12/05/2014
Uma nova página à ser aberta ou... uma nova sessão à ser iniciada
Com certeza os internautas que acompanham e seguem blogs literários gostam de ficar inteirados sobre os lançamentos e pré-lançamentos de livros que – para sermos sinceros – acontecem quase que diariamente. Se bem que a qualidade das obras, muitas vezes é um ‘pé no saco’. Triste né galera? Aumentou a demanda do produto, mas por outro lado, a qualidade diminuiu... e muito!
Para seguir a ‘tendência da moda’ dos blogs do gênero, a partir de hoje, estou lançando uma nova sessão ou abrindo uma nova página no Livros e Opinião: “O Que Vem por Aí (lançamentos literários)”. Neste espaço estarei postando os livros que serão lançados brevemente; sabem, aquelas obras que entram na fase de pré-venda e outras que irão demorar um pouco mais para chegar ao prelo; mas virão.
Quase sempre não irei comentar as obras, mesmo porque se elas ainda não foram lançadas, não terei condições de analisá-las, é obvio (rs). Nestes casos, publicarei apenas as resenhas das editoras, o que também é óbvio, estarão puxando o saco prá caramba de suas ‘crias’; o que é normal. Ãhhh... por acaso, você já viu alguma mãe falar mau, publicamente, dos seus filhos? Pois é, com as editoras é a mesma coisa. Pense numa editora como aquela mãe super-protetora e depois, pense nos livros dessa editora como os seus filhos. Ãhhh... e que ainda por cima estão sendo gerados! Bem guardadinhos no ventre, quer dizer, no prelo!! Cara! Não tem como falar mal. Mas tudo bem, não vou basear-me apenas na opinião das editoras, procurarei pesquisar, o ponto de vista da crítica especializada de outros países – para não falar a Terra do Tio Sam onde tudo por lá chega antes. Que coisa!! – onde o livro já ‘desembarcou’.
Beleza? Espero que apreciem essa nova sessão do blog. A minha intenção é apresentar várias opções literárias para todos que seguem o ‘Livros e Opinião’. Quanto a escolha da melhor opção caberá à vocês.
Super abraço e bom início de semana!
09/05/2014
O Jogo do Exterminador
Cara, eu sempre acabava adiando a leitura de “O Jogo do Exterminador”. Quando pensava em adquirir o livro, já ‘batia’ um certo desânimo e pimba! Deixa o livro de Orson Scott Card pra lá. O motivo desse desânimo? Eu respondo: “as tão propaladas continuações da história que incluía “Orador dos Mortos”, “Xenocídio” e “Os Filhos da Mente”. Além de não me numa fase “Up” para encarar sagas literárias – tanto é verdade que um Box lacrado com os cinco livros das Crônicas Saxônicas de Bernard Cornwell encontra-se mofando em minha estante – as sequências de “O Jogo do Exterminador” não me atraíam. Pelas resenhas e resumos que havia lido pareciam ‘algo’ tosco, muito diferente do enredo que abre a saga. “Orador dos Mortos” acontece três mil anos no futuro dos fatos de “O Jogo do Exterminador” e traz o personagem principal, Ender Wiggin, eternamente jovem por causa de suas viagens interestelares. Tipo um Deus que nunca morre. Cara, confesso que é demais para o meu bom senso. Sei lá, não engolia essas continuações de “O Jogo do Exterminador” e assim, fui adiando, adiando e adiando a leitura, até que certo dia me deu um click: - “Não acredito que estou deixando de ler um livro por achar que as suas continuações não prestam?!”. Na mesma hora, acessei a Estante Virtual, escolhi um sebo e comprei o livro de Card. Juro que esqueci até mesmo a minha preguiça de encarar sagas, trilogias e séries. Tão logo recebi a obra pelo correio, comecei a ler e não me arrependi. Quer dizer... me arrependi sim. Arrependi de não ter lido o livro bem antes.
“O Jogo do Exterminador” é uma obra absurdamente fantástica e mereceu todos os prêmios que ganhou, incluindo o “Hugo” e o “Nebula”, as duas principais premiações literárias do gênero ficção científica.
E para aqueles que não pretendem ler o livro porque já assistiram ao filme, gostaria de alertar para não cometam esse sacrilégio porque as duas obras não se comparam. Enquanto o livro é fantasticamente fantástico, o filme é uma bomba! Na minha opinião, um dos piores roteiros adaptados para o cinema de todos os tempos.
Na produção cinematográfica de Gavin Hood e que conta com Harrison Ford e Asa Butterfield nos papéis principais, tudo é superficial e às pressas. Já no livro, Ender vai conquistando o respeito de seus colegas aos poucos – etapa por etapa – até se tornar um comandante de esquadra no qual todos confiam cegamente. No filme ele já chega abafando e em pouco tempo se torna o ‘rei da cocada preta’: sem sacrifícios, conflitos ou barreiras a serem vencidas.
O ponto forte no livro de Card é essa relação conflituosa vivida por Ender e a sua capacidade de resolver, da melhor maneira, esses conflitos apesar de ter apenas seis anos!! Parece que todos querem fud... o menino: o seu irmão Peter, a sua irmã Valentine (apesar de bem intencionada), seu pai, seus amigos, os chefões da escola de Combate Espacial e por aí vai. Mas no virar das páginas, Ender consegue tirar de letra tudo isso e de quebra faz com que essas pessoas passem a acreditar em sua capacidade, tornando-se respeitado por todos.
A leitura é de tirar o fôlego porque a cada capítulo, o garoto (acho que o termo criança caberia melhor) tem que provar que é capaz. Os desafios a serem superados são muitos, desde Bean, o recruta arrogante e auto-suficiente que não aceita receber ordens de ninguém, até o enigmático Alai que no início se torna um amigo inseparável de Ender, mas depois, por se julgar melhor do que o parceiro, acaba se afastando. Então, quando eles descobrem a facilidade que Ender tem em tomar decisões rápidas e ‘certeiras’, passam a admirá-lo. Alai chega a dar um beijo no amigo, cena que no filme foi substituída por um abraço.
Portanto, o ‘gostoso’ em “O Jogo do Exterminador” não são as cenas de guerra ou batalhas estelares, mas sim, a luta do personagem principal em se firmar num ambiente onde todos o vêem com desconfiança..
Card narra a história de uma criança de seis anos de idade que é recrutada para a escola de Combate Espacial. No futuro criado pelo autor, a humanidade está em guerra com uma raça de alienígenas que querem invadir a terra para super povoá-la. Numa dessas tentativas de invasão, quase que os alienígenas conseguem atingir o seu objetivo. Com muita dificuldade, o combate foi vencido, graças ao heroísmo de um comandante que conseguiu explodir a nave-mãe dos invasores e assim, desativar todo as outras naves menores. Desde então, o respeitado coronel Graff e as forças militares terrestres treinam as crianças mais talentosas do planeta desde pequenas, no intuito de prepará-las para um próximo ataque. Ender Wiggin, um garoto tímido e brilhante, é selecionado para fazer parte da elite. Na Escola da Guerra, ele aprende rapidamente a controlar as técnicas de combate, por causa de seu formidável senso de estratégia. Não demora para Graff considerá-lo a maior esperança das forças humanas.
Em certos momentos, “O Jogo do Exterminador” se torna uma leitura pesada, pois mostra o processo de brutalização imposto à crianças na Escola de Combate, onde são tratadas como qualquer recruta adulto.
Os trechos em que Card narra o treinamento dos garotos na Sala de Combate são primorosos. Não há como deixar de ‘engolir’ as páginas.
Enfim, como já disse uma leitura imperdível...
Ah! Esqueçam o filme.
04/05/2014
Os cinco livros mais importantes de Agatha Christie que eu li em minha puberdade
Agatha Mary Clarissa Christie, ou simplesmente, Agatha Christie. Esta tremenda escritora começou a fazer parte da minha vida durante a puberdade. Costumo dizer que comecei a ler as aventuras de Hercule Poirot e Miss Marple simultaneamente ao nascimento dos meus primeiros pêlos pubianos. E como curtia aquelas histórias! Admirava a inteligência, sagacidade e aquele ar de certa superioridade de Hercule Poirot. Também amava Miss Marple, aquela idosa solitária e solteirona metida a detetive amadora e que solucionava os mais intricados crimes. Enfim, esses dois personagens me acompanharam nesta fase de minha vida.
Tomei contato pela primeira vez com os livros de Christie por intermédio da minha bibliotecária. No final das aulas no período da manhã, como já era hábito passava na biblioteca da escola para dar uma fuçada nas estantes ‘forradas’ de livros. Certo dia, percebi que a bibliotecária, uma velhinha muito atenciosa, estava lendo um livro, cuja capa despertou a minha atenção. –“Dona Alice, a capa desse livro que a senhora está lendo é muito legal”. – “Você gostou?. Sou fã de Agatha Christie, venha aqui que eu vou mostrar alguns livros dela, talvez você também goste”. Pronto! E assim, eu com os meus primeiros pelinhos pubianos tinha sido iniciado no chamado “Universo Agatha Christie”.
Posso garantir que entre os muitos momentos maravilhosos que vivi na biblioteca da antiga Escola Industrial, a leitura das aventuras de Poirot e Temple foi um deles. Por isso hoje, resolvi homenagear essa escritora, escolhendo os cinco livros de sua autoria que marcaram a minha pré-adolescência.
01 – Assassinato no Expresso do Oriente
A minha iniciação a “La Agatha” começou com esse livro. E sorte minha que tinha uma bibliotecária à tiracolo, paciente à beça por perto, caso contrário encontraria algumas dificuldades para entender quem era o tal Hercule Poirot. Explico melhor: nesse livro, o famoso detetive é jogado sem nenhuma apresentação no enredo. Juro que fiquei meio perdidão quando vi Poirot ingressando no trem acompanhado de um policial. –“Dona Alice quem é Hercule Poirot??” Perguntei para a boa e saudosa velhinha. “- Ele é um detetive muito inteligente, talvez o mais inteligente de todos, capaz de solucionar os casos mais difíceis”. Bem, mais ou menos com essas palavras, fiquei sabendo quem era Poirot. E assim, mandei ver na leitura.
Posso dizer que foi “Assassinato no Expresso Oriente” que me estimulou a procurar outros livros da autora. A falta de apresentação de Poirot não atrapalha em nada a história que tem momentos muito tensos. Agatha escreve sobre um assassinato que ocorre num trem chamado Expresso do Oriente que está cheio de passageiros. Um americano é encontrado morto em sua cabina, com doze facadas, e com a porta estava trancada por dentro. Pistas falsas são colocadas no caminho de Hercule Poirot para tentar mantê-lo fora de cena, mas num dramático desenlace, ele apresenta não uma, mas duas soluções para o crime. Fantastic! Tornei-me um super-fã do detetive belga após ter lido esse livro.
02 – O Misterioso Caso de Styles
A leitura de “Assassinato no Expresso do Oriente” serviu de estímulo para prosseguir a leitura das obras de Agatha Christie. Queria conhecer mais detalhes sobre aquele detetive excêntrico e convencido de sua inteligência, mas de uma capacidade à toda prova. E nada melhor do que procurar o primeiro livro escrito pela autora inglesa para digamos... ficar mais íntimo de Poirot.
Tão logo conclui a leitura de “Assassinato no Expresso do Oriente”, entrei ‘voando’ na biblioteca e comecei a fuçar as estantes à procura de “O Misterioso Caso de Styles”. Ao perguntar para dona Alice se o livro estava emprestado, já que não o estava encontrando, ela respondeu que a escola não tinha aquela obra. Ao perceber a minha cara de frustrado, a boa velhinha acrescentou com aquele olhar de vovó matreira: - “A escola não tem, mas eu tenho...” Ehehehe... Adivinhem se ela não me emprestou o livro? E lá vai o novo fã de Poirot devorar as páginas do livro. “O Misterioso Caso Styles” começa quando uma aristocrata inglesa morre trancada em seu quarto, vítima de um aparente ataque cardíaco. A coisa ficaria por aí, não fosse a suspeita de envenenamento levantada pelo médico da família. E então, entra em cena com toda a sua perspicácia, inteligência e é claro... arrogância: Hercule Poirot.
Apesar de ter gostado bem mais do ritmo de “Assassinato no Expresso do Oriente”, não me decepcionei com o caso Styles; nem poderia, já que há uma boa dose de mistério para os fãs de histórias policiais onde o assassino só é descoberto no final do enredo, sem contar as inúmeras pistas falsas plantadas e que são desvendadas por Poirot.
Mas o que me interessou, de fato, no livro foi a oportunidade de conhecer um pouco mais (bem pouco, mas já deu pro gasto) a origem do detetive belga, dono de um famoso ‘bigodon’.
03 – Cai o Pano
Após ter lido vários livros onde Poirot elucidava os crimes mais complicados, eis que criei coragem para ler “Cai o Pano”. Passei a gostar tanto de Poirot que não tinha ‘colhões’ para encarar um livro que anunciava a morte do grande detetive, mas no meu aniversário, quando completei – se não me falhe a memória – 13 ou 14 anos, qual presente eu ganho? Se você respondeu: “Cai o Pano, acertou, é evidente!”. Quando dona Alice (cara, que saudades dela!!) chegou com aquele objeto quadrado e muito bem embrulhado, na mesma hora, soube que se tratava de um livro. Olha galera, até passou pela minha cabeça que poderia ser um livro de Agatha Christie, já que a minha bibliotecária sabia o quanto eu gostava das obras da conhecida escritora, principalmente as de Poirot, mas nunca imaginava que seria “Cai o Pano”.
Fazer o que, né? Não poderia fazer pouco caso de um presente daquela pessoa que me iniciou no “Universo Agatha”. E lá fui eu.
O livro segue as nuances dos anteriores, onde o verdadeiro assassino é revelado apenas perto do final da história, dando um trabalho danado para Poirot. Juro que pensei abandonar a obra no meio ou bem antes de seu final, tudo para não ver morrer aquele detetive que conquistou o meu respeito como leitor; mas criei coragem e acabei encarando essa difícil missão.
Muito depois, soube que Agatha Christie havia decidido ‘eliminar’ Hercule Poirot para que outros escritores não utilizassem o seu principal personagem após a sua morte. Tanto é que a escritora só permitiu que o livro fosse publicado quando ela ‘partisse dessa para melhor’.
04 – Assassinato na Casa do Pastor
Já havia ‘virado’ fã nº 01 de Agatha Christie, quando descobri que Hercule Poirot não havia sido a sua única criação. Existia mais alguém: uma velhinha danada de esperta chamada Jane Marple ou Miss Marple. Eu queria comparar os estilos de Marple e Poirot e nos meus delírios juvenis até imaginei vê-los trabalhando juntos num caso, mas depois soube que infelizmente não existia nenhum livro dessas duas ‘feras’ tentando solucionar um caso juntos.
No momento de escolher o meu primeiro livro sobre Miss Marple procurei não cometer o erro que já tinha cometido no passado ao ler as histórias de Poirot. Dessa forma, procurei pelo primeiro livro da personagem, aquele no qual, Christie apresentava Marple aos seus leitores. Novamente apelei para a “Santa Biblioteca” da escola e dessa vez, encontrei a obra que procurava. Gostei muito de “Assassinato na Casa do Pastor”. Li o livro ‘rapidinho’. Marple é totalmente o oposto de Poirot. Enquanto o detetive belga gosta de se vangloriar dos casos que soluciona ou então gabar-se de sua massa encefálica diferenciada; a senhorinha idosa é um poço de humildade e tem ojeriza de ficar enaltecendo a sua perspicácia. Miss Marple nem sequer é uma detetive profissional. Nada disso. Ela é vista, frequentemente, tricotando e tirando as ervas daninhas de seu jardim. Às vezes, é considerada confusa ou caduca, mas quando passa a resolver mistérios, mostra ter uma mente lógica e afiada, e um conhecimento incomparável da natureza humana com todas as suas fraquezas, forças, truques e excentricidades.
No livro, um rigoroso coronel é morto com um tiro na cabeça na casa de um pastor (dão o título do livro) e ao lado do corpo, o assassino deixa um misterioso bilhete. O crime torna-se praticamente insolúvel para a polícia da pequena aldeia de St. Marie Mead, então, Miss Marple decide investigar por conta própria, contando com a ajuda do pastor, e acaba encontrando sete suspeitos para o assassinato. O final, pra variar, surpreende.
Sei lá galera, mas os fãs de Marple não me levem a mal, mas achei a personagem um pouco mala no seu primeiro livro. Sabem aquelas velhinhas do tipo ranzinza, fofoqueira e que só pensa no pior? Foi assim que eu á vi.
Quando perguntei para dona Alice o que tinha achado da personagem, ela me disse: -“Leia esse outro e depois conversamos”. E me entregou: “Um Corpo na Biblioteca”, mas isso é assunto para o post aí debaixo..
05 – Um Corpo na Biblioteca
Este livro me ensinou uma lição e que lição. Foi através dele que cheguei a conclusão de que os piores crimes, os mais complicados sobraram para a boa velhinha descobrir. Cara, confesso que nos livros que li de Agatha Christie - e foram muitos – sempre cheguei perto e em algumas vezes até descobri ol assassino, mas em “Um Corpo na Biblioteca” a ‘coisa pegou’. Fui enganado duas vezes e cai como um pato na lagoa. Para!!!! Que qué isso!! Que final surpreendente!
Quanto a Miss Marple, esqueça aquele velhinha fofoqueira de “Assassinato na Casa do Pastor”; em “Um Corpo na Biblioteca” ela está muito mais simpática. Com isso cheguei a conclusão de que a minha ex-bibliotecária foi a maior especialista em livros de Agatha Christie; uma cicerone incomparável na indicação de livros da autora inglesa.
Galera é isso aí. Fui!
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