02/09/2017
Um Conto do Destino
Tá bem, eu confesso. Lutei com todas as minhas forças e energia, mas acabei perdendo esta batalha; e por goleada. Fiquei tão grogue com a surra que levei que estou resenhando a obra somente agora. Digo isto porque já li o livro há mais de dois anos; quero dizer... a metade do livro, já que não consegui encará-lo por inteiro.
Tentei vencer aquele calhamaço de mais de 700 páginas de “Um Conto do Destino”, mas miei. A obra de Matk Helprin é muito louca, mirabolante e extrapola os limites da surrealidade. Ela até começa bem, prendendo a sua atenção, mas depois...
O autor começa contando a história de um casal apaixonado, em seguida, quando menos se espera, ele dá um corte abrupto nessa história e já ‘pula’ para um outro contexto com novos personagens e ‘bota’ personagens nisso! Cara, são muitos e nenhum deles com carisma suficiente para ‘laçar’ a atenção do leitor. Algumas pessoas que conseguiram ler as 720 páginas do livro, disseram que esses personagens - que a principio não tem nenhuma relação com o tal casal do início da história – só começam a entrar no contexto perto do final. Sei lá se é verdade galera, preferi não esperar para conferir. Parei, mesmo, antes da metade.
Algumas situações criadas por Helprin chegam a atingir as raias do absurdo. Algo muito sem noção. Acredito que ele quis criar um enredo com toques de fantasia, mas no final a ‘coisa’ degringolou e acabou ficando, de fato, surreal.
“Um Conto do Destino” conta a história de Peter Lake, um exímio mecânico e também larápio, que em uma noite especialmente fria consegue invadir uma mansão que mais se parece uma fortaleza. Ele pensa que não há ninguém em casa, mas a filha do dono o surpreende em plena ação. Assim começa o romance entre um ladrão de meia-idade e uma moça chamada Beverly que tem pouco tempo de vida. A partir daí começam a pipocar as passagens estranhas na história como um gato que veste roupas, um cachorro de seis metros de altura conhecido como “Cão do Afeganistão” e outras excentricidades das quais não me lembro, pois já faz algum tempinho que li o livro.
Um dos motivos que me levou a comprar “Um Conto do Destino”, na época, foi a publicidade muito chamativa do filme com Colin Farrell baseado na obra de Helprin. O slogan: “É possível amar alguém tão plenamente que a pessoa não pode morrer?” era o mesmo do livro. Entonce, o gaiato aqui, foi no embalo do slogan precedido por belas imagens e comprou o livrão de mais de 700 páginas. O que aconteceu? Você já sabe.
Taí, é o que dá ir com tanta sede ao pote.
Inté!
29/08/2017
“A Sombra do Vento”, o livro que misteriosamente sumiu da minha estante
Há algum tempo teve um programa especial de fim de ano na emissora de rádio da minha cidade chamado “À Procura de Papai Noel”. Nele, um grupo de crianças tinha a missão de localizar o bom velhinho que, de repente, havia sumido, deixando as arvores de Natal vazias e consequentemente, os baixinhos sem presentes. A pergunta que se repetia a exaustão durante todo o programa era: “Onde está o Papai Noel?”.
Ontem, vivi uma situação semelhante; bastou trocar o bom velhinho pançudo de roupas vermelhas por um livro. “A Sombra do Vento” de Carlos Ruiz Zafón – primeiro volume da saga “O Cemitério dos Livros Esquecidos” – iria me proporcionar um grande presente, daqueles com aura de Natal: as chaves para entrar no mundo de Julian Carax, Daniel Sempere, Fermin Romero, Clara Barceló e companhia. Digamos que a obra de Zafón seria o meu Papai Noel.
Entonce... O livro sumiu!! Verdade! Como se fosse o próprio Papai Noel fujão do programa de rádio. Tudo aconteceu na noite desta segunda-feira (27). O menino aqui, vinha acalentando desde as primeiras horas do dia, a deliciosa expectativa de reler “A Sombra do Vento”. Tomei essa decisão após comprar “O Labirinto dos Espíritos” que fecha a saga “O Cemitério dos Livros Esquecidos”. Apesar de já ter lido e adorado os três primeiros volumes – “A Sombra do Vento”, “O Jogo do Anjo” e “Prisioneiro do Céu” – optei por rele-los antes de devorar o quarto e último livro da saga.
Cara, ainda me lembro como viajei na leitura de “A Sombra do Vento” em 2014. Caraca, que história! O meu desejo de rele-lo era quase incontrolável; então, quando chegou o momento, por volta das 23H30min, eis que me dirijo a minha de leitura para cerimoniosamente retirá-lo da estante. Estendi o braço, abri as mãos para segurá-lo, mas... mas... cadê o livro!! Corro até o computador, confiro o numero catalogado, volto a estante, mas o livro com o tal numero não está lá. Demorei aproximadamente 40 minutos para conferir todos os livros daquela estante, sem sucesso.
Sabe quando você tira o doce da boca de uma criança, antes dela dar a primeira e desejosa mordida? Pois é, foi assim que me senti. A própria criança sem o seu doce.
Galera até agora não sei onde o livro foi parar. No mês passado, quando dona Chiquinha veio fazer uma faxina em minha casa, foi avisada pela Lulu para que não limpasse as estantes que são os meus verdadeiros xodós, mas a bondosa mulher insistiu em fazer o serviço completo. Como Lulu é ainda mais bondosa do que a própria dona Chiquinha, acabou concordando. E assim, lá vai a dona Chiquinha limpar as minhas estantes. Cara... será que ela trocou algum livro de lugar? Quero dizer: será que a mulher trocou “A Sombra do Vento” de lugar? Se trocou, eu não consegui encontrá-lo e perguntar, agora, para a dona Chiquinha não vai adiantar. Talvez, ela responda: “Claro que não!” ou quem sabe: “Mininu, não me lembro”. Melhor esquecer.
Bem... tem ainda o lance do “me empresta esse livro?”. Antigamente, todos que iam até a minha casa e viam aberta a porta da minha ‘saletinha’ de leitura, faziam questão de entrar – vejam bem, a maioria não pedia para entrar, simplesmente, já iam entrando – no local para ficar observando os livros. E volta e meia vinha o pedido: “Me empresta esse?”. Meu, que chute certeiro nas bolas. Como doía essa perguntinha. O que eu poderia dizer? O livro não é meu, mas está na minha estante e ainda por cima catalogado com um número? É... acho que essa desculpa não iria colocar. Poderia, então, lascar simplesmente: “Não empresto!! E vamos saindo daqui, rápido, vamos, vamos! Acabou a festa!”. Galera, dizer tudo isso na brincadeira é fácil; agora ter a atitude para dizer ‘na lata’ é difícil. Bem, que eu me lembre ninguém me pediu “A Sombra do Vento” emprestado, mas sabe como é... A nossa memória, às vezes, falha e a minha já passou dos 50, para ser exato, 54. Portanto, os meus neurônios podem estar querendo me pregar alguma peça.
O lance da reforma. Pois é, lembrei-me também do período em que reformei a casa. Isto foi há aproximadamente dois anos. Na época, eu e Lulu encaixotamos todos os livros para protegê-los do pó, já que optei por passar sinteco no piso da minha humilde residência, quero dizer, da minha humilde bibliotequinha. E lá ‘vamu nóis’ encaixotando tudo o que vemos pela frente! Depois, na operação ‘Retorno às Estantes’ demoramos quase um dia para espaná-los, limpa-los e guardá-los. Ontem, enquanto batia o desespero de não encontrar Sempere e Carax em seus lugares, bateu aquela dúvida: “Será que enfiei esse livro em algum buraco negro? Entenda-se ‘buraco-negro’ por aquele lugar errado na estante ou então, esquecido numa caixa que já foi embora. Não, não. Eu e Lulu sempre fomos muito cuidadosos quando estamos manuseando qualquer livro, seja ele velho ou novo. Mas mesmo assim, fica sempre fica aquela pontinha de dúvida, né?
Cara, quer saber de uma coisa. Vou parar de ficar conjecturando. C-h-e-g-a! O livro sumiu, correto? Entonce não adianta ficar chorando pelo leite derramado. Sabem o que eu fiz, tão logo dei ciência do sumiço? Já adquiri um novo volume de “A Sombra do Vento”, o qual prometo à mim mesmo, guardá-lo com todo o cuidado que não tive com o seu antecessor. E se alguém me pedir emprestado, deixarei de lado as minhas boas maneiras e rosnarei como um pitbull enfurecido: Argghhh.... Nãaaaaoo empresto e ponto final!!!! Brrrrrrrrr!!!
Agora, enquanto aguardo a chegada da obra de Zafón, estou lendo “O Casamento” de Nicholas Sparks. Optei por escolher um livro light e bem curtinho, enquanto Sempere, Firmin, Carax e toda sua turma não chegam.
Inté!
28/08/2017
O Livro dos Mortos do Rock
Alguns leitores consideram o livro de David Comfort sensacionalista, mas uma coisa eles não podem negar: “O Livro dos Mortos do Rock” tem muitas informações interessantes e que conseguem prender a atenção da galera até a ‘última gota’. O autor foi minucioso em suas pesquisas e vasculhou a fundo a vida das sete saudosas celebridades do mundo do rock. A escrita no formato ‘jornalismo investigativo’ aguça a curiosidade dos leitores fazendo com que eles devorem em pouco tempo as 408 páginas recheadas de informações bizarras, engraçadas, chocantes e tristes envolvendo o lado secreto – desconhecido dos fãs – dessas lendas do rock.
Com relação ao carma de sensacionalista que a obra carrega; olha... não concordo. Comfort escreveu o seu livro baseado em depoimentos de pessoas próximas dos sete artistas. Entenda ‘pessoas próximas’ como: empresários, filhos, esposas, amantes, amigos, pais, mães, avós e o escambau a quatro. Uma miscelânea de informações dadas por fontes confiáveis que tiveram a oportunidade de conviver ao lado das sete feras. Comfort completou essas informações com uma vasta bibliografia, incluindo livros e reportagens publicadas em jornais conceituados. Portanto, não vejo onde está o sensacionalismo.
Agora, falando da obra em si, trata-se de um livraço. Prato cheio para os fãs que quiserem conhecer detalhes curiosos sobre a vida de Elvis Presley, Jimi Hendrix, Kurt Cobain, Jim Morrison, Janis Joplin, John Lennon e Jerry Garcia, ou seja, as sete feras a que me referi no início do post.
Valendo-se de diversos pontos de vista, tanto de pessoas próximas quanto dos próprios astros, Comfort mostra que, apesar de personalidades diferentes, suas histórias de vida tiveram muito em comum.
Ao desafiar os limites da liberdade e da rebeldia, os sete conheceram o céu e o inferno do estrelato, a mais completa euforia e a depressão arrasadora. Tornaram-se solitários e autodestrutivos, entregues ao vício e às pressões por parte de amigos, fãs e empresários.
“O Livro dos Mortos do Rock” pode ser considerada uma obra desmistificadora já que rompe inúmeros paradigmas, mostrando o chamado ‘lado negro da força’ desses roqueiros. Depoimentos de pessoas ligadas a Elvis Presley revelam, por exemplo, a intenção do rei em contratar um assassino de aluguel para eliminar um sujeito que teria saído com uma de suas garotas. O livro dá detalhes sobre esse fato e o que motivou Elvis a tomar essa atitude drástica, que felizmente não se concretizou.
O capítulo sobre John Lennon, mostra um ex-beatle dependente de sua mulher Yoko Ono que determinava tudo o que ele devia ou não fazer, das coisas mais simples as mais complexas. Vemos, ainda, um John que não gosta de ter amigos e nem vê importância nisso. – Quando preciso de um amigo, eu alugo – diz ele.
O livro simula – através de depoimentos – como teria sido os últimos instantes do chamado ‘Grupo dos Sete”. Hendrix, Morrison e Cobain teriam sido assassinados? Juro que fiquei na dúvida, principalmente com relação a Cobain. As provas apresentadas por detetives e perito legistas, de fato, conseguem plantar a semente da dúvida no leitor.
As brigas homéricas entre Morrison e Joplin quando estavam no auge de suas carreiras – eles eram inimigos ferrenhos que se odiavam – também são relatadas; a morte de Elvis que poderia ter sido evitada pela sua última namorada, Ginger Alden, que dormia no quarto ao lado do banheiro onde The King teve o suposto enfarte; a mania bizarra do Grateful Dead, grupo de Jerry Garcia, em querer drogar todas as pessoas que tivessem contato com eles. Estas são apenas algumas passagens curiosas do livro.
Todos os Sete, exceto um, tentaram suicídio ou ameaçaram cometê-lo. Todos os Sete tornaram-se viciados. A maioria morreu por excesso de drogas. Se um deles não tivesse morrido baleado, poderia muito bem ter tido o mesmo fim.
Seis dos sete imortais foram presos diversas vezes. Foras da lei, rebeldes, pregadores da liberdade, tiveram uma postura gloriosa contra o establishment. O sétimo foi o único de sua espécie, fazendo sua própria lei - afinal, ele era o establishment: o Rei. O presidente Nixon o nomeou agente federal de narcóticos. O Rei nunca se permitiu ser um drogado de rua: nos últimos 20 meses de vida, consumiu 12 mil tipos diferentes de analgésicos, todos receitados por médicos.
A morte também assombrou a vida da maioria deles desde a infância. A mãe de dois deles faleceu em acidente de automóvel. A mãe de outros dois bebia até cair. Aos 5 anos de idade, um deles viu o pai se afogar. Outro astro insistia em dizer que possuía os "genes do suicídio" porque os membros de sua família haviam tirado a própria vida.
Achei o livro impactante.
Recomendo.
Detalhes
Livros dos Mortos do Rock
Autor: David Comfort
Editora: Aleph
Páginas: 408
Preço: R$ 55,00 em média
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