19/11/2019

A verdade sobre o caso Harry Quebert


Será que o livro tem tantas reviravoltas assim? Esta foi a pergunta que fiz, a mim mesmo, antes de comprar “A verdade sobre o caso Harry Quebert”. De cada dez opiniões que lia nas redes sociais, nove diziam a mesma coisa, ou seja, Joël Dicker ‘lotou’ a sua história com plot twists, alguns capazes de dar um verdadeiro nó nas cabeças dos leitores. Animado com essas opiniões, lá vou eu comprar o tão comentado livro.  E, assim, pude responder, novamente a mim mesmo, que sim; o livro tem muitas reviravoltas, mas não é só isso, a obra também é excelente. O jovem escritor suíço, de fato, caprichou em seu primeiro livro.
Comparo o enredo de “A verdade sobre o caso Harry Quebert” com uma das séries de televisão mais inteligentes e intrigantes que já assisti: “Twin Peaks”. Para aqueles que não se lembram, a série seguia a investigação de um agente do FBI sobre o assassinato de uma estudante muito conhecida em sua cidade, chamada Laura Palmer.  Apesar de já terem decorridos quase 30 anos, a misteriosa morte da colegial que colocava como suspeitos cada habitante de Twin Peaks continua intrigando muitos telespectadores, transformando a série num dos maiores fenômenos da cultura pop das últimas três décadas.
Tenho quase certeza de que Dicker bebeu muito da fonte Twin Peaks para escrever o seu enredo, e... se deu bem. Ele conseguiu criar uma história policial com inúmeras reviravoltas, tendo como pano de fundo uma linda história de amor. Quer melhores ingredientes do que esses para segurar o leitor? Ah! Some-se a isso, os personagens carismáticos e misteriosos engendrados pelo autor. Um deles – já adianto que não foi Marcus Goldman, Harry Quebert ou Nola Kellergan – me emocionou muito na cena perto do final do livro. Trata-se de um personagem secundário, cuja atitude tomada num momento difícil, tenso e arriscado, quando chegou a doar a sua própria vida para salvar uma outra vida, me fez segurar algumas lágrimas. Putz! Aquele trecho mexeu muito comigo. Aliás, a história desse personagem é muito emocionante.
Não quero ficar escrevendo desnecessariamente sobre o livro porque poderia, sem querer, liberar algum spoiler, o que seria um crime, já que as reviravoltas presentes na obra são boas demais, algumas fantásticas, e por isso, merecem ser descobertas e degustadas com todo o prazer como se estivéssemos saboreando um bom vinho.
A propósito, ler “A verdade sobre o caso Harry Quebert” é como participar de uma luta de boxe, enfrentando um campeão mundial que estivesse nos cobrindo de porradas. A primeira dessas porradas – aquela na qual irá se basear todos os mistérios do enredo – acontece logo de cara no segundo capítulo. Depois, aos poucos, vão chegando os outros plot twist que se tornam cada vez mais surpreendentes com o virar das páginas. O leitor, meio cambaleando, ainda consegue aguentar essas reviravoltas na trama, perplexo, mas consegue; só que os três golpes finais são verdadeiros ‘uppercut’ desferido de baixo para cima no queixo. Cara, você não resiste, vai acabar indo à lona.
Algumas pessoas acharam que Dicker foi um pouco repetitivo em alguns capítulos e que o livro de 565 páginas poderia ter ficado mais enxuto. Concordo, mas isso, em nenhum momento tira os méritos do livro que como já disse é excelente.
“A verdade sobre o caso Harry Quebert” conta a história do desaparecimento misterioso de Nola Kellergan, uma adolescente de quinze anos, que é vista pela última vez sendo perseguida na floresta que margeia a pequena cidade de Aurora, em New Hampshire. Ela nunca mais é encontrada. O fato mexe com todos os moradores do pacato lugar.
Trinta e três anos depois, Marcus Goldman, um jovem escritor de sucesso, deixa Nova York para ir a Aurora encontrar seu amigo e professor, o respeitado romancista Harry Quebert, na esperança de conseguir se livrar de um bloqueio criativo. Neste período em que fica em Aurora, um fato inusitado, faz com que Marcus se veja obrigado a começar uma investigação, por conta própria, sobre o estranho desaparecimento de Nola. A partir daí, uma teia de segredos vai emergindo, surpreendendo Goldman e também os leitores.
Gostei; bastante.

16/11/2019

A volta ao mundo em 80 dias

Júlio Verne e Monteiro Lobato fizeram parte da minha infância. Quando ainda era criança, passava horas e mais horas na biblioteca municipal da minha cidade escolhendo livros desses dois autores. Agradeço aos meus pais e também as minhas professoras do ensino primário por terem criado em mim o hábito pela leitura: meus pais comprando coleções de livros infantis - alguns anos depois, as famosas enciclopédias - e as minhas professoras, em especial dona Conceição e dona Cecília, que chegaram até me presentear com algumas histórias adequadas a minha idade.
Os enredos criados por Júlio Verne marcaram tanto a minha vida que apesar de décadas passadas, ainda hoje me recordo de detalhes importantes de alguns livros. Talvez, a história que mais tenha marcado foi “A Volta ao Mundo em 80 Dias” que li na minha infância. Gostei tanto que anos depois acabei relendo e relendo novamente. Há aproximadamente cinco meses, antes da cirurgia pela qual passei (ver aqui, aqui e aqui), me bateu uma vontade enorme de novamente reler a saga de Mr. Phileas Fogg e seu criado francês que após uma aposta feita com um grupo de amigos na década de 1800, decidem dar a volta ao mundo em 80 dias.
O livro é leve, divertido e educativo. Além dos leitores se deliciarem com as aventuras de Fogg e seu criado, ainda ganham a oportunidade de conhecer a história, a religião e a cultura dos lugares por onde os dois aventureiros passam em sua viagem incrível que se desenrola na Europa, Índia, Ásia e América.
Na minha opinião, os enredos escritos por Verne tem o dom de agradar todas as faixas etárias: de crianças a adultos. É, evidente, que cada uma dessas faixas etárias veem as histórias de formas diferentes, mas de uma maneira ou de outra, elas impactam positivamente todas elas.
Reli, recentemente, “A Volta ao Mundo em 80 Dias” em pouco tempo, acho que em apenas dois dias. Adorei. Me diverti muito e estava precisando disso, já que a preocupação com a minha cirurgia que aconteceu no mês de julho passado vinha me estressando muito (veja aqui). O livro de Verne ajudou demais a diminuir esse estresse. Mergulhei naquela aventura louca e me esquecida de tudo.
“A Volta ao Mundo em 80 Dias” conta a história de Phileas Fogg, um senhor inglês, um tanto quanto solitário e sereno, que mora em Londres e tem uma rotina inalterável: acorda sempre no mesmo horário, faz a barba, toma café da manhã e parte para o Reform Club, onde passa o restante do dia. À noite, reúne-se com os colegas para o tradicional jogo de cartas e para comentar os assuntos do dia. À meia-noite, pontualmente, volta para casa.
Num desses encontros, acaba surgindo o assunto de um roubo acontecido no Banco da Inglaterra, dias atrás. O ladrão havia levado 55 mil libras da casa bancária e fugira sem deixar traços. Sentados à mesa, os jogadores especulam a respeito do paradeiro do ladrão. Fogg, até então quieto, comenta que o referido ladrão poderia estar em qualquer lugar, afinal, por causa dos avanços tecnológicos da época, qualquer um seria capaz de dar uma volta ao mundo em apenas 80 dias. Seus colegas dizem que tal façanha seria impossível e que ele não estava levando em conta os imprevistos que a empreitada traria consigo. Fogg permanece firme e, impassível, diz que ele mesmo o faria. Travam então uma aposta de 20.000,00 libras e Fogg decide partir imediatamente. Para vencer a aposta, ele teria que estar de volta em 21 de dezembro de 1872. Então, ele e seu criado francês, Jean Passepartout, partem nesta aventura, tresloucada para aquela época.
Em vários lugares onde param, os destemidos  viajantes são obrigados a enfrentarem várias dificuldades, algumas delas bem arriscadas, colocando em perigo as suas vidas. O trecho em que um bando de índios ataca o trem onde Fogg e Passepartout se encontram é impagável. Pura adrenalina, parece até que você está assistindo a cena de um filme.
“A Volta ao Mundo em 80 Dias” fez tanto sucesso que acabou inspirando vários filmes ao longo dos anos, sendo o de 1956, o mais famoso de todos eles. Esta produção cinematográfica que contou com Davide Niven e Cantinflas nos papéis principais ganhou cinco prêmios Oscar: melhor filme, roteiro adaptado, montagem, fotografia e trilha sonora.
Uma leitura incrível, e não é para menos, já que “A Volta ao Mundo em 80 Dias” é considerada uma das maiores obras da literatura mundial.

12/11/2019

“A Corrente” e “O Homem de Giz”: duas novas indicações de Stephen King. Comprar, né? Fazer o quê.


‘Sei não’, desse jeito Stephen King vai acabar me levando à falência. Como não bastasse ter que conseguir dinheiro para comprar os seus livros, agora o mestre do terror deu pra ficar indicando livros de outros escritores. PQP! Assim não dá né King. O que você acha que nós, leitores, que admiramos os seus enredos iremos fazer ao ver o seu nome associado a uma outra obra? Comprá-la, é claro!
Foi assim com “O Homem de Giz” de C.J. Tudor e, agora, mais recentemente com “A Corrente” de Adrian McKinty; sem contar outras obras lançadas anteriormente e que também tiveram o aval de King.
Pois é galera, como sempre faço, ontem, estava dando algumas zapeadas pelas livrarias e sebos virtuais para me inteirar das novidades quando deparei-me com o livro de McKinty. E que surpresa ao ver, logo na capa, estampado o seguinte comentário: “Esta história é incrivelmente original. Você não vai parar de pensar nela por muito tempo”.
E adivinhem de quem eram essas palavras? Acho que nem preciso dizer, né?
Já havia comprado “O Homem de Giz” influenciado pelo ‘cara’, apesar de algumas opiniões negativas sobre a obra, e agora, mesmo com uma lista enorme de livros para serem lidos, me vejo inclinado a enfiar a mão no bolso, novamente, para adquirir “A Corrente” e mais uma vez, influenciado pelo mesmo cara.
Ainda não li a história de Tudor – não falei que a minha listinha estava enorme? – por isso não posso opinar se o enredo mereceu os elogios de King ou se o autor... sei lá, digamos, viajou na maionese.
De acordo com a imprensa internacional, “O Homem de Giz” lembra muito o conto “O Corpo” do mestre que inclusive, chegou a ser adaptado para os cinemas com o título de “Conta Comigo”. O filme se transformaria num grande sucesso de público e crítica.
Neste conto, King narra a história de quatro rapazes que se aventuram nos bosques em busca de um jovem desaparecido e como essa aventura acaba se transformando num ritual de passagem da infância à idade adulta, e consequentemente, o início de perda da inocência.  Confesso que essa similaridade entre os dois livros é um dos motivos que vem despertando o meu interesse pela leitura de “O Homem de Giz”. Ele já está guardadinho em minha estante e será o próximo da lista a ser devorado, tão logo termine “A Verdade Sobre o caso Harry Quebert” que, por sinal, estou amando.
Agora, no que diz respeito a nova indicação, estarei adquirindo nos próximos dias tão logo feche a fatura do mês do meu cartão de crédito. Achei o enredo criado por McKinty interessante e original, como disse o próprio King – por isso decidi gastar entre R$ 25,00 e R$ 30,00.
Na história, uma mulher chamada Raquel acaba de ver seu mundo desmoronar após receber uma ligação de um número desconhecido. A mulher que está do outro lado da linha é mãe como ela e está desesperada porque o seu filho foi sequestrado e para tê-lo de volta precisou sequestrar a filha de 13 anos de Rachel e para que ela possa ter sua filha de volta terá que dar sequência a corrente.
As regras dessa terrível corrente são: pagar o valor exigido, escolher outra vítima e se preparar pra cometer um ato que jamais julgaria ser capaz.
Gostei do plot, torço para que o enredo não me decepcione. E torço, também, para que King para de ficar indicando novos livros. Afff!

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