11/08/2019

Oito enciclopédias em fascículos que deixaram uma baita saudades


Pretendia escrever esse post há vários dias, mas sempre acabava empurrando com a barriga. Isto não quer dizer que o assunto não me inspirava. Pelo contrário, a sucessão de adiamentos tinha um outro motivo, bem mais sério.
Todas as vezes que tentava escrever esse post, me envolvia tanto com as lembranças dos anos 70 - que marcaram a minha geração de leitores e colecionadores de enciclopédias em fascículos - que acabava divagando e me esquecendo do post. Por exemplo, começava a escrever sobre “Conhecer” e já vinham as lembranças daquelas capas  maravilhosas de seus fascículos. Juntamente com essas lembranças, chegava a danada da dispersão, pois o outrora ‘menino’, aqui, retornava à sua infância ou adolescência e ‘perdia’, bem... prefiro dizer: ‘ganhava’, minutos preciosos recordando aquelas décadas, engatando lembranças de minha mãe, uma pessoa que sempre incentivou a minha leitura.
Lembrava, também, das antigas bancas de revista da minha cidade onde ficavam expostos os fascículos de tantas outras enciclopédias. E pronto! Lá vinham mais divagações.
Pois é, eu mais viajava do que escrevia o post. Cara, o tema é muito viciante. Só mesmo aqueles que viveram a época de ouro das enciclopédias em fascículos para entender a magia do assunto. E assim, fui adiando, adiando, adiando até a noite de hoje, quando decidi controlar a minha empolgação e me concentrar no texto. Acho que está dando certo; vamos ver.
Escolhi oito enciclopédias que marcaram demais a minha vida de leitor nos anos 70 e 80 e das quais sinto muita saudades. Vamos à elas.
01 – Conhecer
Como eu amava “Conhecer”. Ficava contando nos dedos a chegada das terças-feiras quando as bancas de revistas recebiam os novos fascículos. Sabia que o meu irmão mais velho iria compra-los e com certeza me deixaria ler.
O que mais me chamava a atenção nas publicações dessa enciclopédia eram as suas capas muito bem elaboradas para uma publicação do gênero da década de 60. Nossa! E como eu viajava com os temas desenhados naquelas capas. Sentia como se estivesse dentro daquele cenário, participando ou observando a ação ilustrada.
As tais capas tinham um poder de sedução tão grande que acabei escrevendo um post inteiramente dedicado a elas (confira aqui). As duas capas que jamais esqueci, traziam as ilustrações de um submarino navegando numa noite estrelada; se não me engano o resumo do tema central desse exemplar - publicado numa tarja amarela ao lado da foto - estava relacionado com átomos ou energia nuclear. A outra capa tinha a ilustração de uma estação espacial e abordava o tema astronomia.
Esta enciclopédia antológica da Abril Cultural foi lançada no longínquo 27 de setembro de 1966. Pelo que eu pesquisei, “Conhecer” chegava nas bancas de jornais e revistas todas as terças-feiras e a cada 15 fascículos com 20 páginas, o colecionador podia comprar uma capa dura vermelha. De posse dos 15 fascículos e da famosa capa vermelha, ele ia correndo até uma gráfica para providenciar a encadernação dos fascículos. Pronto! Estava montada a enciclopédia!
02 – Os Bichos
Mais uma enciclopédia em fascículos que marcou a minha infância e pré-adolescência. “Os Bichos”, lançada pela Abril pela primeira vez em 1970, trazia informações sobre toda a fauna do planeta com belíssimas ilustrações e dados sobre cada animal. A coleção completa formava quatro volumes e mais um especial, dedicado à evolução dos animais.
O texto fluido e recheado de gravuras me prendia da cabeça aos pés como uma teia de aranha. Começava a ler e não conseguia parar. Quando a grana ficava curta, minha mãe dava uma força para comprar o tão desejado fascículo. Foi graças à saudosa ‘mama’ que consegui montar os cinco volumes que traziam ilustrações realistas de todas as espécies de animais.
Apesar dos anos, ainda me lembro das características dos fascículos. Eles tinham a capa branca e trazia sempre a gravura (não foto) de um único animal. No seu interior havia a descrição – em destaque - das características desse animal e também de outros coadjuvantes.
Um dos fascículos que me recordo trazia um leão africano que, praticamente, tomava conta de toda a capa.
03 – Medicina e Saúde
Além de “Conhecer”, meu irmão também colecionava “Medicina e Saúde”. Posso dizer que estas três preciosidades formavam a santíssima trindade das enciclopédias lá em casa. Cara, como essas publicações contribuíram para que o meu gosto pela leitura ficasse cada vez mais exacerbado.
“Medicina e Saúde” era fantástica! Lançada pela primeira vez em 1969, esta enciclopédia, vendida em fascículos, formava dez volumes quando encadernada. Os primeiros seis volumes traziam tópicos sobre doenças e tratamentos em geral, e os quatro volumes adicionais eram guias de primeiros socorros.
A sua capa verde e as ilustrações coloridas e esmeradas do corpo humano não saem da minha memória.
Putz, que enciclopédia!!
04 – Grandes Personagens da História Universal
Lançada pela Editora Abril na década de 1970 “Grandes Personagens da História Universal” se tornou uma verdadeira coqueluche entre os estudantes da época. Infelizmente, não cheguei a colecionar os seus fascículos, mas por outro lado, tive o privilégio de poder devorá-la na biblioteca de minha escola, e completinha. Passava o recreio inteiro folheando os seus volumes e conhecendo a vida de vários personagens da história mundial.
“Grandes Personagens da História Universal” teve cinco volumes com biografias de figuras da História, especialmente da Europa. As ilustrações eram fantásticas e remetiam nós leitores à uma viagem incrível.
Apesar do tempo, ainda consigo me lembrar que essa coleção era da bibliotecária da minha escola que colecionava os fascículos. Ao completar os cinco volumes, ela optou doar para a biblioteca.
A lista da obra variava de personagens desde a antiguidade até o século XIX. Tinha capa dura e toda branca com adornos dourados. Cada fascículo trazia a biografia de um personagem histórico, ilustrada por quadros, mapas e outras reproduções de imagens, além de cronologias da vida da pessoa e de seu contexto histórico.
05 – Enciclopédia Disney
As crianças dos anos 70 fizeram a festa com essa publicação. Acredito que muitos pais foram pressionados ou até mesmo chantageados pela garotada setentista para que comprassem os fascículos da “Enciclopédia Disney”.
A obra foi produzida especialmente para as crianças que se esbaldavam com os personagens da Disney. Mickey, Pateta, Tio Patinhas e Cia bancavam os professores e explicavam diversos assuntos para a gurizada, auxiliando no seu aprendizado.
Os fascículos eram semanais e no final formavam nove volumes ricamente ilustrados, além de um dicionário inglês-português, que também trazia algumas histórias em quadrinhos em inglês.
De fato, uma enciclopédia que deixou muitas saudades.
06 – A Bíblia Mais Bela do Mundo
Quantos anos você tinha em 1965? Neste ano foi lançada uma enciclopédia que fez a cabeça de muitos devoradores de livros.
No dia 1 de maio de 1965 foi às bancas o primeiro fascículo de “A Bíblia Mais Bela do Mundo”. Foram 150 fascículos que em três anos completaram oito volumes ricamente ilustrados. Podemos considera-la a precursora das enciclopédias em fascículos. Somente depois dela é que vieram “Conhecer”, Ciência Ilustrada e outras.
07 – Ciência Ilustrada
Esta enciclopédia foi a “queridinha” dos professores dos anos 60 que cobravam dos diretores de escolas a compra dos fascículos para ficarem expostos nas bibliotecas como fonte de pesquisa dos alunos. Por isso, até antes do surgimento do Google, os volumes de “Ciência Ilustrada” podiam ser encontrados em nove de cada dez estabelecimentos de ensino. Mas com o advento da Internet, a maioria dos educandários optou pelo “encaixotamento” de suas outrora endeusadas enciclopédias.
Os fascículos semanais de “Ciência Ilustrada” também eram vendidos em bancas de jornais. Eles davam origem a 13 volumes – 11 de tamanho grande, com as folhas, e 2 de tamanho médio, com as capas.
A enciclopédia focava especialmente em ciência, abrangendo química, física, biologia, astronomia e até os últimos avanços da tecnologia.
08 – Larousse Cultural
Claro que não poderia deixar de fechar esse post sem a memorável Larousse Cultural. Criada na França em 1964, foi publicada no Brasil pela Editora Abril em 1998, vendida em fascículos aos domingos, em conjunto com os jornais Folha de S. Paulo e O Globo. É um dicionário enciclopédico, com verbetes bem resumidos sobre conhecimentos gerais.
Fico imaginando quantas pessoas iam até as bancas nos anos 90 para comprar A Folha ou O Globo, não com a intenção de lê-los, mas apenas de colecionar os fascículos da Larousse. Por R$ 6,90 (valor atualizado) adicionais ao preço do jornal, o leitor levava o primeiro volume, já encadernado, e ganhava grátis o segundo.
A coleção era formada por 24 volumes impressos em papel de qualidade, com encadernação gravada a ouro. 
E aí, bateu saudades?
Galera, por hoje é só!

07/08/2019

A Herdeira


No mês passado, enquanto estava lendo “A Herdeira” de Sidney Sheldon escrevi no Instagram que o único problema que enfrentamos ao depararmos com um livro do autor é que ele vicia. Por isso, somos obrigados a comprar outros, outros e mais outros e quando percebemos, a nossa estante já está repleta de Sheldon.
Foi isto que aconteceu comigo. Tinha “A Herdeira” perdida em minha estante há muitos anos e numa dessas manhas de inverno, após uma ressaca literária terrível – havia acabado de ler “O Cemitério” de Stephen King - resolvi dar uma quinada de 360 graus. Estava à procura de uma história romântica, tipo folhetim. Foi quando bati os olhos na capa hiper-brega da Record que tinha estampada a foto de uma mulher abraçando um homem e olhando voluptuosamente para ele. “É esse mesmo!”, disse eu, me referindo ao livro.
A minha intenção era ler apenas alguns capítulos, mesmo porque ainda não estava totalmente recuperado da ressaca causada pelo “O Cemitério” , mas quem disse que consegui abandonar a história? Quando percebi estava devorando o livro!
As tramas desenvolvidas por Sheldon são como teias de aranhas que prendem o leitor do início ao fim. Acredito que tenha sido por isso que a escolha de Tilly Bagshawe para substituí-lo não deu certo. Guardada as devidas proporções com relação as diferenças de gênero, seria o mesmo que encontrar um substituto para Stephen King. E olha que “A Herdeira nem mesmo faz parte dos melhores livros de Sheldon, estando ainda abaixo de “A Ira dos Anjos”, “O Outro Lado da Meia-Noite” e “Um Capricho dos Deuses”. Apesar desse porém, a história vicia.
A principal personagem do livro é Elizabeth Roffe que após a morte de seu pai, Sam Roffe, torna-se a principal acionista e consequentemente herdeira de todo o seu império formado por indústrias farmacêuticas espalhadas por vários países. O poderoso conglomerado, capaz até mesmo de derrubar governos, tem o seu capital fechado com as ações divididas entre quatro membros da família Roffe, todos eles casados com as primas de Elizabeth. Sam era totalmente contra a entrada de pessoas estranhas na direção de suas empresas, portanto se qualquer um dos diretores quisesse vender as suas ações para grupos ou pessoas de fora da família teria de convencer todos os acionistas. Resumindo: ele só poderia vender com a concordância unânime da diretoria.
Entretanto esses quatro acionistas da firma – à exceção de Sam Roffe – lutavam com problemas financeiros gravíssimos contraídos com dívidas de jogatinas, amantes ou simplesmente movidos pela cobiça. Foi então que coisas estranhas começaram a acontecer. Fábricas e laboratórios explodiam, patentes eram roubadas, erros de embalagem lançavam no mercado drogas perigosas e em muitos casos a sabotagem era evidente.
Sam Roffe negou-se a ceder às pressões dos outros diretores minoritários e acabou morto num acidente de alpinismo provocado. Ao se tornar a única herdeira de seu pai, Elizabeth passou a ser o alvo dos atentados, já que também se opôs às vendas das ações.
Sheldon trabalha com quatro suspeitos na trama, deixando o leitor “desesperado” para saber quem é o sabotador e o assassino de Sam Roffe. Todos eles tem motivos para ter cometido o crime já que estão completamente endividados, mas em se tratando de Sheldon, você não sabe se pode surgir um quinto ou sexto suspeito, já que o final de suas histórias sempre reserva surpresas inesperadas para os leitores.
Ah! Antes que me esqueça. Os fãs de Sheldon, certamente, devem se lembrar do advogado Napoleon Chotas de “O Outro Lado da Meia-Noite” e “Lembranças da Meia Noite”. Pois é, tenho uma boa notícia para aqueles que irão ler “A Herdeira”: o autor criou um personagem secundário tão bom quanto Chotas e com a mesma pitada de humor. Trata-se do detetive Max Hornung que ganha a simpatia do leitor por causa do seu jeito despojado e bonachão que, na realidade, esconde uma inteligência e sagacidade incomparáveis, além de uma memória fotográfica.
Hornung aparece perto do final da trama, deixando os leitores com um gostinho de quero mais. Pena que Sheldon não o utilizou em outros livros.
Enfim, é isso. “A Herdeira” vale muito a leitura.

03/08/2019

Medicina dos Horrores


Ok, deixe-me contar um segredinho: na minha infância, sempre sonhei ser médico. E olha que esse sonho durou bastante, pelo que eu me lembre, até... os meus 18 anos. Tanto é que cheguei a me inscrever para o vestibular de medicina, mas depois desisti. Sei lá, simplesmente desisti e, então, acabei encontrando o que eu amo até hoje: o jornalismo.
Talvez por essa “paixão adolescente”, após décadas, eu ainda me amarro em livros que abordem temas relacionados a história da medicina, principalmente no que diz respeito a sua evolução através dos tempos. Desse modo, quando vi o lançamento de “Medicina dos Horrores” da escritora e doutora em história da ciência, Lindsey FitzHarris, não titubeei nem um segundo e já reservei o meu exemplar que na época estava em pré-venda.
O livro é fantástico, pois a autora numa linguagem fluída e descomplicada faz com que os leitores tenham uma ampla noção de como era a prática da medicina no século XIX e a luta de um jovem cirurgião chamado Joseph Lister em adotar métodos antissépticos que evitassem as infecções pós-operatórias que matavam milhares de pacientes naquela era.
Hoje, a assepsia se tornou uma pratica comum e ao mesmo tempo obrigatória, mas é difícil acreditar que nem sempre foi assim. Exemplo disso é que até meados do século XIX ela não existia e assim, as cirurgias eram repletas de sangue, dor e podridão.
Cirurgião Robert Liston fazendo a amputação de uma perna em seu paciente. Tempo: 30 segundos!
Numa época pré-anestesia, os procedimentos eram realizados em velocidade máxima – os mais célebres cirurgiões da época amputavam uma perna em menos de trinta segundos -, de modo a amenizar o sofrimento do paciente. Sem luvas e sem o menor cuidado com a higiene básica, alheios à existência dos microrganismos, eles ainda ficavam perplexos com as infecções pós-operatórias e com as taxas de mortalidade implacavelmente elevadas.
O desconhecimento de que o ar continha microrganismos que causavam graves infecções em feridas abertas, levavam esses médicos a realizar publicamente suas operações. Por essa razão, o anfiteatro cirúrgico do University College Hospital de Londres recebia em média, 200 pessoas que se aglomeravam para assistir as cirurgias em uma espécie de arquibancada com grades semicirculares para que o público composto pelos estudantes de medicina, aprendizes, assistentes de cirurgiões e até mesmo espectadores curiosos pudessem acompanhar todo o procedimento.  Muitos deles arrastavam consigo para o recinto a sujeira e a fuligem do dia a dia da Londres vitoriana.
As cirurgias no século XIX eram realizadas em anfiteatros lotados de espectadores
As pessoas se amontoavam como sardinha em lata, e as que ocupavam as últimas fileiras se acotovelavam constantemente para conseguir um ângulo melhor, gritando “Abaixem a cabeça!” toda vez que sua visão ficava bloqueada.
Os médicos e cientistas acreditavam que as doenças contagiosas eram causadas pelo miasma, um odor ruim das ruas e dos rios que se dissipava pelo ar. Por isso, não se usava nenhum método antisséptico na sala de cirurgia.
Na década de 1800, médicos amputavam os dedos das mãos e pés com facas simples
Caixas de madeiras com areia ou serragem eram utilizadas para transportar o sangue das operações, e os cirurgiões e seus assistentes só lavavam as mãos após os procedimentos, assim como os instrumentos cirúrgicos. Os médicos realizavam a operação rapidamente para minimizar possíveis hemorragias. Os cirurgiões andavam com os jalecos manchados de sangue pelas ruas, como se fosse uma espécie de troféu.
Pois é galera, foi esse cenário que Lister tentou modificar. Já adianto que ele conseguiu, mas a duras penas. Ele teve que lutar muito antes de ter os seus métodos aceitos e dessa forma, ser reconhecido como uma verdadeira sumidade na história da medicina. Antes disso, ele foi desacreditado e até mesmo ridicularizado. 
Joseph Lister, o médico que revolucionou o apavorante e bizarro mundo das cirurgias do século XIX
Os cirurgiões daquele tempo, simplesmente não aceitavam que criaturas minúsculas e invisíveis presentes no ar, estavam matando seus pacientes. Levou décadas, além de uma nova geração de cirurgiões, para mudar o paradigma. A aplicação da teoria dos germes à prática médica certamente está entre um dos mais importantes avanços da medicina.
Lister foi o criador da cirurgia antisséptica. Na Escócia, ele investigou problemas relacionados às operações, como a inflamação, a cicatrização das feridas e o papel da coagulação. 
Por volta de 1865, o cientista francês Louis Pasteur desenvolveu a teoria da produção da doença infecciosa por germes, e coube a Lister a plena compreensão do significado e da importância do trabalho de Pasteur. Portanto, a antissepsia e o controle inicial da infecção têm nesses dois nomes a referência histórica que fez mudar os horizontes da cirurgia, fazendo dessa arte uma ciência mais segura no combate às enfermidades.
Escritora e doutora em história da ciência, Lindsey FitzHarris, autora do livro "Medicina dos Horrores"
“Medicina dos Horrores” não se resume apenas a uma biografia de Lister com detalhes curiosos sobre a sua vida. O livro é muito mais do que isso. A autora descreve como foi descoberto o primeiro anestésico, o que levou os médicos a realizarem cirurgias mais demoradas; antes esses procedimento ficavam restritos às amputações. Ela ainda relata casos de cirurgias complexas – que apesar da falta de assepsia – já eram realizadas naquele tempo, como tumores malignos no rosto e nas mamas. Os leitores ainda tem a oportunidade de conhecer os médicos famosos da década de 1800, como Robert Liston que foi considerado o cirurgião mais rápido do mundo. Ele ficou famoso pelo inusitado talento de amputar uma perna em menos de 30 segundos.
Mas – pelo menos no meu caso – o que me chamou mais a atenção foram os capítulos dedicados a Liston que mostraram como foi a sua luta para mudar o panorama caótico das cirurgias do século XIX, fazendo com que elas deixassem de ser realizadas nos teatros abarrotados de pessoas e passassem para as salas cirúrgicas dos hospitais com todos métodos antissépticos necessários.
Além disso, “Medicina dos Horrores” mostra também os desafios de Liston como cirurgião que tinha o hábito de enfrentar casos complicados que outros médicos sempre procuravam evitar.
Enfim, um livro incrível e que eu recomendo para todos os leitores do blog. Parabéns ainda para a editora Intrínseca que caprichou no layout da obra. A publicação em capa dura e com as bordas das páginas na cor preta, certamente, merece um lugar de destaque em sua estante.
Boa leitura!

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