20/12/2020

Cinco livros que serão lançados em 2021 com expectativa de sucesso

Cara, bêbado como um peru, com uma ressaca desnorteadora. Daquelas que te deixam tonto com a sensação de uma zambumba vomitando uma batucada loucamente frenética há milímetros de sua orelha. É assim que me sinto neste final de ano. Caráculas! Caiu tudo de uma vez! Prazo de migração de AM para FM, da empresa onde trabalho, quase estourando; redução do quadro de funcionários e consequentemente aumento de trabalho para aqueles que foram salvos pelo gongo; elaboração de novos programas jornalísticos; reuniões e mais reuniões, tanto presenciais quanto  virtuais; tudo isso regado há muita tensão. E advinha quem mais sofreu as consequências dessa avalanche de... não de problemas, mas digamos de... situações imprevistas e tensas? Se você respondeu que foi o blog, acertou na lata.

Peço mil perdões para todos que acompanham esse espaço há quase dez anos, mas não tive tempo sequer para abrir a interface do Livros e Opinião ou então a caixa de e-mail para interagir com os leitores que sempre escrevem comentando sobre as minhas postagens. Escrever um post, então, nem pensar. Já estava prevendo de que tudo isso iria acontecer neste mês, tanto é que cheguei a avisar a galera de que postaria menos em dezembro (ver aqui), mas não imaginava que o menos seria tão menos assim,

Mas o tempo de sufoco está terminando. O ritmo em meu trabalho está voltando, aos poucos, ao normal e se Deus quiser, a partir de janeiro recuperarei o ritmo normal de postagens no Livros e Opinião, publicando em torno de dois ou três posts por semana, como de hábito.

Neste domingo, quando acordei, disse para Lulu que precisava escrever alguma coisa no blog, apesar da conclusão pendente de um projeto profissional que tenho de terminar ainda hoje, de qualquer maneira. Por isso, estou aqui digitando essas linhas e confesso que me sinto muito bem: leve, tranquilo, nada tenso, pois estou fazendo algo que gosto muito. Tão logo conclua essa postagem, estarei interagindo com os leitores do Livros e Opinião que enviaram os seus comentários, críticas e sugestões no email ou no blog, prometo. Mas vamos ao que interessa. No texto de hoje vou falar escrever sobre cinco livros que serão lançados em 2021 com chances de se tornarem grandes sucessos de vendas. Vamos a eles?

01 – É Assim Que se Perde a Guerra do Tempo (Amal El-Mohtar e Max Gladstone)

Este livro da escritora canadense Amal El-Mohtar e do escritor americano Max Gladstone arrancou rasgados elogios da crítica americana. Lançado nos States em meados de 2019, É Assim Que se Perde a Guerra do Tempo se tornou em período recorde um dos livros mais vendidos nos Estados Unidos e agora, a editora Companhia das Letras através do seu selo Suma traz para o Brasil, com lançamento previsto para 8 de fevereiro. A obra chegará chic nu urtimo, toda em capa dura; projeto gráfico especial, incluindo páginas com papel de altíssima qualidade; além de um pôster de brinde. Uma edição que irá agradar em cheio os colecionadores.

Este livro de ficção científica venceu os prêmios Hugo, Nebula e Locus provando todo o seu poder de fogo.

Os autores narram o destino de duas viajantes do tempo rivais, conhecidas apenas como Vermelho e Azul, que se apaixonam e precisam mudar o passado para garantir um futuro juntas. Elas viajam de um lado para outro no tempo, alterando a história de múltiplos universos em nome de seus impérios guerreiros. No início, Vermelho e Azul são rivais aguerridas, mas depois ambas acabam se apaixonando até que o comandante de uma delas descobre e então determina a execução da rival. Mas muitas surpresas e reviravoltas estão reservadas nesse enredo.

Ficha Técnica

Data de Lançamento: 8 de fevereiro de 2021

Editora: Suma

Autores: Amal El-Mohtar e Max Gladstone

Tipo de Capa: Dura

Páginas 192

02 – Rosa da Meia-Noite (Lucinda Riley)

Tudo bem que não se trata de uma novidade literária já que o livro foi publicado há seis ano pela editora Novo Conceito, mas agora, Rosa da Meia-Noite chega como diz o velho ditado: babando. Em 2014, a obra não tinha capa dura e muito menos, marcador de página em metal; agora tem.

À exemplo de É Assim Que se Perde a Guerra do Tempo, o relançamento da Arqueiro também é uma verdadeira obra de colecionador para se destacar em qualquer estante de livros.

Confira a sinopse fornecida pela editora: “Vinda de uma família nobre mas empobrecida, Anahita nutre uma forte amizade com a obstinada princesa Indira, filha do marajá. Escolhida para ser sua acompanhante oficial, ela vai para a Inglaterra com a amiga logo antes do início da Primeira Guerra. Lá, conhece Donald Astbury – o relutante herdeiro de uma magnífica propriedade – e sua mãe manipuladora.

Noventa anos depois, Rebecca Bradley é uma estrela de cinema americana reverenciada por todos. Quando seu turbulento relacionamento com o namorado famoso toma um rumo inesperado, ela fica aliviada por poder se refugiar da mídia em Dartmoor, uma remota região britânica, para gravar seu novo filme.

Logo após o início do trabalho no decadente casarão de Astbury Hall, chega à locação Ari Malik, bisneto de Anahita, buscando investigar o passado de sua família. É então que ele e Rebecca começam a desvendar os segredos sombrios que há tempos assombram a dinastia de Astbury...”

Não lhes parecem aqueles romances épicos que atravessam gerações com o poder de tirar o fôlego dos leitores? Pois é, vamos aguardar a chegada de 15 de janeiro para conferir.

Ficha Técnica

Data de Lançamento: 15 de janeiro de 2021

Editora: Arqueiro

Autora: Lucinda Riley

Tipo de Capa: Dura

Páginas 544 páginas

03 – A Alpinista: Sexo e Corrupção na Alemanha Nazista (Márcio Pitliuk)

Márcio Pitliuk é um profundo conhecedor da II Guerra Mundial e um dos maiores especialistas brasileiros do Holocausto. Também realiza encontros com Sobreviventes do Holocausto, Ciclos de Debates e escreve artigos para veículos de comunicação.

Em 2011 foi o idealizador e co-autor do longa metragem “Marcha da Vida”. Dois anos depois, foi roteirista, co-diretor e co-produtor do filme “Sobrevivi ao Holocausto” muito elogiado pela crítica.

É um dos maiores especialistas no Brasil sobre o Holocausto, tendo realizado mais de 100 palestras sobre o tema.

No romance ficcional A Alpinista: Sexo e Corrupção na Alemanha Nazista, Pitliuk narra a saga da personagem Hannelore Schultz que é dona de uma beleza e de um poder de sedução incomparáveis. De origem humilde e com grandes ambições, desde muito cedo lança mão desses atributos para, degrau por degrau, alcançar seus objetivos. Sua longa e perigosa escalada a leva do pequeno vilarejo alemão onde nasceu para a capital Berlim, onde se vê envolvida com altos oficiais do Terceiro Reich. A Segunda Guerra, Berlim e os campos de extermínio são alguns dos cenários desse romance sensual e cheio de reviravoltas.

Ficha Técnica

Data de Lançamento: 28 de janeiro de 2021

Editora: Vestígio

Autor: Márcio Pitliuk

Tipo de Capa: brochura

Páginas 240 páginas

04 - Clube do Livros dos Homens (Lyssa Kay Adams)

O enredo de Clube do Livro dos Homens escrito por Lyssa Kay Adams foi elogiado pela crítica literária do jornal The New York Times que o classificou como “uma história linda, um retrato honesto e esperançoso do empenho para se manter um casamento.”

Adams conta as peripécias de Gavin Scott, um astro do beisebol, devotado ao esporte. No auge de sua carreira, ele descobre um segredo humilhante: a esposa, Thea, sempre fingiu ter prazer na cama. Magoado, Gavin para de falar com ela e acaba piorando o relacionamento, que já vinha se deteriorando. Quando Thea pede o divórcio, ele percebe que o orgulho e o medo podem fazê-lo perder tudo.

Desesperado, Gavin encontra ajuda onde menos espera: um clube secreto de romances, composto por alguns dos seus colegas de time. Para salvar seu casamento, eles recorrem à leitura de uma sensual trama de época, ‘Cortejando a condessa’. Só que vai ser preciso muito mais do que palavras floreadas e gestos grandiosos para que Gavin recupere a confiança da esposa.

Ficha Técnica

Data de Lançamento: 15 de janeiro de 2021

Editora: Arqueiro

Autora: Lyssa Kay Adams

Tipo de Capa: brochura

Páginas 320 páginas

05 - O Conde Que Eu Arruinei (Scarlett Peckham)

Algumas pessoas que leram O Duque Que Eu Conquistei, primeiro livro da série Os Segredos de Charlotte Street, chegaram a compará-lo com 50 Tons de Cinza, pelo menos nas cenas de sexo, o que, cá entre nós, foi um verdadeiro chamariz para alavancar as vendas da obra que explodiu em vários países, incluindo o Brasil. Resultado: super-animada com o sucesso de vendas de O Duque Que Eu Conquistei, a autora Scarlett Peckham não dormiu no ponto e em pouco tempo lançou o segundo livro da série intitulado O Conde Que Eu Arruineique chega nas livrarias brasileiras em janeiro.

Peckham dá sequência à história do casal Lady Constance Stonewell e Julian Haywood, o conde de Apthorp. Neste segundo livro, após, sem querer, ter arruinado o futuro de Julian, com sua coluna de fofocas, Constance faz a única coisa que resta a uma dama honrada: se oferece para casar com ele. Ou, pelo menos, para encenar um noivado às pressas e, assim, salvar a reputação do coitado.

Mesmo que isso signifique passar um mês inteiro na companhia do sujeito mais sem graça da Inglaterra, um homem que condena todos os prazeres que ela mais adora.

Agora os dois têm um mês para limpar o nome dele e convencer a sociedade de que estão perdidamente apaixonados. Ao longo desse tempo, Constance percebe que, por trás da fachada tediosa, seu falso pretendido é muito mais interessante do que ela poderia imaginar.

Só que conseguir o perdão dele e convencê-lo a levar o teatrinho para a vida real vai ser o plano mais difícil de todos os que Constance já criou. E, segundo a sinopse da editora, o mais delicioso também.

Detalhes: as leitoras vão adorar o brinde que acompanha o livro da Arqueiro. Anotem aí: um colar com dois pingentes. Chic, não é mesmo?

Ficha Técnica

Data de Lançamento: 15 de janeiro de 2021

Editora: Arqueiro

Autora: Scarlett Peckham

Tipo de Capa: Brochura

Páginas 320 páginas

Taí galera, espero que tenha ajudado com essas sugestões de leitura para 2021. Ah! E desculpem, novamente, pelo atraso nas postagens neste mês de dezembro.

Inté!

 

09/12/2020

Um Paciente Chamado Brasil

 

Quando comprei Um Paciente Chamado Brasil, um ex-colega de trabalho me questionou: - Jam, você vai ver a situação somente pelo ponto de vista do Mandetta - O que ele estava dizendo é que o livro teria um enredo unilateral que favorecia apenas um lado, ou seja, o lado do ex-ministro da Saúde.

Concordei, em parte, com esse meu colega, somente em parte. O livro, de fato, mostra os bastidores da luta contra o coronavírus no Brasil apenas sob a ótica de Mandetta, mas... veja bem, pelo menos para mim, o ex-ministro é uma pessoa confiável e isso ficou evidente na forma como ele lidou com a crise desencadeada pela pandemia, abrindo o jogo nas entrevistas coletivas, dando todos os números, não escondendo nada da população. Além disso, que eu me lembre não vi o Mandetta falando mal do governo nenhuma vez, nem mesmo nos momentos que antecederam a sua demissão da pasta. Ah! Mas você pode dizer - teve aquela entrevista que ele deu para o Fantástico. - Tudo bem, ele pode até ter errado em conceder, na época, uma entrevista exclusiva para um canal de TV, ainda mais a Globo que bate de frente com o presidente Bolsanaro – aliás, em seu livro, o ex-ministro cita os motivos que o levou a dar essa tão comentada entrevista – mas nem mesmo naquele momento ele falou mal do governo. Ele disse apenas que Ministério da Saúde e Presidência da República teriam de começar a falar a mesma língua para evitar confundir os brasileiros.

Estas atitudes de Mandetta foram o aval para que eu comprasse o livro. E tem mais, se Bolsonaro lançar um livro dando a sua visão dos fatos, também comprarei a obra. Comprarei sim, porque quero saber os motivos de muitas de suas decisões tomadas durante a pandemia, como por exemplo, o que o levou a defender o uso da Cloroquina, como era o seu relacionamento com Mandetta (sob a sua visão), por que a opção pela demissão de seu auxiliar, etc.

Mas deixando de lado essas explicações, vamos ao que interessa, ao livro lançado pela editora Objetiva. Um Paciente Chamado Brasil é uma leitura esclarecedora sobre tudo o que aconteceu nos bastidores, em Brasília, durante o início avassalador da pandemia de coronavirus.

Achei o livro completo porque o autor vai muito além do epicentro da crise envolvendo a sua saída do Ministério da Saúde. Ele aborda detalhadamente como se deu a formação de sua equipe técnica; o que o levou a escolher o enfermeiro epidemiologista Wanderson Oliveira e João Gabardo dos Reis para serem os seus “braços direitos” no Ministério. Ele também abre o jogo com os leitores, dando detalhes dos bastidores das reuniões na pasta com os seus assessores, principalmente as divergências com Wanderson envolvendo alguns pontos no combate a epidemia. Conta como conheceu o enfermeiro e descreve a sua dedicação ao trabalho, mesmo sendo responsável pela criação de uma filha especial.

Mandeta também dá detalhes de como era da logística dos sistemas de saúde de estados e municípios no combate ao vírus; as decisões certas e erradas de alguns prefeitos e secretários de saúde; os motivos da demora da Organização Mundial de Saúde (OMS) em reconhecer a letalidade do vírus; a corrida da pasta na identificação dos primeiros casos de Covid-19 e a elaboração de um esquema que evitasse o contágio de outras pessoas.

Mas, sem dúvida, o assunto principal de Um Paciente Chamado Brasil é o conflito entre Ministério da Saúde e Governo Federal no combate a pandemia durante a gestão de Mandetta, incluindo momentos bem tensos, entre os quais uma reunião entre ministros e o presidente onde o clima esquentou, havendo a necessidade da intervenção do vice Hamilton Mourão antes que Mandetta e Paulo Guedes – Ministro da Economia – se agredissem.

Outro tema tratado é o negacionismo de Bolsonaro com relação à doença. O autor narra em detalhes como eram as conversas tensas entre ele e o presidente que insistia em participar de manifestações públicas, enquanto o Ministério da Saúde defendia o isolamento social. Conta, ainda, como foi a reunião, a portas fechadas entre ele e o presidente, e que definiu a sua exoneração.

Outro ponto que deve interessar aos leitores envolve o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni. O livro dá detalhes da rápida ascensão de Lorenzoni e como ele conseguiu se tornar o homem de confiança de Bolsonaro, pelo menos no início de seu mandato como presidente da República. Algo que me intrigou nessa parte do livro foi uma mania estranha que o ministro da Cidadania tinha quando era deputado federal. Uma mania tão censurável que acabou contribuindo para que outros parlamentares perdessem a confiança e se recusassem veementemente de participar de qualquer reunião com o deputado licenciado. Tudo isso antes de Lorenzoni se tornar ministro.

Recomendo demais a leitura de Um Paciente Chamado Brasil para as pessoas que quiserem conhecer a fundo os bastidores da luta contra o coronavírus. Como já escrevi no início desse texto, trata-se de uma obra muito esclarecedora.

05/12/2020

O Cemitério dos Livros Esquecidos, uma saga com personagens que ficarão guardados para sempre na memória dos leitores.

Existem sagas que marcam as nossas vidas de leitores. Sagas que ficam guardadas para sempre em nossas memórias, por isso podem passar anos e até mesmo décadas que mesmo assim, não iremos esquecer determinados personagens. Você, por acaso, se esqueceu de Harry Potter, do professor Snape, de Edmond Dantes ou de Gollum e o seu “precioso”? Tenho certeza que não; da mesma forma que não me esqueci de Daniel Sempere, Julián Carax, Fermin e Alicia Gris.

A saga “O Cemitério dos Livros Esquecidos” mexeu com todos os meus sentimentos, provocando uma verdadeira revolução. Senti revolta, fiquei feliz, triste e me emocionei... muuuito. Torci desesperadamente por alguns personagens, odiei outros, embarquei no clima loucaço de aventura, enfim, a saga provou um verdadeiro rebuliço em meus sentimentos.

Hoje, estou aqui para indicar os quatro livros que formam a saga – A Sombra do Vento, O Jogodo Anjo, O Prisioneiro do Céu e O Labirinto dos Espíritos – magistralmente escrita pelo saudoso Carlos Ruiz Zafón que faleceu há aproximadamente cinco meses. Fiquei muito triste em saber que jamais teremos a oportunidade de ler, novamente, os enredos cheios de mistério e recheados de dramas amorosos que saiam da cabeça do autor espanhol. Realmente, uma pena.

Apesar de muitas pessoas disserem que os livros da saga podem ser lidos fora de ordem já que não são sequências diretas uns dos outros, o meu conselho é para que a galera interessada leia, sim, na sequência. Isto porque, vocês irão acompanhar a ordem cronológica dos acontecimentos, apesar dos quatro livros terem tramas independentes, com começo, meio e fim. Aliás, o próprio Zafon disse que cada livro da saga apresenta uma porta diferente de entrada para a trama, podendo ser lidos em qualquer ordem, mas repito, prefiro lê-los na sequência cronológica do enredo e não dos lançamentos dos livros.

É importante frisar que a trama de cada um dos romances acontece numa época diferente e sempre ganhando novos personagens que passam a interagir com os personagens do núcleo principal da trama, formado por Daniel, seu pai – o Sr. Sempere – Beatriz e Fermin Romero. A genialidade de Zafón fez com que até mesmo personagens secundários ganhassem uma importância enorme na trama, deixando os leitores com um gostinho de quero mais, hiper-curiosos para saber detalhes sobre as suas vidas. Acredito que esse foi um dos motivos que levou o autor a escrever os outros três livros, após o lançamento de A Sombra do Vento que foi publicado, inicialmente, sem a intenção de tornar-se o ponto inicial de uma trilogia ou quadrilogia. Por ter um grupo de personagens muito interessantes e que poderiam ser melhor desenvolvidos em outros livros, Zafón teve o insight de escrever O Jogo do Anjo, O Prisioneiro do Céu e O Labirinto dos Espíritos, nascendo assim, a famosa saga.

Em A Sombra do Vento, lançado em 2001 – chegou ao Brasil, pela editora Suma, somente em 2007 - e que transformou Zafón num escritor respeitado em todo o mundo, conhecemos um Daniel Sempere criança que foi criado pelo seu pai, um livreiro, após a morte de sua mãe Isabela. Daniel, aliás, nunca chegou a conhece-la e como o Sr. Sempere preferiu ficar calado sobre o passado da esposa, o jovem pouca coisa sabe. 

Quando completa 11 anos, Daniel é levado pelo seu pai para visitar uma biblioteca enorme chamada de o “Cemitério dos Livros Esquecidos”. Neste local há uma regra que deve ser cumprida à risca. Chegando lá, você tem o direito de escolher um livro e se comprometer a cuidar dele. O garoto escolhe, então, uma obra chamada “A Sombra do Vento” escrita por Julián Carax, um autor misterioso e que publicou apenas esse livro. Daniel gosta tanto da história que resolve investigar um pouco mais sobre a vida desse enigmático autor que viveu na Barcelona dos anos 20,  há quatro décadas da Barcelona dos 60, onde Daniel vive com seu pai. Para tentar decifrar o mistério envolvendo Carax, o jovem conta com o apoio de Fermin Romero que trabalha na livraria do Sr. Sempere. Os dois se envolvem numa intriga arriscada relacionada ao livro “A Sombra do Vento”.

Em O Jogo do Anjo (2008), conhecemos um novo personagem, David Martin, um escritor maldito que faz um pacto com o demônio para se tornar um escritor famoso. A ligação de Martin com a família Sempere diz respeito à Isabela, mãe de Daniel. A trama se passa muito tempo antes dos fatos narrados em A Sombra do Vento. Achei O Jogo do Anjo, o livro mais sombrio de toda a saga com uma história densa e tensa, além de muito sombria e com elementos sobrenaturais. Cara, me emocionei com a história de Isabela. Mas me emocionei mesmo. O livro mostra todo o seu passado e como ela veio conhecer o seu futuro esposo, o Sr. Sempere.

Carlos Ruiz Zafón
Já em O Prisioneiro do Céu (2011), avançamos várias décadas e encontramos Daniel no ano de 1957 saindo da adolescência e entrando na  vida adulta. Trata-se de uma trama reveladora, onde o personagem irá descobrir alguns fatos perturbadores envolvendo sua mãe. Neste volume, Zafón deu um grande destaque para Fermin Romero, fiel companheiro de Daniel que o ajudou a investigar o intrigado caso envolvendo Julian Carax. Ele tem o seu passado exposto e com isso, importantes segredos durante a sua passagem pela prisão do Castelo de Montjuic são revelados. A obra que conta, também, novamente, com o retorno do escritor maldito David Martin faz ligação direta com A Sombra do Vento e O Jogo do Anjo. Podemos dizer que funciona como uma ponte unindo esses dois livros, utilizando para isso um personagem muito sombrio chamado Maurício Valls, um agente do governo que administra a prisão onde Fermin se encontra.

E por fim, em O Labirinto dos Espíritos (2017), que se passa em 1959,  Zafon introduz uma nova personagem, a investigadora Alicia Gris, cuja missão é solucionar o desaparecimento do ministro Mauricio Valls. Esta investigação revelará muitos segredos escondidos e unirá as quatro narrativas.

Portanto, recomendo iniciar a leitura por ordem cronológica dos acontecimentos narrados e não pela ordem de lançamento dos livros. O ideal é começarmos pela base da pirâmide: O Jogo do Anjo; na sequência, A Sombra do Vento; depois, O Prisioneiro do Céu e por último, O Labirinto dos Espíritos.

Amei os quatro livros, daí não poderia deixar de recomendar a saga para todas as pessoas que seguem esse blog. São poucos os personagens de livros com o poder de permanecerem guardados em nossa memória para sempre; aqueles que fazem parte do contexto de “O Cemitério dos Livros Esquecidos” tem esse dom.

Leiam, vocês irão adorar.

 

 

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