10/08/2012

A Corrente, passe adiante

Perturbador e desesperador. Foi assim que defini “Poltergeist – O Fenômeno”, filme escrito e produzido pelo gênio Steven Spielberg e dirigido por Tobe Hooper, outro gênio criador do clássico “O Massacre da Serra Elétrica”.
Na época que assisti ao filme, estava com os meus belos e saudosos 21 anos e a cena daquela menina lourinha conversando com a TV fora do ar, durante a madrugada, me provocou calafrios. A coisa ficou pior quando a garota jurou para os seus pais que tinha alguém dentro do aparelho conversando com ela! O negócio degringola de vez quando aquela mão fantasmagórica sai da TV fora do ar!! Mas a tal da mão sai muito rápido do aparelho, quando ninguém espera; como uma cobra dando o bote. Cara, o coração do menino aqui – menino naquela época – quase parou. Se fosse hoje, a pressão subiria.
Ok, vamos lá... Em 2002, nos meus 41 anos, jornalista formado, trabalhando no meio há mais de duas décadas,  quando já havia ‘engolido’ e ‘vivido’ com vários sapos e pensava que nada surreal sem uma explicação lógica pudesse me influenciar; eis que... vem aquela Samara Morgan de “O Chamado” toda alquebrada, andando como uma múmia e rastejando como uma aranha para me quebrar joelho, clavícula, espinha e tudo mais.
Dez anos depois de Samara e três décadas depois da menina lourinha, eu já estava pronto para cantar de galo novamente. Nesse período já havia assistido, resistido e até mesmo dado risadas de muitas histórias arrepiantes, entre possessões, vodus, mortos-vivos, zumbis, etc e etc... Mas, logo, surge a tal Bruna, personagem do livro “A Corrente, passe adiante”, de Estevão Ribeiro. E pronto! Lá vem aquele terror que eu pensava que já havia dominado.
 Amigo, para que você tenha uma idéia dessa menina horrenda, basta dizer o seguinte: “Junte Samara mais a menina de Poltergeist - no momento em que ela conversa com os seres diabólicos da TV - que você terá Bruna. Outra “cosita” troque a TV de “Poltergeist” e de “O Chamado” pela tela do computador de “A Corrente, passe adiante” que você terá terror em dobro.
Estevão Ribeiro (escritor, roteirista e ilustrador)
O livro de Estevão Ribeiro fala de um hacker chamado Roberto Morate que, ao repassar um e-mail que recebeu de uma garota desconhecida, descobre que salvou a sua vida, mas por outro lado, condenou a sua alma e de todos que receberam a corrente. Explicando melhor: numa belo dia, Roberto que tem como profissão roubar senhas bancárias de incautos internautas, recebe um e-mail misterioso de uma garota que diz já ter morrido. Algo do tipo: “passe esse e-mail para outras sete pessoas e você terá muita sorte. Nem pense em mandar essa mensagem para lixeira. Se você apagá-la, em 48 horas eu irei atrás de você, onde estiver...”
Ok, se coloque no lugar de Roberto, o que você faria? Apagaria a mensagem? Tudo bem. Vamos supor que você excluísse a corrente para a lixeira, e imediatamente, ouvisse o sinal de seu computador lhe avisando da chegada de uma nova mensagem. Neste momento, você até já se esqueceu do suposto “trote virtual”, então a nova mensagem chega ‘rasgando’: “Eu não lhe avisei para não jogar a mensagem na lixeira!! Vou lhe dar uma nova chance de viver. Repasse, agora, essa corrente para outras sete pessoas se não irei atrás de você!! Vai querer contrariar a vontade de uma morta?”
Ehehehe.... Pergunto-lhe novamente: “O que faria? Mandaria a mensagem, mais uma vez, para a lixeira ou a enviaria para os endereços de sete amigos virtuais?”
Cara, esse foi o drama do Roberto. Mesmo pensando, ainda, se tratar de algum trote; aquele friozinho na base de sua espinha, o alertou que seria melhor ‘despachar’ a corrente. E foi o que fez.
Quer saber se o hacker se livrou do problema? A resposta é NÃO, e com todas as letras maísculas. A sua vida se transformou num verdadeiro inferno. Além disso, ele condenou outras sete pessoas a viverem um inferno pior do que o seu, já que a maioria optou por não repassar a corrente.
Aiii meus 21 anos!! Que medo essa lourinha me causou!!
Há passagens perturbadoras em “A Corrente, passe adiante”, todas elas envolvendo a personagem Bruna. Em uma delas, Jeremias, um pobre coitado que recebeu a corrente e decidiu apagá-la, percebe os breves momentos de sua vida passando na tela do computador numa seção de fotos que vai se abrindo, uma a uma, numa coluna de imagens. Uma imagem traz Jeremias olhando para o computador com uma expressão de espanto e horror; coisa que ele realmente fez há poucos segundos atrás. A outra imagem traz Jeremias esbarrando o cotovelo numa caneca que estava em cima da mesa do computador, derrubando-a no chão; algo, que de fato, aconteceu a pouco tempo atrás. E assim, o horrorizado internauta vai vendo as fotos na sequência até chegar na última; aquela que selará o seu destino. Cara, juro que fiquei incomodado com essa passagem do livro, tanto é que decidi parar a leitura, porque já era de madrugada, estava com a luz da sala queimada e blá, blá, blá, blá e mais blá, blá, blá e blá; enfim, tudo aquilo que já contei na introdução do post “A Tumba” de Lovecraft.
Bruna é o resultado da soma de Samara + a menina de Poltergeist
Outra passagem que me fez “tremer na rampa” foi a de uma colega do Roberto que estava namorando numa sala de bate-papo, quando de repente, todos os nicknames que estavam na referida sala vão saindo, deixando o espaço virtual completamente vazio, à exceção da menina que estava por lá namorando e conversando com as amigas. Quando ela percebe, um outro Nick entra na sala.... Adivinha quem? Será que eu preciso falar? A tal da diabinha Bruna!! E então começa o diálogo entre as duas que provoca calafrios.
Além dessas duas passagens, há muitas outras bem tensas e até mesmo chocantes, como a de uma bonequinha mais feia do que o c..... bem, esquece; que aparece, de uma hora para outra, na tela do computador, com um sorriso bizarro e induzindo um assustado policial a fazer gestos semelhantes ao seu, como se o internauta’ fosse a sua marionete. Brrrrrrrrrr....
Citei essas cenas para que os leitores entendam que todo aquele medo que os diretores dos filmes “O Chamado” e “Poltergeist” canalizaram para uma televisão; o autor de “A Corrente, passe adiante” canalizou para um computador. Se naquela época, muitos deixaram de assistir televisão sozinhos até altas horas da madrugada; hoje, com certeza, vários leitores que já tiveram a oportunidade de ler o livro de Estevão Ribeiro ficaram receosos de abrir aquelas correntes que entopem as nossas caixas de e-mails. E mais do que isso, ficaram receosos de zapear na net até de madrugada. Acredite, “A Corrente...” tem esse poder.
Enfim, um livro que impressiona e como já disse, incomoda e muito. Uma leitura obrigatória para os fãs do gênero terror. Se tivesse de encontrar uma definição para o tipo de terror criado pelo autor no contexto de sua obra, acho que o termo correto seria: visceral. Isso mesmo; o tipo de medo que vem do fundo das nossas entranhas; um medo desconhecido.
Ao ver os seus e-mails voce pode dar de cara com a Bruna!
Quanto aqueles que não botam fé que autores brasileiros tem capacidade para escrever histórias de terror; aconselho dar uma olhadinha na orelha de “A Corrente, passe adiante”, onde está a apresentação da obra e também do escritor feita por ninguém menos do que Aguinaldo Silva.
Considero Aguinaldo o cara mais “crica’ do meio artístico. Ele fala o que quer, critica quem lhe der na ‘teia’, dá declarações polêmicas sem se preocupar se fulano é grande ou pequeno... talvez por ser tão sincero, ele tenha conquistado a fama de chato. Mas, algo não podemos negar jamais: a capacidade, talento e profissionalismo desse fantástico autor de novelas, minisséries e escritor. E tenham certeza de que Aguinaldo Silva não faz nada obrigado ou por amizade. Portanto, para ganhar uma apresentação sua, de próprio punho, o sujeito tem que ser bom mesmo; e o Estevão Ribeiro conseguiu essa proeza.
Quanto ao Roberto Morate, fica aquela perguntinha no ar. Será que ele vai conseguir se salvar a si mesmo e também as outras sete pessoas que condenou com o envio da diabólica corrente? E quanto a Bruna? Qual a origem desse ser hediondo?.
Só lendo o livro.
Inté!


08/08/2012

Pai de Amy Winehouse ‘abre o jogo’ em biografia sobre a filha

Capa do livro escrito pelo pai de Amy Winehouse
Os meios de comunicação de massa em geral, sejam eles, impressos, falados ou eletrônicos ‘só tem olhos’ para a mais nova biografia lançada no mercado: “Amy, Minha Filha”, escrita pelo pai da cantora britânica que ficou conhecida como a “Rainha do Soul Music”.
Amy Winehouse que foi encontrada morta em sua casa, em Londres, no dia 23 de julho, um sábado, faleceu aos 27 anos, acabada, fulminada, destroçada, moída – sei lá, entendam como quiserem – pelo uso de drogas pesadas e álcool durante anos.
Curiosamente, ao contrário do que a maioria das pessoas acreditava ter acontecido, a cantora não morreu de overdose. Bem, pelo menos foi isso que os exames toxicológicos apontaram. Amy teria sofrido convulsões provocadas pelo uso de um medicamento de nome Librium, utilizado no combate ao alcoolismo. Mitch Winehouse, pai da cantora, afirma que o remédio teria prescrição médica e ajudava na desintoxicação do organismo. Dias depois da morte da filha, ele revelou que Amy vinha sofrendo, com freqüência, fortes convulsões provocadas pela síndrome de abstinência. Ele acredita que essas convulsões tenham sido a causa da morte da filha que vinha fazendo de tudo para largar o vício do álcool e das drogas. Mitch ainda acrescentou que a cantora, apesar dos problemas, sempre foi uma pessoa especial e educada, atendendo todos os fãs com carinho e atenção.
Amy Winehouse: antes e depois das drogas
Olha... Eu tenho certeza absoluta que muitos internautas que leram esse post até aqui, agora, estão bradando aos quatro ventos: PQP lá vem outra biografia ‘mascarada’, daquelas escritas por um familiar ou amigo chegado, que quer transformar o bad boy ou a ‘santa’ numa pessoa imaculada, sério candidato (a) a canonização!
Calma, calma pessoal... Tudo indica que “Amy, Minha Filha”, lançado pela Record, quebra todos esses estereótipos que contribuíram para o descrédito de grande parte das biografias lançadas, até agora, no universo literário. Vejam bem, eu disse “tudo indica”, porque ainda não li o livro de Mitch Winehouse por isso não posso afirmar nada. As impressões que obtive sobre a obra são frutos de informações colhidas em jornais, entrevistas, Internet e também de um primo, residente em São Paulo, que comprou a obra e já está, segundo ele, com a leitura bem adiantada  bem pra lá do meio. Falei com ele anteontem pelo telefone  e conversamos uns dez minutos sobre a biografia.
Por isso, levando-se em conta todas essas fontes, “Amy, Minha Filha” é um relato bem fiel sobre a vida da cantora. Li há algum tempo numa revista, não me lembro qual, uma entrevista de Mitch dizendo que pretendia lançar um livro sobre a vida da filha; mas um livro que fosse o mais sincero possível. E, parece que o pai de Amy Winehouse cumpriu a sua promessa.
Antes de escrever esse post, por acaso li, uma reportagem do Jotabê Medeiros, publicada no Estadão, que opina sobre o livro.
Segundo a matéria preparada pelo jornalista do Estadão, o pai de Amy Winehouse abre o seu coração no livro contando ‘tudo e mais tudo’ sobre a vida da filha: os escândalos; o seu ‘debut’ no mundo das drogas pesadas, o relacionamento pai/filha que as vezes se tornava insuportável por causa das drogas e por aí afora.
Ele fala da amizade com a filha de forma franca, sem esconder suas fraquezas, suas falhas e suas inseguranças.
Mitch Winehouse ao lado da filha
Entre as passagens mais fortes do livro está o relato sobre a deterioração física e psicológica da artista que avançava dia a dia como os ponteiros de um relógio que só andam para frente. O pai de Winehouse presenciava essa degradação completamente impotente, sem nada poder fazer.
Ele recorda de situações muito constrangedoras, como num show de Tony Bennet, no qual ele teve de mandar a filha calar a boca durante a apresentação. Nesse dia, Amy teria dado um grande escândalo já que ficou completamente descontrolada por causa dos efeitos dos remédios que estava tomando para parar de beber. Mitch teve de abandonar o concerto por causa do clima pesado que passou a predominar.
Ele fala ainda sobre as crises de abstinência da filha que a levaram adiar shows e turnês; atitudes que acabaram colaborando para a decadência de sua carreira artística.. Sem contar as letras das músicas que passou a esquecer durante as suas apresentações.
A sua iniciação nas drogas, começando com a maconha e depois partindo para outros tóxicos pesados como a heroína. Na sequência veio o alcoolismo que acabou por detonar a sua saúde e também o seu corpo.
E como era o relacionamento de Amy Winehouse ‘possuída’pelas drogas e o álcool com os seus familiares. Mitch também abre o jogo.
Enfim, Amy, Minha Filha é uma biografia verdadeira que reval não só o lado bom da cantora, mas também o chamado “lado negro da força”. Mitch, literalmente, escancara as portas de seu coração e de sua alma e coloca para fora o seu amor, a sua dor e também a sua raiva...   Por tudo isso, uma biografia verdadeira.

06/08/2012

A tumba e outras histórias


A coisa tá complicada. Não que eu seja um “borra-botas”, mas confesso que agora, enquanto estou escrevendo esse post, um friozinho na espinha me incomoda. Putz! É duro para um jornalista cinqüentenário que já passou por situações complicadas e até mesmo perigosas admitir que ficou impressionado (para não dizer com medo) com a história de um livro. Isto mesmo, um livro, que ele não quer continuar a leitura porque está sozinho em casa, com a lâmpada da sala queimada – sem outra para repor – além dos ponteiros do relógio de seu quarto acusar que já se passam da 1H30 da madrugada.
O livro que me deu uma ‘fraquejada’ nas pernas não foi “A Tumba”, de H.P. Lovecraft, mas outro, chamado “A Corrente – Passe Adiante”, do Estevão Ribeiro. Ô livrinho foda! A tal Bruna do enredo arrebenta os nervos de qualquer leitor. Sabe aquela cena do filme “O Chamado”, em que um sujeito está na frente da televisão observando a imagem de um poço, então, de repente, percebe que algo estranho vai saindo das suas profundezas, e esse algo é uma criança diabólica que caminha de uma forma esquisita – meio torta, meio de lado, sei lá - até dar um bote - como uma cobra – saindo do interior da TV e pulando em cima do pobre coitado que assiste a tudo aterrorizado? Então, multiplique o medo e a tensão dessa cena por 10... Pronto! É o que a historia do Estevão faz contigo.
E para complicar ainda mais, hoje antes de ir embora, a minha faxineira, me pegou no flagra olhando debaixo da cama. Tudo bem, tudo bem, confesso que tenho esse hábito. Sei lá, pode ser um tique ou uma mania, mas na verdade, esse gesto me deixa tranqüilo antes de deitar ou descansar na minha caminha macia; quer dizer, me deixava até há poucas horas, antes da dona Benedita, a faxineira, exclamar:
- Faz isso não ‘seo’ José!
- Ué? Porque?, respondi.
- É que uma amiga minha tinha essa mesma mania; então numa noite quando ela se abaixou prá olhar debaixo da sua cama....
Cara! Deixa quieto! Não vou repetir o que a Dita me falou! Mesmo porque foi algo tão surreal que jamais poderia ter acontecido com a coitada da ‘vítima’ que espiou debaixo do seu leito. Mas mesmo assim, somado à luz queimada da sala, ao livro “A Corrente”, à minha solidão e à hora avançada, me deixou, digamos, que incomodado ou com.... com... vá lá, medo mesmo!
Por isso, talvez, num gesto de auto-afirmação resolvi combater o meu medo escrevendo sobre o medo. Deu pra entender? Se não deu, paciência; sei que estou meio complicado, hoje... Pois bem, fui até a minha estante e apanhei o livro “A Tumba e outras histórias”, de H.P. Lovecraft, que já havia lido há alguns meses. Mesmo porque não estava afim de encarar “A Corrente, passe adiante” quando os ponteiros do meu relógio marcavam quase duas horas da madruga. Preferi sair na briga com Lovecraft, que assusta, mas de maneira menos visceral e masoquista como o Estevão faz em sua obra.
A Bruna é pior do que aquela menina que sai da TV em O Chamado
Como todos os livros de contos, “A Tumba” tem histórias ótimas, mas também tem outras fraquinhas. O importante é que no cômputo geral, o livro de Lovecraft cumpre o seu papel já que os contos ruins são poucos. A maioria é verdadeira jóia rara do gênero terror, no qual Lovecraft se tornou mestre e mestre dos bons. Basta dizer que o autor influenciou vários escritores da atualidade, se tornando referência para eles, entre os quais o grande Setphen King.
O livro é dividido em três partes. Na primeira, são apresentados os oito contos principais, todos eles escritos na fase adulta de Lovecraft. Na segunda parte, temos as primeiras histórias escritas pelo autor, ou seja, em sua adolescência, por volta dos 15 anos. Vale lembrar que a maior parte desse material acabou sendo destruído; o que é uma pena, mesmo assim, “A Tumba” nos brinda com cinco histórias dessa fase da vida de Lovecraft. São elas: “A Fera na Caverna”, “O Alquimista”, “Poesia e os Deuses”, “A Rua” e “A Transição de Juan Romero”.
Apesar de serem histórias do início da carreira do escritor, elas tem muitas qualidades, deixando evidente o talento prematuro de Lovecraft. Gostei demais de “A Fera na Caverna” e “O Alquimista”. A primeira, conta a história de um homem que se perde de seu grupo durante a visita a uma caverna. Munido apenas de uma tocha que já começa a se apagar, ele se ‘afunda’ cada vez mais nas entranhas da caverna, onde pressente a presença de uma fera bestial, a qual consegue ferir e depois fugir. Ao encontrar o guia do grupo, eles resolvem voltar a caverna na esperança de localizar a fera. É nessa hora que os dois acabam tendo uma surpresa!
Já o conto “O Alquimista” mistura feitiçaria e demonologia. A coisa é braba. Já com 15 anos, Lovecraft mexia com esses temas pesados, mas não podemos negar que a história é ‘de primeira’, mesmo o autor tendo escrito em sua adolescência, quando ainda carecia de uma melhor técnica literária. “O Alquimista” conta a história de uma família francesa vítima de uma maldição que já atravessa gerações. Um dos antepassados do conde Antonie matou injustamente um homem, condenando-o à fogueira por bruxaria. O filho da vítima, então, lança uma maldição contra várias gerações da família do conde: todos os seus descendentes morrerão de forma misteriosa ao completarem 32 anos. A profecia se cumpre até a morte do pai do conde Antonie que, por sua vez, passa então estudar temas ocultos como feitiçaria e demonologia para tentar encontrar um meio de escapar da maldição. Mas... o que ele descobre é algo aterrador. Culpa dos seus estudos ocultos.
Não gostei de “A Rua”, achei bem fraquinho para o gênero terror, aliás, nem sei se enquadraria nessa categoria. Na história, Lovecraft dá vida a uma rua, narrando tudo o que “ela” viveu e presenciou. Interessante, mas nada assustador.
“Poesia e os deuses” é um conto que deixa evidente a queda do autor por mitologia grega. Ele narra a curiosa saga de uma personagem chamada Márcia que cansada do mundo em que vive e sem perspectivas de vida, um dia recebe a visita do deus grego Hermes que a leva para um passeio no Monte Olimpio. Lá, ela descobre que os deuses não estão mortos, mas apenas dormindo e que eles se comunicam com as pessoas na terra por intermédio dos poetas e de suas poesias. Também não gostei da história. Se ela assusta? Nem um pouco.
H.P. Lovecraft
Encerrando a segunda parte do livro “A Tumba”, temos “A Transição de Juan Romero”, mais um conto escrito pelo então adolescente Lovecraft. Durante a corrida do ouro na California, dois homens trabalham numa mina misteriosa. Certo dia, os mineiros, na esperança de encontrar mais ouro, resolvem dinamitar determinado ponto da mina, abrindo um poço, aparentemente sem fundo. O poço dará muito trabalho para aqueles homens, além de “meter” um medo danado nos leitores. Gozado né?! Adorei esse conto, me assustou mesmo, mas descobri que o Lovecraft detestava a história, a qual escreveu em apenas um dia. Tanto é que nunca a enviou para ser publicada em nenhuma revista. Pensou até mesmo em se desfazer dela, o que só não aconteceu por causa de um amigo que lhe pediu os manuscritos para datilografá-los, como vinha fazendo com outras histórias do autor. “A Transição de Juan Romero” só viria a ser publicada anos depois da morte de Lovecraft.
FalandoEscrevendo agora sobre os oito contos principais do livro “A Tuma e outras histórias” que compõem a primeira parte da obra, achei todos muito bons, mas nenhum deles, se compara a “Entre as Paredes de Eryx”. Esse conto é tão bom que estupendo e merece um post só dele.
01 – A Tumba
“A Tumba” é o conto de abertura do livro e não nega fogo. O personagem Jervas Dudley revela que foi um garoto atípico dos demais em sua juventude, lendo e fazendo coisas bem diferentes das outras crianças e jovens de sua idade. Então, numa noite, ele descobre a existência de uma tumba abandonada no mausoléu de uma família tradicional. Dudley passa a sentir uma estranha atração por essa tumba a qual começa visitar com freqüência. Lovecraft conseguiu criar uma história sinistra, densa e com um personagem mórbido ao extremo. Dudley começa narrando a sua apavorante experiência trancafiado num asilo para loucos. Isso faz com que o leitor fique em dúvida se a história é real ou fruto dos devaneios psicóticos do personagem. Não importa; de uma maneira ou de outra, a experiência vivida por Dudley é terrificante...
02 – O Festival
Mais um conto ultra-sinistro de Lovecraft. Se em “A Tumba”, Jervas Dudley é mórbido “no úrtimu grau”; em “O Festival”, a morbidez fica por conta da situação vivida pelo personagem central que visita uma cidade abandonada. O pobre rapaz se vê participando de um festival macabro de gelar o sangue. O final do conto faz com que o leitor reflita se toda a situação infernal vivida pelo personagem não foi resultado de sua imaginação... ou se ele, de fato, esteve presente naquele festival assustador.
03 – Aprisionados com os faraós
O conto é bem descritivo no início, com o autor optando por descrever detalhes do Egito, numa verdadeira aula sobre as pirâmides, geografia, costumes e até mesmo a gastronomia egípcia. Na segunda parte da história “o bicho pega” entrando em cena o sobrenatural, o macabro, o mórbido e a loucura; características principais da escrita de Lovecraft.
“Aprisionados com os faraós” tem a presença de um personagem real: o famoso ilusionista e escapista Houdini. A história é narrada por um personagem próximo ao mágico e que presenciou o misterioso e perturbante caso. Segundo o narrador, Houdini propõe um desafio: conseguir escapar da tumba de um faraó. O conto descreve o esforço de Houdini em concretizar a sua proeza. Quando menos se espera, ele é obrigado a tentar escapar de criaturas sobrenaturais terríveis. Depois de “Entre as Paredes de Eryx”, esse conto é disparado o melhor do livro.
04 – Ele
Conto fraquinho. Não gostei. Um poeta resolve ir até Nova York para descobrir a magia que a cidade esconde. Chegando lá, ele decide fazer um pacto com um grupo de feiticeiros de antigas tribos indígenas capaz de fazer revelações sobre o passado e o futuro. O que o poeta descobre sobre a cidade acaba sendo muito mais do que ele gostaria.
05 – O horror em Red Hook
“O Horror em Red Hook” é um conto mediano sobre um velhinho que deixa uma cidade em polvorosa dando um trabalho danado para a polícia. O ancião mexe com ocultismo e faz coisas do arco da velha levando pânico para a polícia que acaba designando um detetive famoso para investigar o caso.
06 – A estranha casa que pairava na névoa
A história escrita por Lovecraft foge completamente da cansada e comum narrativa da casa mal assombrada. Apesar do enredo não ter o horror presente nos contos anteriores, cumpre bem o seu papel de prender o leitor da primeira a última página. Uma casa localizada num penhasco e supostamente habitada aguça a curiosidade das pessoas, já que não há nenhum caminho lógico para se chegar até ela. Então, como poderia ter alguém morando nela??! Um filósofo decide desvendar o mistério. Ele consegue chegar até a casa onde acaba tendo um estranho e inusitado encontro com o morador.
07 – Entre as paredes de Eryx
Meu amigo, pode pará!! Pára tudo mesmo! Um dos melhores contos que li em toda a minha vida. O drama de um explorador que vai até o planeta Venus em busca de valiosos cristais e acaba ficando preso numa fantástica – para não dizer terrível – armadilha alienígena é para disparar o coração dos leitores mais corajosos. Um conto agoniante. Não vou dar nenhum outro detalhe, pois como já disse, “Entre as paredes de Eryx merece um post só dele. E é o que farei brevemente nesse blog. Aguardem.
08 – O clérigo diabólico
Traços representando Lovecraft
Conto curto, menos de quatro páginas; outro que também não gostei. Achei sem sal e açúcar. Um homem conta a experiência que teve ao visitar o sótão de uma casa, onde descobriu um objeto que o fez conhecer o tal do clérigo diabólico.
Na terceira e última parte do livro “A Tumba e outras histórias” - denominada ‘Fragmentos’ - foram publicados rascunhos e notas feitas pelo autor. Ele pretendia transformar esse material em novas histórias, o que acabou não acontecendo.
Estas anotações foram encontradas entre os papéis de Lovecraft e são presumivelmente as suas tentativas de tomar nota de alguns de seus sonhos, numa forma rudimentar, com o intuito de desenvolver histórias mais longas. Mas como já escrevi, nenhuma delas chegou a ser desenvolvida.
Os leitores terão acesso a quatro fragmentos de histórias: “Azathoth”, “O Descendente”, “O Livro” e “A Coisa no Luar”. Após ler essas anotações tentei imaginar como elas ficariam se chegassem a ser transformadas em histórias.
 “A Tumba e outras histórias” é um bom livro para aqueles que querem conhecer mais de perto o estilo único de H.P. Lovecraft. Todos os contos são narrados em primeira pessoa e sempre começa com o narrador criando um clima de suspense, dizendo, geralmente, que a experiência vivida por ele foi tão amedrontadora que prefere esquecê-la, mas adivinhem se ele não irá relembrá-la para o deleite de todos nós...
É isso aí, já passam das 2h30 da madruga e agora já vou pra cama, mas sem olhar debaixo dela, e muito menos sem ler nenhuma linha de “A Corrente, passe adiante”. Aiiii, aquela Bruna.... Brrrrrrrrrrrr. Só de pensar já me dá arrepios; mas tanto ela quanto o livro de Estevão Ribeiro são temas para um próximo post.
Inté!

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