro a passar pela cirurgia para aumentar a inteligência. Quanto as “Flores” que também fazem parte do título, bem... só lendo a história para compreender.

A leitura valeu muito a pena.



23/10/2021

Daisy Jones & The Six: Uma História de Amor e Música

Está explicado porque a conhecida atriz e produtora americana Reese Witherspoon decidiu produzir uma série de TV baseada em Daisy Jones & The Six: Uma História de Amor e Música logo após de ter lido o livro escrito por Taylor Jenkins Reid. Cara, o enredo é simplesmente maravilhoso, daqueles que fisgam os leitores logo nas primeiras páginas. E a exemplo de Witherspoon, eu também amei e devorei Daisy Jones & The Six. O livro é bom demais. Daqueles que servem para curar qualquer ressaca literária.

Da mesma forma que acontece em Os Sete Maridos de Evelyn Hugo, outro livro da autora, os personagens de Daisy Jones são tão carismáticos que parecem reais. A ilusão que temos ao ler a obra literária é que o grupo musical fictício criado por Jenkins, de fato, existe. A minha sensação foi a de que Daisy Jones, Billy Dune, Graham Dunne, Karen Sirko e os demais integrantes do grupo musical “The Six” eram de carne e osso. Parecia que eu estava lá no meio da gritaria dos fãs assistindo um show da banda, vivendo o clima contagiante de uma apresentação ao vivo; presenciando os desentendimentos, erros e acertos do “The Six”; vendo uma Daisy Jones tão real que a minha impressão era de que a personagem estava se abrindo comigo revelando os seus segredos, as suas alegrias e principalmente as suas tristezas.

A “culpa” dessa ‘ilusão de realidade’ se deve a forma como o romance foi escrito. A autora deixou de lado os estilos narrativos convencionais e optou por uma reformulação total, ou seja, uma grande inovação. O livro é todo escrito no formato de entrevistas como se os integrantes da banda e pessoas envolvidas com eles (produtores, empresários, gravadoras, etc) contassem, em seus pontos de vista, a trajetória e conflitos do The Six através dos anos. Com isso, a obra ganha um estilo documental o que torna os personagens e as suas histórias ainda mais reais.

Outro detalhe são as letras das músicas de Daisy Jones & The Six que também fazem parte do livro colaborando ainda mais para a verossimilhança da história.

Sam Claflin (Billy Dune) e Riley Keough (Daisy Jones)

A personagem Daisy Jones foi inspirada nas musas da música da década de 1970, como Stevie Nicks e Joan Jett. Jones é uma jovem apaixonante, talentosa, mas muito solitária. A protagonista, então, conhece a banda The Six, de rock tradicional da época, e acaba entrando para o grupo musical formando uma parceria que em pouco tempo conquista os fãs e domina paradas de sucesso ao redor do mundo. A partir daí surge um relacionamento com muita química, mas também conflituoso, entre Daisy e Billy Dunne, vocalista do grupo.

As histórias do The Six e de Daisy Jones são narradas, inicialmente, separadas, mas depois de algumas páginas, quando Daisy entra para a banda, a narrativa se funde, tornando uma só. Com o virar das páginas, a curiosidade do leitor vai aumentando para saber o motivo que levou a separação da banda quando eles estavam no auge e dominando todas as paradas de sucessos mundiais.

Elenco da série de TV que será exibida na Amazon Prime Video

Jenkins mergulha fundo no mundo do rock’n roll - através de seus personagens - abordando sem preâmbulos, o efeito devastador das drogas na vida de grande parte daqueles que vivem no meio; alguns querendo sair e outros se afundando cada vez mais no vício devido a frustrações familiares ou amorosas, apesar do sucesso e do dinheiro entrando em suas vidas aos borbotões. Isto fica evidente numa frase dita por um dos personagens principais do livro:  “É engraçado. No começo, acho que a pessoa começa a se drogar para silenciar os sentimentos, para fugir deles. Mas depois de um tempo percebe que as drogas estão tornando sua vida insuportável, que na verdade estão amplificando seus sentimentos.”

Apesar de Daisy Jones e Billy Dunne serem os personagens principais do romance, a minha favorita, aquela que mais me agradou, foi Camila Dunne, esposa de Billy. Putz! Que mulher fantástica! E não estou me referindo ao assunto beleza, apesar dela ser descrita como uma mulher muito bonita e sensual; estou me aludindo ao seu caráter e personalidade. As suas atitudes me conquistaram. A decisão que ela toma perto do final da trama, durante um encontro com Daisy Jones, modifica todo o curso da história. Fiquei fãnzaço de Camila. Camila! Camila! Camila! Iuuupiii!!

Quanto a série de TV baseada no livro homônimo e que ganhará episódios produzidos pelo Amazon Prime Video, o elenco já foi definido. Riley Keough (neta de Elvis Presley) e Sam Claflin protagonizam a produção como Daisy e Billy enquanto Camila Morrone será Camila Dunne. Estou ansioso pela estreia da série que ainda não tem uma data definida. Enquanto isso, o que posso dizer para a galera é que leiam o livro porque vale muito a pena. Muito mesmo.

 

 


15/10/2021

Os Sete Maridos de Evelyn Hugo

Imagine uma atriz famosa, reclusa, avessa a entrevistas, uma verdadeira lenda viva do cinema, que de repente resolvesse abrir o jogo sobre a sua vida, revelando os segredos mais escondidos, incluindo os mais sórdidos –aqueles bem cabeludos capazes de fazer a mais santa e inocente das pessoas exclamar: “PQP! Ela fez isso?!!!!!”. O espanto é grande porque os tais segredos não combinam com a imagem da musa que você ama ver nas telonas dos cinemas.

Pois é, essa é a sensação que temos ao lermos Os sete maridos de Evelyn Hugo. Enquanto, eu ia virando as páginas, senti como se Evelyn estivesse falando comigo e não com Monique Grant, a repórter de uma famosa revista que conduz a entrevista com a atriz. Aliás, aposto que a maioria dos leitores terão essa mesma sensação, sabem por quê? Porque Evelyn Hugo é carismática demais, uma mulher incrível e com um poder de sedução enorme. Quando terminei a leitura falei comigo mesmo: “Putz, bem que essa mulher poderia existir”.

Não pensem que a personagem criada por Taylor Jenkins Reid é uma santa. Ohohohoh! Longe, muito longe disso. Evelyn aprontou muito em sua vida, teve atitudes reprováveis, aliás muito reprováveis, usou pessoas para conseguir o que queria, foi mentirosa, cínica, hipócrita, fria e mais o escambau a quatro. Mas pera, pera aí! Como você cpnsegue gostar de mulher com todos esses adjetivos? A verdade é que da maneira certa ou errada, Evelyn, na maioria das vezes, fez tudo isso em nome do amor, ou seja, para proteger alguém que ela amava. Foi uma atitude muito bonita e corajosa porque rompia paradigmas considerados imutáveis na época em que ela estava no auge de sua carreira. Bem... leiam o livro e vocês, com certeza, entenderão muitas das atitudes da personagem nesse sentido.

Este lado que eu acabei apelidando de “lado coragem” de Evelyn conquista tanto o leitor que ele acaba relevando algumas de suas condutas antiéticas para promover um filme ou então conseguir determinados papéis de destaque. Pelo menos, foi o que aconteceu comigo. Resumindo: Evelyn Hugo é uma personagem muito complexa para você rotulá-la apenas como vilã ou mocinha. Ela vai muito além disso.

Outro tempero delicioso na obra é a narrativa fluida de Taylor Jenkins que prende o leitor como uma teia de aranha. Você acaba se envolvendo tanto com os personagens que se torna quase impossível largar o livro. Fiquem preparados para um segredo bombástico que acontece perto do final da história. Daqueles que derrubam o queixo de qualquer leitor

No livro, aos setenta e nove anos, Evelyn Hugo é uma lenda do cinema. Com seu icônico cabelo loiro e dona de uma beleza de dar inveja, seguiu um roteiro digno dos filmes que protagonizou: deixou para trás a origem simples para se alçar ao estrelato e se transformar na grande sensação das telas nos anos 1960. Nos bastidores, levou uma vida igualmente agitada, incluindo sete casamentos e muitos escândalos nos tabloides de fofocas.

Já a trajetória da jovem Monique Grant está longe de ter esse glamour. Apesar dos esforços, seu trabalho numa grande revista não tem lhe rendido muitos frutos, e o amor vai de mal a pior. Então, o inesperado acontece quando a famosa e inacessível atriz que tem o hábito de não falar com ninguém e muito menos com a imprensa, decide dar uma entrevista exclusiva – desde que seja para Monique e ninguém mais. Intrigada com a proposta e determinada a alavancar sua carreira, a jornalista passa a se encontrar com Evelyn para ouvir a história que a mídia nunca mostrou. Monique sente uma conexão muito forte com a atriz e desconfia que os seus caminhos possam estar mais interligados do que imagina. O plot twist final pega não só Monique, mas todos os leitores de calças curtas. Ele chega de uma maneira bem abrupta apanhando toda a galera de surpresa.

Valeu a leitura e como valeu!

21/07/2021

A filha do demônio

Mayara, sinceridade? Adorei o seu livro. Caráculas, que viagem! Após ter lido A Filha do Demônio da escritora mineira, Mayara Cordeiro, pensei comigo mesmo: quantas histórias boas de autores desconhecidos estão morrendo por motivo do descaso de grandes editoras.  A arrogância de alguns editores chega a tal ponto que eles sequer aceitam ler os originais de uma história ao saber que se trata do debut, no meio literário, de um jovem escritor. Eles preferem investir em autores consagrados. Triste, não acham? Sabemos que a maioria desses jovens talentos desconhecidos desistem porque os custos para lançar uma obra literária independente são salgados demais e nem todos conseguem obter esses recursos através de vaquinhas virtuais. Com isso a maioria opta por não prosseguir escrevendo.

Ainda bem que Mayara Cordeiro acreditou em sua história e foi a luta e publicou a edição impressa de A Filha do Demônio de forma independente. Antes, ela já tinha lançado o e-book.

Quando recebi o seu livro para resenha e avaliação confesso que não estava afim de ler algo do gênero western já que tinha acabado de concluir a releitura de algumas historietas de Os Melhores Contos de Faroeste, por isso queria mudar de gênero naquele momento. Pretendia ler algo sobre mitologia grega, um assunto que adoro. Entonce... recebo A Filha do Demônio. Certamente, pretendia lê-lo mais para a frente. Acontece que o livro tinha uma capa tão bem produzida, mesmo simples; estava tão bem embalado; continha tantos mimos, entre os quais marcadores de páginas, mapas e imãs personalizados que acabou me convencendo as antecipar a sua leitura. Pensei: - Putz, para uma escritora investir tanto numa publicação independente é porque ela tem um carinho enorme pelo seu “filho” e acredita muito “nele”. Portanto, só me restou conhecer esse “filho”. E não me arrependi.

A obra, mesmo seguindo o gênero ‘Velho Oeste” não fica restrita a troca de tiros, duelos e socos dentro de um saloon. O seu foco está mais direcionado para drama e romance. Ainda ontem, quando acabei a leitura do livro, comentei com Lulu que o enredo idealizado por Mayara pode ser definido, de um modo genérico, como uma mistura de Sheldon e Sparks no Velho Oeste americano. A saga de Yanan, Eric Hetfield, Andy Martin, Rael Amaya, entre outros personagens tem pontos em comum com os plots criados por Sidney Sheldon e Nicolas Sparks em seus livros: mulheres fortes e resilientes; vilões sem escrúpulos e capazes de chegar as últimas consequências para atingir os seus objetivos; além de trabalhar com perfeição elementos como redenção, perdão e amizade.

Os personagens bem construídos somados a uma narrativa fluida faz com que os leitores devorem as páginas em pouco tempo. A Filha do Demônio não tem plot twists em seu enredo, mas por outro lado, tem muitas surpresas, algumas me deixaram desconcertado.

Não quero estragar o enredo com spoilers mas já adianto que não há como não se apaixonar por Yanan, uma típica heroína ‘a la Sheldon’ ou então querer invadir a história para moer de pancadas o FDP do Rael Amaya, um dos vilões mais cruéis que já vi num livro.

Os últimos capítulos são bem tensos com direito a duelos, tiroteios e perseguições. Os leitores ficarão com uma vontade enorme de mergulhar nas páginas para tomar partido de determinados personagens. Destaque para um reencontro que acontece no final, muito emocionante.

A Filha do Demônio conta a história de uma jovem menosprezada em sua pequena comunidade, inclusive pelos seus próprios familiares, e que sai em busca de vingança por algo que fizeram à sua mãe. A sua jornada será cheia de surpresas. Ela encontrará pelo caminho vários personagens dispostos a ajudar e outros com prazer em lhe prejudicar. Enfim, é isso. Não posso contar mais nada, caso contrário, acabarei estragando o romance com spoilers.

É uma pena que o livro não se encontra a venda, pelo menos por enquanto, nas grandes livrarias virtuais, mas os interessados poderão adquirir o e-book na Amazon. Quanto ao livro físico, as reservas podem ser feitas no site da escritora (ver aqui ) ou então, em seu Instagram.

20/01/2021

O Diário de Suzana para Nicolas

Se você adorou os filmes “Uma janela para o céu” e “Love Story” e ainda teve tempo de amar o livro “Diário de uma paixão” com certeza irá endeusar O Diário de Suzana para Nicolas. O motivo é que essas histórias tem algo em comum e esse comum se resume a um lencinho molhado de lágrimas. Dependendo da sensibilidade do leitor, talvez apenas um lencinho não será suficiente para enxugar as lágrimas derramadas.

Ainda me lembro quando fui ao cinema para ver “Uma janela para o céu” com Beau Bridges e Marilyn Hassett. Eu tinha 14 anos, na época, e assisti ao filme com um grupo de amigos e confesso que chorei no final. Acho que o cinema inteiro chorou porque o “The End” foi muito trucão. Recordo ainda ter visto algumas mulheres saindo da sala de exibição, sem conseguir segurar as lágrimas. Cinco anos antes - no auge da minha infância - já tinha pingado algumas lágrimas com os personagens de Ryan O’Neal e Ali MacGraw em “Love Story”. Aliás, quem não se recorda da famosa frase “Amar é nunca precisar pedir perdão” dita por aquela atriz bem magrinha e com cara de menina sapeca que três anos após filme, em 1973, viria se tornar a Srª McQueen? Pois é, frase fodástica que partiu corações de muitas pessoas naquela época.

Quando o coração do menino chorão, aqui, dava indícios de ter sido domado, eis que cruza o seu caminho um casal ‘carga pesada’ chamado Noah e Allie de Diário de Uma Paixão. Neste caso, não chorei, mas dei uma baqueada. Achei o final do livro mais emocionante e mais poético do que o filme.

Portanto, como me tornei fã desses enredos há muitos anos atrás, não pensei duas vezes em comprar a obra de James Patterson que encontrei num sebo virtual. Sem contar que gosto muito de livros do gênero. Foi assim que O Diário de Suzana para Nicolasveio parar em minhas mãos.

Posso garantir que a história escrita por Patterson é muito legal, muito... fofa. Pronto falei: fofa; sei que esse é um termo marca registrada de blogueiras e não de blogueiros, mas acontece que não encontro uma definição melhor para um livro tão gostoso de se ler e também tão gostoso para se emocionar.

Li as 222 páginas num dia só. Comecei às 7 da manhã de um sábado e terminei por volta das 15 horas. Antes de ler, pensei que seria algo bem clichê, mas mesmo assim, pensei comigo: para quem assistiu “Love Story” e gostou, uma leitura clichê não seria problema algum. Mas o livro de Patterson é muito bem elaborado, com reviravoltas que chocam os leitores e outras que emocionam. Não tem nada de clichê. A linha narrativa consegue manter, sem enrolação, o suspense de um segredo incrível que só é revelado nas páginas finais.

Enquanto lia a história não parava de perguntar porque Matt havia traído Suzana com Katie. Cheguei a odiar o sujeito e acha-lo a pessoa mais sem caráter do mundo; então vem a reviravolta inteligentemente engendrada pelo autor e que derruba o nosso queixo. Putz! Não esperava aquilo não. Cara, que choque! Confesso que fiquei baqueado e com os olhos um pouquinho molhados. ÔOOO lágrimas bandidas!! PQP!!

Em “O Diário de Suzana para Nicolas”, Patterson conta a história do poeta Matt Harrison que acaba de romper o seu relacionamento com Katie Wilkinson, uma jovem editora que não tinha qualquer dúvida quanto ao amor que os unia. Por isso, ela não consegue entender como um relacionamento tão perfeito pôde acabar tão de repente.

No dia seguinte ao rompimento, Katie encontra um pacote deixado por Matt na porta de sua casa. Dentro dele, um pequeno volume encadernado traz na capa cinco palavras, escritas com uma caligrafia que ela não reconhece: “Diário de Suzana para Nicolas”

Ao folhear aquelas páginas, Katie logo descobre que Suzana é uma jovem médica que, depois de sofrer um enfarto, decidiu deixar para trás a correria da cidade grande e se mudar para um lugar tranquilo onde acaba conhecendo Matt e se apaixonando. É neste lugar tranquilo que nasce o filho deles, Nicolas.

Ao tomar conhecimento disso, várias dúvidas começam a povoar a mente de Katie, sendo a principal: ‘Por que Matt teria lhe deixado aquele diário?’

Confusa e sofrendo com o fim do relacionamento, é nas palavras de outra mulher que Katie encontrará as respostas para esse enigma.

Recomendo muito!

 

 

05/12/2020

O Cemitério dos Livros Esquecidos, uma saga com personagens que ficarão guardados para sempre na memória dos leitores.

Existem sagas que marcam as nossas vidas de leitores. Sagas que ficam guardadas para sempre em nossas memórias, por isso podem passar anos e até mesmo décadas que mesmo assim, não iremos esquecer determinados personagens. Você, por acaso, se esqueceu de Harry Potter, do professor Snape, de Edmond Dantes ou de Gollum e o seu “precioso”? Tenho certeza que não; da mesma forma que não me esqueci de Daniel Sempere, Julián Carax, Fermin e Alicia Gris.

A saga “O Cemitério dos Livros Esquecidos” mexeu com todos os meus sentimentos, provocando uma verdadeira revolução. Senti revolta, fiquei feliz, triste e me emocionei... muuuito. Torci desesperadamente por alguns personagens, odiei outros, embarquei no clima loucaço de aventura, enfim, a saga provou um verdadeiro rebuliço em meus sentimentos.

Hoje, estou aqui para indicar os quatro livros que formam a saga – A Sombra do Vento, O Jogodo Anjo, O Prisioneiro do Céu e O Labirinto dos Espíritos – magistralmente escrita pelo saudoso Carlos Ruiz Zafón que faleceu há aproximadamente cinco meses. Fiquei muito triste em saber que jamais teremos a oportunidade de ler, novamente, os enredos cheios de mistério e recheados de dramas amorosos que saiam da cabeça do autor espanhol. Realmente, uma pena.

Apesar de muitas pessoas disserem que os livros da saga podem ser lidos fora de ordem já que não são sequências diretas uns dos outros, o meu conselho é para que a galera interessada leia, sim, na sequência. Isto porque, vocês irão acompanhar a ordem cronológica dos acontecimentos, apesar dos quatro livros terem tramas independentes, com começo, meio e fim. Aliás, o próprio Zafon disse que cada livro da saga apresenta uma porta diferente de entrada para a trama, podendo ser lidos em qualquer ordem, mas repito, prefiro lê-los na sequência cronológica do enredo e não dos lançamentos dos livros.

É importante frisar que a trama de cada um dos romances acontece numa época diferente e sempre ganhando novos personagens que passam a interagir com os personagens do núcleo principal da trama, formado por Daniel, seu pai – o Sr. Sempere – Beatriz e Fermin Romero. A genialidade de Zafón fez com que até mesmo personagens secundários ganhassem uma importância enorme na trama, deixando os leitores com um gostinho de quero mais, hiper-curiosos para saber detalhes sobre as suas vidas. Acredito que esse foi um dos motivos que levou o autor a escrever os outros três livros, após o lançamento de A Sombra do Vento que foi publicado, inicialmente, sem a intenção de tornar-se o ponto inicial de uma trilogia ou quadrilogia. Por ter um grupo de personagens muito interessantes e que poderiam ser melhor desenvolvidos em outros livros, Zafón teve o insight de escrever O Jogo do Anjo, O Prisioneiro do Céu e O Labirinto dos Espíritos, nascendo assim, a famosa saga.

Em A Sombra do Vento, lançado em 2001 – chegou ao Brasil, pela editora Suma, somente em 2007 - e que transformou Zafón num escritor respeitado em todo o mundo, conhecemos um Daniel Sempere criança que foi criado pelo seu pai, um livreiro, após a morte de sua mãe Isabela. Daniel, aliás, nunca chegou a conhece-la e como o Sr. Sempere preferiu ficar calado sobre o passado da esposa, o jovem pouca coisa sabe. 

Quando completa 11 anos, Daniel é levado pelo seu pai para visitar uma biblioteca enorme chamada de o “Cemitério dos Livros Esquecidos”. Neste local há uma regra que deve ser cumprida à risca. Chegando lá, você tem o direito de escolher um livro e se comprometer a cuidar dele. O garoto escolhe, então, uma obra chamada “A Sombra do Vento” escrita por Julián Carax, um autor misterioso e que publicou apenas esse livro. Daniel gosta tanto da história que resolve investigar um pouco mais sobre a vida desse enigmático autor que viveu na Barcelona dos anos 20,  há quatro décadas da Barcelona dos 60, onde Daniel vive com seu pai. Para tentar decifrar o mistério envolvendo Carax, o jovem conta com o apoio de Fermin Romero que trabalha na livraria do Sr. Sempere. Os dois se envolvem numa intriga arriscada relacionada ao livro “A Sombra do Vento”.

Em O Jogo do Anjo (2008), conhecemos um novo personagem, David Martin, um escritor maldito que faz um pacto com o demônio para se tornar um escritor famoso. A ligação de Martin com a família Sempere diz respeito à Isabela, mãe de Daniel. A trama se passa muito tempo antes dos fatos narrados em A Sombra do Vento. Achei O Jogo do Anjo, o livro mais sombrio de toda a saga com uma história densa e tensa, além de muito sombria e com elementos sobrenaturais. Cara, me emocionei com a história de Isabela. Mas me emocionei mesmo. O livro mostra todo o seu passado e como ela veio conhecer o seu futuro esposo, o Sr. Sempere.

Carlos Ruiz Zafón
Já em O Prisioneiro do Céu (2011), avançamos várias décadas e encontramos Daniel no ano de 1957 saindo da adolescência e entrando na  vida adulta. Trata-se de uma trama reveladora, onde o personagem irá descobrir alguns fatos perturbadores envolvendo sua mãe. Neste volume, Zafón deu um grande destaque para Fermin Romero, fiel companheiro de Daniel que o ajudou a investigar o intrigado caso envolvendo Julian Carax. Ele tem o seu passado exposto e com isso, importantes segredos durante a sua passagem pela prisão do Castelo de Montjuic são revelados. A obra que conta, também, novamente, com o retorno do escritor maldito David Martin faz ligação direta com A Sombra do Vento e O Jogo do Anjo. Podemos dizer que funciona como uma ponte unindo esses dois livros, utilizando para isso um personagem muito sombrio chamado Maurício Valls, um agente do governo que administra a prisão onde Fermin se encontra.

E por fim, em O Labirinto dos Espíritos (2017), que se passa em 1959,  Zafon introduz uma nova personagem, a investigadora Alicia Gris, cuja missão é solucionar o desaparecimento do ministro Mauricio Valls. Esta investigação revelará muitos segredos escondidos e unirá as quatro narrativas.

Portanto, recomendo iniciar a leitura por ordem cronológica dos acontecimentos narrados e não pela ordem de lançamento dos livros. O ideal é começarmos pela base da pirâmide: O Jogo do Anjo; na sequência, A Sombra do Vento; depois, O Prisioneiro do Céu e por último, O Labirinto dos Espíritos.

Amei os quatro livros, daí não poderia deixar de recomendar a saga para todas as pessoas que seguem esse blog. São poucos os personagens de livros com o poder de permanecerem guardados em nossa memória para sempre; aqueles que fazem parte do contexto de “O Cemitério dos Livros Esquecidos” tem esse dom.

Leiam, vocês irão adorar.

 

 

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