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09/10/2021

Oito livros de Stephen King que viraram filmes de grande sucesso

 

É do conhecimento de todos os fãs de Stephen King que o mestre do terror teve vários livros transformados em verdadeiras bombas nos cinemas. Filmes horríveis e que devem ter deixado o autor P. da Vida com os responsáveis por tais ‘ojerizas’. Por outro lado, não podemos negar que fomos brindados, também, com verdadeiras joias raras e lapidadas, ou seja, adaptações cinematográficas fantásticas à altura de seus livros.

Nesta postagem escolhi oito livraços escritos por King que foram adaptados para os cinemas com todo o esmero rendendo filmes de qualidade e elogiados, tanto pela crítica quanto pelo a eles:

01 – O Iluminado

Abro a nossa lista com o livro que gerou um filme muito curioso que estourou nas bilheterias e agradou em cheio os cinéfilos. Curioso por quê? Eu respondo. A adaptação para as telonas de O Iluminado em 1980, apesar de ser considerado um clássico do cinema de terror e adorado por críticos e cinéfilos, foi odiado por Stephen King. Tão odiado que, em 1997, o autor decidiu produzir uma minissérie para a TV que seguiu à risca a história de seu livro. King achou que o diretor Stanley Kubrick ‘gag...’ em sua obra. 

Pois é, independentemente dessa divergência, o filme de 1980 foi considerado uma das melhores obras de terror de todos os tempos.

O Iluminado acompanha a história de Jack Torrance um escritor e alcoólatra que é contratado para tomar conta de um hotel gigante rodeado de muita neve e que só abre as portas para clientes no verão. Jack se muda para o hotel desabitado com sua esposa e filho. O trabalho no hotel assombrado deixa Jack perturbado da cabeça até coisas bem estranhas começarem a acontecer.

02 – O Corpo

O filme “Conta Comigo” lançado nos cinemas em 1986 foi inspirado no conto O Corpo de Stephen King, publicado na coletânea As Quatro Estações, o qual também continha a história que deu origem a um outro sucesso cinematográfico: “Um Sonho de Liberdade”. Cada conto representava uma estação, e a história de onde “Conta Comigo”  foi retirado era o Outono da Inocência. O livro estourou em vendas em vários países o que certamente apressou uma adaptação para os cinemas.

Ao contrário do que aconteceu com O Iluminado, Stephen King elogiou muito a adaptação de O Corpo que narra a trajetória de quatro amigos que decidem procurar por um corpo, apenas pela curiosidade infantil, mas acabam passando por eventos que mudam completamente suas vidas. O filme serviu de inspiração para a criação de uma série de TV de enorme sucesso: “Stranger Things”.

A produção cinematográfica custou 8 milhões de dólares e rendeu 52 milhões de dólares, ficando em 2º lugar na arrecadação de bilheteria durante um bom tempo.

03 – Rita Hayworth e a Redenção de Shawshank

Mais um filme baseado num conto escrito por Stephen King que faz parte da coletânea As QuatroEstações. Neste livro, quatro diferentes contos são relatados. Na primeira parte da obra – Primavera Eterna – somos apresentados ao conto Rita Hayworth e a Redenção de Shawshankque nos cinemas brasileiros virou “Um Sonho de Liberdade”.

Dirigido e roteirizado por Frank Darabont, o filme de 1994 relata as experiências de um ex-banqueiro na prisão de Shawshank depois de ser preso por um assassinato que não cometeu.

Estrelado por Tim Robbins e Morgan Freeman, o filme tece diversas críticas e reflexões ao sistema carcerário ao trazer uma história delicada e ao mesmo tempo brutal. Considerado por diversos críticos como um dos melhores filmes de todos os tempos, o longa bombou em audiência nas telonas de todo o mundo.

04 – A Espera de Um Milagre

Filmaço! Já assisti várias vezes e pretendo assistir outras várias. Produção que foi um grande sucesso de público e crítica nas telonas.

Baseado num dos livros de grande prestigio de Stephen King, o filme lançado em 1999 conta a história de John Coffey (Michael Clarke Duncan), um homem capaz de absorver dores, mazelas, doenças e sensações de outras pessoas de maneira estranha e inexplicável.

O rapaz é condenado à morte por um crime que não cometeu, e sua história é inspirada em um caso real de um garoto de 14 anos sentenciado à cadeira elétrica injustamente.

A história escrita por King oi originalmente lançada em seis volumes, intitulados O Corredor da Morte. Posteriormente, várias editoras relançaram o conteúdo num único volume com o título do filme.

O livro é narrado em primeira pessoa por Paul Edgecombe (interpretado por Tom Hanks no cinema), um idoso que vive em um asilo. Paul regressa em suas memórias e narra suas experiências como chefe dos guardas no corredor da morte da penitenciária de Cold Mountain durante a Grande Depressão, onde conheceu John Coffey.

05 – It: A Coisa

Vários fãs do mestre do terror consideram It (A Coisa) o seu livro mais assustador. Concordo. A leitura nos deixa tensos. Sei lá, é um tipo de história que incomoda.

Os dois filmes baseados no livro também apresentam o mesmo clima. “It: Uma Obra-Prima do Medo”, lançado em 1990, inicialmente como uma série norte-americana de TV e posteriormente como um telefilme, apesar dos efeitos toscos, foi bem recebida pelos cinéfilos. Já “It” que chegou às telonas em duas partes – 2017 e 2019 – teve efeitos especiais de última geração. A produção que foi aguardada com muita expectativa por leitores e cinéfilos não decepcionou.

Ambos os filmes de 2017 e 2019 foram dirigidos por Andy Muschietti e adaptados pelos roteiristas, Chase Palmer, Cary Joji Fukunaga e Gary Dauberman.

King narra a história de um grupo de crianças que se une para investigar o misterioso desaparecimento de vários jovens em sua cidade. Eles descobrem que o culpado é Pennywise, um palhaço sobrenatural e cruel que se alimenta de seus medos e cuja violência teve origem há vários séculos.

Já adultos, eles devem se reunir novamente para enfrentar, mais uma vez, o terrível palhaço que retorna com sede de sangue e vingança.

06 – Carrie: A Estranha

Carrie:A Estranha foi o primeiro grande sucesso da carreira de Stephen King e teve, até agora, quatro versões cinematográficas (1976, 1990, 2002 e 2013). A primeira, de 1976, foi a melhor de todas e ganhou o status de antológica. O filme dirigido por Brian De Palma e estrelado por Sissy Spacek e John Travolta é impressionante; tão forte quanto o próprio livro escrito por King.

Nesta adaptação do romance de King, a quieta e sensível adolescente Carrie White enfrenta insultos dos colegas na escola e abuso em casa de sua mãe, uma fanática religiosa. Quando estranhos acontecimentos começam a acontecer em torno de Carrie, ela suspeita que tem poderes sobrenaturais. Convidada para o baile da escola pelo autoritário Tommy Ross, Carrie tenta relaxar, mas as coisas tomam um rumo sombrio e violento.

07 – Christine

Clássico dos cinemas nos anos 80 que meteu um medo danado em todos os cinéfilos daquela geração. O roteiro que chegou aos cinemas em 1983 é bem fiel ao livro escrito pelo mestre do terror, lançado no mesmo ano da produção cinematográfica.

Christinetraz o dia a dia do personagem Arnie Cunnigham, um jovem que sofre com a indiferença das garotas, a gozação dos amigos do colégio e com a baixa autoestima. Bem... isso, até o momento em que surge em sua vida um carro modelo Plymouth Fury 1958. Já sabe qual é o nome da máquina, né? A partir desse estranho relacionamento, Cunnigham vai transformando a sua personalidade aos poucos e passa a desfrutar da liberdade com uma força sobrenatural, iniciando a sua saga maligna ao volante, deixando um rastro de sangue por onde passa!

Christine que parece ter vida própria começa a exercer uma influência sinistra na vida de Cunnigham como se fosse uma “pessoa” ciumenta e maléfica. Nos cinemas brasileiros a trama ganhou o nome de “Christine – O Carro Assassino”.

08 - A Hora da Zona Morta

Filme de 1983 que recebeu rasgados elogios de críticos e espectadores. Nesta adaptação homônima do livro de King, roteirizado por Jeffrey Boam e dirigido por David Cronenberg, um professor de literatura que estava prestes a se casar, sofre um acidente de carro e fica cinco anos em coma. Ao retomar à consciência, descobre que perdeu sua carreira e sua noiva, mas em compensação ganhou poderes paranormais que o permitem prever o futuro. Assim, ele tem o poder de alterar o curso dos acontecimentos e este é o seu dilema: interferir ou sofrer sozinho, sabendo das tragédias que estão por acontecer.

Em uma dessas “visões” ele prevê um evento avassalador quando entra em contato com uma personalidade da política local, o futuro presidente dos Estados Unidos.

É isso aí galera, espero que tenham gostado das sugestões. Aconselho ler e assistir aos oito livros e filmes. Com certeza, vocês irão gostar.

29/08/2021

Mestre do crime também? Stephen King lança seu novo livro: Billy Summers

Eu como grande fã de Stephen King estou contando nos dedos a chegada do dia 29 de setembro. E se você também curte de maneira incondicional os livros do mestre do terror, com certeza, já “matou” o motivo dessa minha ansiedade. Tá na cara que tanta expectativa diz respeito ao novo livro que o autor estará lançando no finalzinho de setembro.

Billy Summers mostra um King se aventurando, novamente, num gênero diferente do qual está acostumado, bem distante do chamado “terror gela ossos” do qual pode ser considerado o mestre dos mestres. Desta vez, ele se envereda nas teias de um thriller noir. Um motivo a mais para que o meu interesse pela obra fique ainda mais latente.

O livro conta a história de Billy Summers, um assassino de aluguel e um dos melhores atiradores do mundo. Mas ele tem um critério: só aceita o serviço se o alvo for realmente uma pessoa ruim.

Agora, Billy quer se aposentar, mas antes precisa realizar um último trabalho. Veterano da guerra no Iraque e um mágico quando se trata de desaparecer depois do crime, o hábil assassino tinha tudo planejado. Então, o que poderia dar errado? Basicamente tudo.

Quando Billy se acomoda em uma cidadezinha do interior, disfarçado como um escritor tentando superar um bloqueio criativo enquanto espera seu alvo ser transferido para julgamento, ele não imagina a trama de traições, perseguições e vingança que o aguarda.

A redenção é o tema central do romance. Billy sempre disse a si mesmo que só mata homens maus que merecem morrer, mas, quando começa a ter dúvidas sobre seu último trabalho, ele se distrai escrevendo a história de sua vida.

Vale lembrar que King já havia mergulhado em thrillers noir e de detetive recentemente com a trilogia “Mr. Mercedes ”, “ The Outsider ” e “Depois”. E, cá entre nós, se saiu muito bem. Por isso, desconfio que além de mestre do terror, King já pode ser chamado de um dos mestres dos thrillers policiais. “Billy Summers” pode provar isso, já que as opiniões de leitores e críticos americanos e britânicos – a obra foi lançada nos States e no Reino Unido em 03 de agosto – estão sendo muito favoráveis.

Esperemos a chegada de 29 de setembro quando a Suma nos presenteará com esse diamante lapidado.

Inté galera!

 

 

 


04/06/2021

Depois

Rapaz! Stephen King tem algumas ‘tiradas’ homéricas e ao mesmo tempo hilariantes. Elas chegam quando você menos espera; naquele momento em que o romance ou conto de terror está perto do ápice, quando o leitor sabe que vai dar merd... na vida de algum personagem, então... King solta algo hilário que faz a galera estourar de rir. 

Acho importante essa quebra proposital no clima de suspense. Além de dar um tempo para o leitor respirar e principalmente se preparar para o ‘pega pra capa’ reservado para as próximas páginas, também funciona como uma pitada extra, um temperinho especial na história, deixando-a mais interessante. Foi assim em O Cemitério, A Coisa (It), Quatro Estações e agora, se repetiu em Depois, o mais novo lançamento do mestre do terror.

Imagine só... perto do ápice da história quando um sequestro está em andamento, eis que um dos personagens solta a pérola: “O aposento lá dentro estava tão preto quanto o cú de um gato preto”. Olha... me desculpa... não aguentei e soltei a gargalhada. Puxa vida King, assim não vale (rs).

Galera, deixando de lado a escuridão do tal aposento e a sua analogia com com um gato preto, o novo livro de King é fantástico. Li as suas 190 páginas numa tacada só.

Depoisfoge dos padrões ‘Kingnianos’. Sabemos que o mestre do terror gosta de escrever histórias longas que dão origem a livros com “milhares” de páginas. A Coisa (It) com suas 1.100 páginas é um bom exemplo disso. Então, King chega e de repente lança um livro com menos de 200 páginas; para ser exato, como já escrevi acima: 190 páginas.

Juro que fiquei um pouco na dúvida, pois fui “educado desde criança” (rs) a ler verdadeiros calhamaços escritos pelo autor. Então, na lata, surge um romance com a mesma quantidade de páginas de um conto. Fiquei desconfiado. Será que é bom? Será que ele conseguiu desenvolver os seus personagens e torna-los interessantes com apenas 190 páginas? Será que a história não teve um desfecho apressado? Galera, juro que eram tantos serás que eu já estava ficando um pouco descrente do livro, mas como sou fã incondicional de King, acabei comprando. E, adorei!

Uma história der terror muito bem escrita com personagens interessantes e bem desenvolvidos que, certamente, irão cativar as pessoas que ainda irão devorar a obra.

Depoisé uma história de terror, mas um terror ameno, acredito que o suspense tem até um peso maior do o próprio terror. É esse suspense que rola a partir de um sequestro e faz com que os leitores devorem as páginas num piscar de olhos. Simplesmente, você não consegue parar de ler porque quer saber desesperadamente o destino de alguns personagens.

Olha, o livro é muito bom para que eu o estrague com spoilers por isso, quanto menos falar escrever, melhor. O que posso dizer sem estragar as surpresas da história é que em Depois, o autor narra a história de James Conklin, uma criança nada comum: ele vê gente morta. Não sabe com qual frequência essas visões acontecem, afinal, os mortos em geral se parecem com os vivos. Exceto pelo fato de que eles ficam para sempre com as roupas em que morreram, e são incapazes de mentir.

Sua mãe implora para que ele mantenha essa habilidade em segredo, o que não é problema na maior parte do tempo. Pelo menos até Liz Dutton, a companheira de sua mãe e detetive do Departamento de Polícia de Nova York, aparecer na saída da escola e anunciar que precisa de ajuda.

É assim que Jamie embarca em uma corrida para desvendar o último segredo de um falecido terrorista.

Não posso escrever mais do que isso, pois caso contrário, corro o risco de estragar a trama com spoilers, o que seria um grande pecado já que Depois é muito, mas muito bom. Sem contar que o leitor ainda leva de brinde aquela tirada do gato preto. Ahahahahah! Rindo novamente; não posso lembrar daquilo.

Valeu pessoal!

13/03/2021

Tudo é Eventual

Desculpem galera. Fuji um pouco do tempo habitual de postagem nesta semana por causa de uma baita crise hemorroidária. Daquelas que você pensa que está parindo por trás com direito a sangue, dores e gritos. E olha que não estou mentindo. Somando-se a isso, um dos meus colegas de trabalho teve que ficar de quarentena por causa do filho que estava com suspeita de Covid-19. Resultado: apesar das dores cruciais tive que dobrar a minha carga de trabalho para cobrir a função desse colega. Confesso que ao chegar em casa vestido com absorvente Dia/Noite e com dores (só quem tem sabe que eu não estou mentindo) não tinha uma gota de ânimo para escrever meia linha sequer e malemá fazer a minha leitura de início de noite.

Cara, o que você acha dessa equação matemática: hemorroidas de 2º grau triscando no 3º (em crise) + síndrome do Intestino Irritável (ora ressecado, ora diarreico, no atual estágio diarreico) = dor, muuuuita dor!

Por isso, esperei dar uma amenizada no atual “quadro político da coisa” para escrever a postagem de um livro que terminei recentemente e gostei muito. Belê? Então, sem mais delongas vamos a ela.

Parece cena de faroeste: dois pistoleiros prontos para o duelo. Senti isso, toda vez que ia ao WC

Se você quiser ler um King eclético e não só um King que escreva terror, Tudo é Eventual é o livro certo. Tem absolutamente de tudo nos 14 contos que compõem a obra: suspense, humor negro, ficção científica e claro – como não poderia faltar – muito terror. Confesso que achei interessante e até mesmo gratificante conhecer esse outro lado de Stephen King e quer saber?... Ele se saiu muuuuito bem fora de sua praia como fica evidente nos contos: “A Morte de Jack Hamilton”, “Na Câmara da Morte”, “Almoço no Café Gotham” e “Tudo é Eventual”. Estas histórias fogem do gênero terror e nem por isso deixam de ser interessantes o que prova que autor é, de fato, um gênio da escrita capaz de ‘casar e combinar’ com qualquer gênero literário até mesmo – pasmem! - ficção científica. E por falar nesse gênero literário, adorei Tudo é Eventual, história que dá título à coletânea lançada, por aqui, pela editora Objetiva em 2002.

Mas não pensem que o autor se esqueceu ou amenizou aquilo que ele sabe fazer de melhor: botar medo, muito medo nos outros, não. Os três contos de terror de Tudo é Eventual– “As Irmãzinhas de Eluria”, “1.408” e principalmente “O Vírus da Estrada vai para o Norte” mostram para o que o vieram: aterrorizar, principalmente esse último que deixa o leitor incomodado, ainda mais se ele decidir ler a história a noite. Achei o conto tão horripilante que decidi até mesmo dedicar um post exclusivo a ele (ver aqui). “As Irmãzinhas de Eluria” que narram os eventos que antecedem “O Pistoleiro”, volume 1 da saga “A Torre Negra” e “1.408” – foi adaptado para o cinema em 2007 com John Cusak e Samuel L. Jackson – também não negam fogo.

Gostei também das histórias de humor negro: “Sala de Autópsia 4”, “Almoço no Café Gotham”, “Andando na Bala” e “O Homem de Terno Preto”, esse, muitos classificam como uma história de terror mas na minha opinião entendi como sendo humor negro. “Sala de Autópsia 4” tem trechos impagáveis onde o leitor não sabe se ri ou se arrepia. O momento em que a médica legista segura o órgão genital do suposto cadáver e descobre algo inesperado é hilário. Só mesmo King para saber dosar humor e terror na medida certa.

De um modo geral apreciei os 14 contos, mas se me pedissem para enumerar aqueles que eu achei mais fracos ficaria com “A Teoria de L.T. sobre Animais de Estimação”, “Tudo o que você ama lhe será arrebatado” e “A Moeda da Sorte”. Gosto de finais em aberto, mas o “The End” de “A Teoria de L.T... ficou muito estranho, aberto demais. Quanto a “Tudo o que você ama lhe será arrebatado” e “A Moeda da Sorte”, achei lento demais: sem terror, mistério, suspense, sei lá, achei insosso.  Mesmo assim, os três são passáveis.

Como saldo final posso dizer que recomendo a leitura, pois a maior parte dos contos, com certeza, irão prender a atenção dos leitores. Confiram um breve resumo das histórias sem spoilers.

01 – Sala de autópsia 4

Um corretor de imóveis por algum motivo (vocês ficarão sabendo ao ler a história) acorda numa mesa de autopsia.  Seus únicos companheiros na sala são uma médica e dois auxiliares. Ele tenta falar, mas apenas seus olhos – e, ainda, sem conseguir mexe-los - conseguem passar alguma informação. O pânico começa a tomar conta do seu corpo e mente, principalmente quando percebe a quantidade de utensílios cirúrgicos que estão ao seu lado prontos para rasgar seu corpo.  

02 – O homem de terno preto

Neste conto um homem já idoso narra seu encontro extraordinário, quando garoto, com um homem sinistro e misterioso que usava um terno preto. O encontro aconteceu à beira do rio Castle e marcou a vida desse homem para sempre.

03 – Tudo o que você ama lhe será arrebatado

Um homem se encontra perante um bizarro dilema: se matar ou publicar sua coletânea de anotações de frases escritas em banheiros públicos. Neste conto que não tem nada a ver com horror, King mostra como a rotina excessiva também pode ser prejudicial e afetar a cabeça de algumas pessoas.

04 – A morte de Jack Hamilton

Conto escrito em primeira pessoa a partir da visão de um membro da gang de John Dillinger. Narra a história real dos últimos dias de Jack Hamilton, amigo inseparável de Dillinger. Num estilo de filme de gangster com muitos tiros e perseguições, Dillinger  e sua gang fogem da polícia. Durante uma fuga, Jack acaba levando um tiro e a partir deste momento, sua última semana de vida é narrada, incluindo muito sangue.

05 – Na câmara da morte

Um repórter do New York Times, chamado Fletcher acusado de ajudar um líder comunista muito influente acaba sendo capturado pelo governo de um país fictício (apesar de King não citar o nome, tudo leva a crer ser um País da América Latina). Ele acaba acordando em uma sala de interrogatório, com 4 pessoas. Para conseguir respostas ele é torturado com vários choques, até que o prisioneiro resolve tomar uma atitude por demais inusitada. Um dos contos mais violentos do livro. Apesar de não ter sido o meu preferido, gostei muito.

06 – As Irmãzinhas de Eluria

Embora não tenha lido a saga A Torre Negra e consequentemente pouco familiarizado com o personagem Roland Deschain e sua busca pela referida torre, gostei muuuito dessa história que se passa antes do volume 01 da Torre chamado “O Pistoleiro”.  Aliás, “As Irmãzinhas de Eluruia” é uma história independente da saga e pode ser compreendida sem nenhum problema por quem não leu os livros da série. Nela, o pistoleiro Roland, após ser atacado por um grupo de mutantes vai parar num hospital e passa a ser cuidado por seis estranhas irmãs vestidas de branco. Detalhe: cada noite, um paciente desaparece misteriosamente da enfermaria. Então, Roland descobre um terrível e macabro segredo. 

07 – Tudo é eventual

Neste conto que dá título ao livro, um adolescente consegue seu primeiro emprego. Vai ter que morar longe da mãe, mas, pensando bem, isso não chega a ser um problema. Ele só precisa navegar pela Internet e ter que gastar cada centavo da bolada que recebe semanalmente. Tudo parece bom demais para ser verdade, até que ele passa a desconfiar desse emprego. Quando quer sair, percebe ser tarde demais.

08 – A Teoria de L.T. sobre animais de estimação

Achei um dos mais fracos da coletânea, juntamente com “Tudo o que você ama lhe será arrebatado” e “A Moeda da Sorte”. O enredo arrastado com um final chocho não me agradou. Após vários desentendimentos, uma mulher abandona o marido e leva consigo o cachorro de estimação, deixando com ele apenas o gato. Vale lembrar que ela não nutria nenhuma simpatia pelo bichano. O homem tenta entender o motivo do abandono e sai à  procura da ex-esposa. É nesse momento que descobre algo terrível. 

09 – O vírus da estrada segue para o Norte

PQP! Que cagaço! Suei as bicas e só faltei deixar uma mancha na calça quando li esse conto. Impressiona demais! Aliás, me impressionou tanto que acabei criando um post somente para ele (ver aqui).

Um escritor famoso de histórias de terror acaba comprando um quadro maldito que retrata um jovem demoníaco com dentes pontudos – parecendo um canibal - atrás do volante de um carro possante cruzando uma ponte. O nome da “arte” é “o vírus da estrada vai para o norte”.  Tudo seria normal se a imagem do canibal não começasse a mudar de lugar no quadro, com frequência, dando a impressão de estar perseguindo o escritor. Brrrrr! 

10 – Almoço no Café Gotham

Humor negro da melhor qualidade. Steve Davis chega em sua casa um certo dia e descobre que sua mulher, Diana, o abandonou, pedindo divórcio. Os dias que se seguem são extremamente estressantes e tristes para ele. O advogado de Diana marca uma reunião no Café Gotham, um restaurante, para discutirem as questões do divórcio. Mesmo após Steve descobrir que o seu advogado não poderia ir, ele resolve ir mesmo assim, apenas para ver Diana novamente. Então entra em ação um estranho garçom que acabar provocando um verdadeiro pandemônio.

11 – Você só pode dizer o nome daquela sensação em francês

Conto razoável, mas sabemos que o razoável na “Medida King” é considerado bem acima da média. O escritor conta a história de uma mulher casada com um grande chefe de uma indústria de softwares chamado Bill (provavelmente uma citação ou homenagem a Bill Gates) em uma viagem de segunda lua-de-mel. A esposa de Bill (cujo nome não é dito no conto) tem constantes Déjà Vu, sensação em que a pessoa sente já ter presenciado um determinado evento. Porém, a vida dela continua se repetindo indefinidamente entre o momento que ela e o marido estão no avião e o momento em que estão de carro chegando na casa alugada aonde passarão as férias. Prestem atenção no final aberto, mas nem tanto.

12 – 1.408

Vicheeee!! Este é outro conto assustador e que mete medo. Mike Enslin é um escritor de obras de não ficção baseadas no tema de lugares assombrados: “Dez Noites em Dez Casas Assombradas”, “Dez Noites em Dez Cemitérios Assombrados” e por aí afora. Nada o assusta até o dia em que ele decide desafiar o quarto de nº 1.408 de um hotel famoso em Nova York. O gerente do hotel alerta o escritor do perigo que irá enfrentar e pede para que mude de ideia pois todos aqueles que resolveram passar uma noite no quarto se suicidaram, enlouqueceram ou ficaram muito doentes. Advinha se Mike Enslin seguiu os conselhos do gerente. Pois é, terá de arcar com as consequências.

13 – Andando na bala

Alan Parker está na universidade quando recebe o telefonema de uma vizinha de sua mãe dizendo que a mesma sofrera um derrame e encontra-se no hospital. Na expectativa de ver a mãe o mais rápido possível, o jovem  resolve cair na estrada na esperança de conseguir uma carona, já que o seu carro está quebrado. Numa noite de lua cheia ele consegue uma carona com um motorista sinistro e muito estranho. Alan jamais esquecerá essa carona.

14 – Moeda da sorte

Acho que é o conto mais curto do livro e também o mais fraco. Uma camareira de hotel de beira de estrada vê sua sorte mudar ao ganhar de um hóspede uma moeda que lhe traz muita sorte e muito dinheiro, mas ela descobre que nem tudo é um mar de rosas em sua vida, apesar da moeda da sorte. Um conto bem melancólico e sem elementos de terror.

Ah! Tem mais; antes ou depois de cada conto, King explica como surgiu a inspiração para escrevê-lo. Achei uma sacada muito legal porque o leitor passa a conhecer como foi grande parte do processo de criação dos contos.

Inté!

19/03/2020

Doutor Sono


Demorei pouco mais de cinco anos para ler Doutor Sono de Stephen King e nesse intervalo de tempo, quase acabei desistindo. Já disse, aqui, no blog que detesto continuações de livros considerados clássicos, daqueles que são tão bons, mas tão bons que não merecem ser estragados com uma continuação. Eles tiveram um início-meio-fim tão perfeitos que devem ser colocados na galeria das obras antológicas e ficarem por alí, quietinhos.
Tivemos exemplos desastrosos de autores e co-autores que insistiram em prosseguir com um enredo que já estava fechado de forma brilhante e acabaram se dando muito mal. Entre tantas obras perfeitas que ficaram manchadas por culpa de uma sequência desastrosa estão O Chefão, E O Vento Levou e O Reversoda Medalha. As malfadadas continuidades A Volta do Poderoso Chefão, Scarlett e A Senhora do Jogo estão aí e não me deixam mentir.
Por isso quando King anunciou a sequencialização de O Iluminado – considerado por muitos leitores e críticos como a sua grande obra – juro que não me senti nem um pouco atraído. Afinal, já tinha devorado e amado O Iluminado e isso, já me bastava.
King foi muito feliz no fechamento de seu clássico, amarrando todos os fios que ainda estavam soltos. Um final que me satisfez. Então, vem o anuncio de que o autor iria contar a história de Danny Torrance, agora adulto. Confesso que ao ver a sinopse fornecida pela editora fiquei desinteressado, mas então vi o livro numa promoção e acabei comprando com o seguinte pensamento: “Vou ler as primeiras páginas, se perceber que o enredo original está sendo deturpado, paro de ler e pronto”.
Quer saber o que aconteceu? Acabei queimando a língua. Cara, o livro é muito bom! Dizer que é melhor do que O Iluminado seria um exagero, mas posso afirmar que a continuação da história de Dan Torrance está à altura do enredo original.
Ao escrever Doutor Sono, King criou uma história que não precisa usar O Iluminado como muletas. Doutor Sono é um outro livro, uma outra história, narrando a saga de Danny, agora adulto, depois do terrível acidente envolvendo o Overlook Hotel, ou seja, King não tenta mexer, mudar ou criar teorias e suposições no enredo de O Iluminado. O que ele escreveu em 1977 está sagrado e sacramentado. Não precisa mudar nada. O que ele faz em Doutor Sono, de forma magistral, é trazer novamente o personagem Dick Hallorann para uma breve participação, como mentor de um Danny ainda criança que após toda a muvuca no Overllok, ainda sofre com terríveis pesadelos envolvendo aquela ‘tchurma’ de fantasmas da pesada que moravam no sinistro hotel que voou para os ares após a explosão de uma caldeira. É muito bom ver a volta de Dick. Putz... e como é bom. Ele foi um dos personagens que mais curti em O Iluminado.
Dick aparece apenas nas oito páginas iniciais de Doutor Sono; depois só volta a ser mencionado no meio do livro. Mas a sua pequena aparição, como já disse, vale muito a pena.
King não perde tempo em encher linguiça com os eventos que aconteceram imediatamente depois da explosão do Overlook Hotel, mesmo porque tudo o que precisava ser dito já foi explicado nos últimos capítulos de O Iluminado. Nas oito páginas iniciais da obra, o autor já arremata a história do Danny “criança” Para mergulhar de cabeça no enredo do Danny “adulto”. Provando que é um dos melhores escritores do gênero nos últimos tempos, essas poucas páginas do capítulo chamado “O Cofre” terão uma estreita relação com os capítulos finais quando acontece o tão esperado embate envolvendo as forças do bem e do mal.
Posso garantir que o Dan “adulto” é tão complexo e interessante quanto o Dan “criança”.  Aliás, King conseguiu criar dois personagens – Danny e Abra – muito carismáticos, à sua maneira: Dan, um alcóolatra que luta para largar o vício e Abra, uma criança com um gênio de cão, mas ao mesmo tempo com um coração enorme. Acredito que a galera irá curtir os dois e torcer muito por eles.
Os acontecimentos de Doutor Sono rolam trinta anos depois da terrível experiência vivida por Danny no Overlook Hotel. King dá continuidade a essa história contando a vida de Dan, agora um homem de meia-idade, e Abra Stone, uma menina de doze anos com um grande poder. Seus destinos se cruzam com uma tribo chamada “Verdadeiro Nó”, que viaja em trailers pelas rodovias da América. Eles parecem inofensivos – em sua maioria idosos, com roupas fora de moda, vivendo como nômades. A líder da tribo se chama “Rose Cartola” por causa de uma misteriosa cartola que usa num ângulo sempre torto, a qual nunca cai. Ela tem grandes poderes telepáticos, a exemplo dos outros integrantes da misteriosa tribo.
Dan e Abra descobrem que o Verdadeiro Nó é um grupo quase imortal, que se alimenta do vapor exalado por crianças iluminadas quando são lentamente torturadas até a morte.
Apesar das suas mais de 480 páginas, li Doutor Sono em quatro dias por causa do seu enredo tenso que faz com que o leitor queira saber imediatamente o que irá acontecer com Dan ou Abra nas próximas páginas. Os capítulos finais, entonce...  a tensão passa a ser dobrada. O embate telepático entre as forças representando o bem e o mal é muito tenso, cara. O leitor fica com coração nas mãos.
Livraço!

16/03/2020

Trocas Macabras: o livro de Stephen King anunciado pela Suma há quase dois anos, mas até agora... nada

Edição rara lançada em 1992
Galera, tentem digitar “Suma Trocas Macabras” no Google. Vai lá e vejam o que acontece. Fiz isso ontem, anteontem, antes de anteontem, há um mês, dois meses e quer saber qual foi a postagem mais recente sobre o assunto que surgiu no “Santo Google”? Do ano de 2018, de maio ou junho, acho. Isto significa que há quase dois anos a editora Suma – recentemente adquirida pelo grupo Companhia das Letras – não dá nenhuma informação sobre o tão prometido relançamento de Trocas Macabras que fará parte da coleção “Biblioteca Stephen King” que ao que parece, por sua vez, deu uma bela encalhada.
Vamos aos fatos. No dia 15 de maio de 2018, numa sexta-feira, a Suma anunciou em seu newsletter Nerds, que os próximos volumes da “Biblioteca Stephen King”, seriam Trocas Macabras e A Metade Negra. Pois é, o segundo chegou em março de 2019, quanto ao primeiro, nem sinal. Se formos colocar na ponta do lápis, já se passaram quase um ano e 10 meses do anuncio da vinda de Trocas Macabras. Com certeza, dentro de poucas semanas iremos completar dois anos de falsa esperança.

Acredito que a Suma foi com muita sede ao pote. Na minha opinião deveria ter anunciado apenas a publicação de A Metade Negra e já estaria de bom tamanho, aliás, de muito bom tamanho, mas a editora não se conteve e acabou prometendo algo que não foi cumprido num prazo de quase dois anos. Desculpe-me a sinceridade, mas na minha opinião quando uma editora promete o lançamento de um livro, ele tem que sair do prelo num período de seis meses ou um ano, já ‘estourando o que já estourado’, caso contrário o leitor ficará desestimulado com o tal lançamento e pior... a editora corre o risco de perder parte de sua credibilidade quando for anunciar a publicação de outros livros.
Desta vez a Suma pipocou. Sua jogada de marketing não deu certo. Como já disse: foi com muita sede ao pote.

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