02/05/2019

A Metade Sombria

Relançamento recente da editora Suma

Fico imaginando o plot de “A Metade Sombria” nas mãos de um outro autor que não fosse Stephen King. Acredito que a obra teria uma chance enorme de entrar no rol das mais ridículas do século, e encabeçando a lista. Digo isto porque a essência do enredo é muito inverossímil, algo amalucado, completamente fora da realidade. Falar o que de uma história onde um escritor famoso, de repente, vê o seu alter ego se “despregar” de sua alma e sair por aí aprontando poucas e boas? Tudo isso sem nenhuma explicação plausível. Ah! Lembrando ainda que o tal alter ego é de carne e osso, ou seja, ele não é nenhum fantasma ou alma penada, pelo contrário, o espertinho é bem consistente.
Juro que estava com uma cisma danada de “A Metade Sombria”, pois já conhecia esse plot maluco e fiquei temeroso em comprar a obra. Estava quase chegando ao ponto de adquirir o livro somente pelo seu layout e também para complementar a coleção “Biblioteca Stephen King” lançada pela Suma e que já se encontra em seu 5º volume. Juro que não pretendia lê-lo. Ocorre, galera, que o homem que deu vida a esse plot esquisito se chama Stephen King. Pois é, levando-se em consideração o nome do autor, resolvi comprar e ler o livro; aliás, acabei de ler.
E quer saber? Simplesmente, quebrei a cara. O livro é maravilhoso. King mostrou porque é considerado um dos melhores escritores – se não, o melhor – do gênero terror em todo o mundo. Ele transformou um enredo maluco e inconcebível em algo próximo da realidade. Acredite, King chegou ao ponto de buscar informações científicas que comprovam ser possível partes de um irmão gêmeo já morto - olhos, unhas, dedos ou dentes - sobreviverem no organismo do outro gêmeo que conseguiu se manter vivo. Loucura, não? Mas o autor consegue envolver o leitor com tanta intensidade que ele acaba acreditando em seus argumentos. A partir daí a leitura passa a fluir de uma maneira maravilhosa e até conseguimos esquecer do plot que momentos antes achávamos inverossímil.
Mesmo tendo alguns trechos cansativos – acho que King poderia ter enxugado um
Lançamento original de 1991
pouco mais a história e deixado com bem menos páginas do que as 464. Achei alguns diálogos e interações de personagens desnecessários, mas nem esse detalhe consegue tirar os mérito da obra que são muitos.
Em a “Metade Sombria”, King conta a história de um conceituado escritor chamado Thad Beaumont que após sofrer um bloqueio literário, decide adotar um pseudônimo e escrever romances policiais violentos, fugindo completamente de seu estilo clássico. Surge, assim, George Stark que é completamente diferente da sua outra metade. Explicando melhor: Ao criar o seu alter ego, Thad decidiu torna-lo o mais próximo possível da realidade. Para isso, ele escreveu até mesmo uma falsa biografia para Stark – um ex-presidiário, arrogante, violento e que só escrevia os originais de seus livros com lápis preto já que não sabia datilografar. O segredo de que Thad e Stark são a mesma pessoa é conhecido apenas pela sua mulher de Thad e o seu editor.
A ideia deu certo e os livros de Stark tornaram-se verdadeiros best-sellers, mas acontece que Thad estava a cada dia incorporando os hábitos nada salutares de sua “cara” metade. Após algum tempo, Thad resolve escrever um livro com o seu nome verdadeiro e aproveita a oportunidade para se livrar do “escritor maldito”, revelando que ele e George Stark são a mesma pessoa. Pronto, a partir daí começam os problemas na vida de Thad.
“A Metade Sombria” tem um enredo muito tenso e essa tensão vai aumentando com o desenrolar da história. O final é apoteótico, daqueles que ficam guardados muito tempo em nossa memória.
É importante frisar que a obra foi lançada no Brasil, originalmente em 1991, pela editora Francisco Alves como parte da coleção "Mestres do Horror e da Fantasia. Desde então, encontrava-se esgotada em todo o País. Há poucas semanas, a Suma relançou a história numa versão luxuosa de encher os olhos.
Antes que me esqueça, depois que li o livro fiquei com muita cisma de pardais, ao ponto de me assustar com essas aves tão inofensivas. Inofensivas? Será?! Após o “The End” de “A Metade Sombria” vocês ficarão sabendo o motivo do meu receio.
Inté!

28/04/2019

10 livros com reviravoltas incríveis que farão o seu queixo cair


Li tantos livros e assisti tantos filmes com reviravoltas surpreendentes que hoje tive a ideia de escrever um post sobre o assunto. Esta ideia ficou ainda mais definida depois de ter assistido, novamente, ao filme “O Planeta dos Macacos” (1968), com o saudoso Charlton Heston. C-a-r-a-c-a! Que final é aquele?! Na minha opinião, mesmo já tendo passado mais de meio século, aquela reviravolta na trama continua sendo uma das mais inesperadas na história do cinema.
Cara, fiquei tão chocado com a imagem final que anos depois decidi ler o livro do francês Pierre Boulle - no qual foi baseado o filme - para constatar se havia semelhança entre os dois “The End”: o das telonas e o das páginas. Apesar dos dois finais serem tão diferentes como a água e o óleo, as páginas finais da história de Boulle é um petardo no queixo dos leitores. Fiquei completamente abobado. Uloko! Que qué aquilo!!
Posso dizer que a inspiração para essa postagem foi tanto o filme quanto o livro “O Planeta dos Macacos”. Pretendia escrever o texto já há algum tempo, mas por um motivo ou outro, sempre fui protelando, mas agora chegou o momento. E nada mais justo do que começar com a obra que me inspirou o post. Vamos a ela...

01 – O Planeta do Macacos (Pierre Boulle)
O livro é ótimo e não seria nenhuma heresia afirmar que é muito superior ao filme com Charlton Heston. A obra de Boulle é bem mais profunda e questionadora. Nela, diferentemente do filme, ficamos sabendo como os macacos conseguiram subjugar a raça humana, ou seja, como essa inversão de valores começou. O autor dá, inclusive, exemplos práticos dessa dominação num relato chocante de como tudo teve início. Boulle também aprofunda o relacionamento entre os seus personagens, principalmente o humano Ulysses e os símios Cornelius e Zira. Os diálogos envolvendo os três são impagáveis.
Outro detalhe que percebi foi o tom visceral do livro que faz todos os filmes da franquia parecerem verdadeiros contos de fadas, principalmente nos trechos onde Boulle descreve cruamente as experiências que os macacos realizam nos cérebros dos humanos. Algumas delas chegam a ser surreais devido ao grau de violência que impressionam qualquer leitor.
Quanto ao final... Pode pará! Prepare-se. Apesar de diferente do filme estrelado por Heston, a reviravolta final de “O Planeta dos Macacos” das páginas é tão ou até mais avassaladora. Sinceridade? A minha queixada inteira caiu. Não esperava por aquilo; mesmo.
02 – Até Você Ser Minha (Samantha Hayes)
Até Você Ser Minha” tem o maior plot twist de todos os livros que li até agora. Imagine um boxeador levando um soco direto no queixo e perdendo o rumo. É dessa maneira que sentimos ao ler as últimas páginas da obra. Quando vem a revelação final... “PQP! Como aconteceu aquilo!”
Cara, garanto que o plot twist criado por Hayes é fantástico e ficará gravado na mente dos leitores. A autora, com certeza, trollou toda a galera. Juro que no final do livro me senti deliciosamente trolado, enganado, mesmo.
Hayes conta a história de uma assistente social chamada Claudia Morgan-Brown que após vários abortos involuntários está prestes a realizar o sonho de sua vida: dar à luz uma menininha. Apesar da ausência do marido ao longo da gravidez – James é um oficial da Marinha que fica semanas e até meses longe de casa – ela mal pode esperar para segurar o seu bebê nos braços após várias tentativas e perdas.
Porém, as diversas atividades de Cláudia, além da responsabilidade de cuidar dos gêmeos, filhos do primeiro casamento de James, deixam o casal preocupado, ainda mais com a aproximação de uma nova partida de James. É então que eles decidem contratar uma babá chamada Zoe que deseja muito esse emprego. Com as melhores recomendações, ela conquista a confiança da família e se muda para o lar do casal. Com o passar dos dias, Cláudia teme que a misteriosa mulher tenha outros motivos para se aproximar de sua família. Entonce, chega o final e com ele a grande reviravolta.
03 – Eles Merecem a Morte (Peter Swanson)
Como já escrevi num post anterior, “Eles Merecem a Morte” tem porradas para nocautear qualquer pessoa. Quando digo ‘porradas’ estou me referindo as reviravoltas na trama. E olha que são três porradas para deixar o leitor desorientado e de queixo caído. Peter Swanson, no início de seu enredo, nos conduz para um desfecho dentro da normalidade, ‘entonce’, a partir da página 136, de sopetão, vem a primeira pancada. Esta primeira reviravolta mexe com toda a trama e modifica o chamado ‘modus operandi’ de alguns personagens. Fiquei impactado.
As duas outras porradas no decorrer do romance não tiram o chão do leitor, como a primeira, mas também são ‘trucões pesados’ e desnorteiam. O autor faz você pensar que vai acontecer algo, mas esse algo não acontece. Então, você para e diz: “ué, cadê?!” Quando se recupera dessa surpresa e prossegue a leitura, chega o ‘golpaço’ inesperado.
Além dessas três reviravoltas maiores em “Eles Merecem a Morte”, nós ainda somos brindados com várias outras surpresas, incluindo um final de  apenas oito linhas que consegue, novamente deixar o leitor boquiaberto, arrematando a história.
No livro, o personagem Ted Severson - que aguarda no aeroporto o voo de Londres para Boston - conhece a bela e misteriosa Lily Kintner. Depois de vários martinis, os dois estranhos decidem fazer um jogo: cada um deve contar os seus segredos mais íntimos a respeito de si mesmo. Ted revela, então, que está sendo traído por sua esposa, Miranda. Porém, o que começa apenas como uma brincadeira inocente entre dois desconhecidos acaba tomando proporções perigosas quando Ted sugere que sente vontade de matar a sua mulher, e Lily surpreendentemente decide ajuda-lo.
Paro por aqui, porque contar mais do que isso seria estragar a leitura da galera com spoilers.
04 – Os Sete Minutos (Irving Wallace)
Um misterioso escritor chamado J.J. Jadway escreveu “Os Sete Minutos”, considerado o romance mais injuriado e polêmico de todos os tempos. Tido pelos jornais e críticos como o livro mais pornográfico já escrito desde que Gutenberg descobriu a imprensa.
Na época de seu lançamento, “Os Sete Minutos” escandalizou toda a sociedade e ficou proibido durante 35 anos, ganhando o status de obra maldita, mas por outro lado cultuada. Quanto a J.J. Jadway, se tornou um mito, uma verdadeira lenda. Por causa da obra polêmica, há três décadas e meia, Jadway acabou sendo expatriado e a partir desse momento ninguém nunca mais souber informar o seu paradeiro: se ele estava vivo ou morto. O lendário escritor que havia revolucionado a linguagem dos romances convencionais, após cair em desgraça por causa de sua obra, simplesmente desapareceu, mas “Os Sete Minutos” continuaria causando furor.
Decorrido todo esse tempo, uma editora resolveu relançar o polêmico  romance, mas um ambicioso e retrógrado promotor de uma pequena cidade americana, ainda entendia que o livro se tratava de uma obra obscena. Por isso, o magistrado acaba prendendo um pacato livreiro que vendia exemplares de “Os Sete Minutos” em sua loja. De acordo com o código penal da Califórnia, em seu artigo 31, a venda de material obsceno é crime passível de prisão. Para complicar ainda mais a vida do pobre livreiro, a obra teria sido a causa de um estupro brutal seguido de homicídio. Um adolescente afirma que após ler o texto maldito de Jadway, teria perdido o controle, vindo a estuprar e matar uma jovem.
Leitores... preparem-se para a incrível reviravolta na trama envolvendo o personagem J.J.Jadway. Um dos melhores plot twist que já li, juntamente com “Até Você ser Minha”, é claro.
05 – Garota Exemplar (Gillian Flynn)
My God! Que final foi aquele! Fiquei estonteado. Verdade!
Em “Garota Exemplar” de Gillian Flynn, a personagem Amy, uma garota rica e mimada, mas também muito inteligente, desaparece no dia em que completaria o seu 5º aniversário de casamento com Nick Dunne. Os dois tinham uma união perfeita, do tipo nascidos um para o outro como ela mesma escrevia em seu diário. Então fica a pergunta no ar: “Por que, Amy decidiu sumir do mapa?”.
Ao desaparecer, a garota deixa pistas de caça ao tesouro para que Dunne tente encontra-la, como eles sempre tinham o hábito de fazer.
É o tipo do livro que do começo ao fim faz com que o leitor mude de opinião frequentemente até chegar ao bombástico final.
06 – O Vendedor de Histórias (Jostein Gaarder)
Jostein Gaarder é o mesmo autor de “O Mundo de Sofia”. Se “O Vendedor de Histórias” não se compara com a sua obra prima, pelo menos o seu final é inesperado e chocante. Digo chocante porque irá, de fato, chocar a maioria dos leitores, para não dizer todos.
Mas, cá entre nós, vamos ser justos; “O Vendedor de Histórias” pode até ser inferior ao “Mundo de Sofia”, mas tem um enredo que consegue prender a atenção da galera.
Petter era um garoto diferente dos outros. Ao crescer, ele virou Aranha, uma espécie de ghost-writer, que vende os frutos de sua imaginação para os escritores sem ideia.
Desde muito jovem, Petter vive num processo criativo constante, inventando enredos o tempo inteiro, por vezes uma meia dúzia de histórias ao mesmo tempo. Intriga, mistério, policial, romance, etc. Um solitário que vai guardando histórias que serão a base para a sua futura “atividade profissional”. Ao crescer, adota o pseudônimo de Aranha e começa a vender as suas histórias para outros escritores.
Prestem atenção na personagem Maria; a grande reviravolta começa com ela.
07 – Novembro de 63 (Stephen King)
O livro “Novembro de 63” de Stephen King tem um final arrebatador. Ao terminar de ler a última página do livro além de surpreso, fiquei angustiado. Me bateu uma tristeza muito grande e juro que algumas lágrimas insistiram em rolar. Não imaginava aquele final... Não sabia se ficava emocionado ou surpreso com o plot twist magistralmente engendrado por King.
Acredite, King me fez chorar de emoção. Estranho não é? Afinal, o sujeito é o mestre do terror e suspense e não o mestre dos romances melosos! Éstá aí um ponto a mais para o autor que sempre surpreende e inova em suas histórias.
Desta vez, ele inovou ao criar um personagem que encontra uma maneira de voltar ao passado, momentos antes de Lee Harvey Oswald assassinar John Kennedy. Com isso, o professor Jake Epping tenta evitar a tragédia e reescrever a história mundial.
08 – A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert (Joël Dicker)
Com apenas vinte e oito anos, um jovem escritor chamado Marcus Goldman publicou um livro que se tornou um best-seller. Resultado, ainda jovem se viu alçado repentinamente ao status de celebridade, com direito a um apartamento chique em Manhattan, um carrão, uma namorada estrela de TV, além de um vasto rol de vantagens encima de vantagens. Mas a alegria cedeu espaço para a preocupação quando Marcus foi acometido pela doença dos escritores: o bloqueio criativo.
A poucos meses do prazo para a entrega do novo original, pressionado por seu editor e por seu agente, Marcus não consegue escrever nem uma linha sequer. Na tentativa de superar seu bloqueio criativo, Marcus recorre a seu amigo e ex-professor Harry Quebert, um dos escritores mais respeitados dos Estados Unidos, que vive numa bela casa à beira-mar na pequenina cidade de Aurora, em New Hampshire. Às voltas com sua dificuldade em escrever, Marcus é surpreendido pela descoberta do corpo de uma jovem de quinze anos, Nola Kellergan — que desaparecera sem deixar rastros em 1975 —, enterrado no jardim de Harry, junto com o original do romance que o consagrou.
Cara, se prepare para o festival de reviravoltas que começam a acontecer a partir desse momento. Fantástico!
09 – Conte-me Seus Sonhos (Sidney Sheldon)
Digo sempre para os meus amigos que o final de “Conte-me Seus Sonhos” de Sidney Sheldon é impensável ou anormal. Um “The End’ que tira o ar dos nossos pulmões. Quando terminei o livro, jamais pensei naquela conclusão.
Sheldon narra uma série de assassinatos brutais onde as vítimas são mortas de maneira cruel. Os crimes ganham repercussão mundial e após várias investigações, a polícia chega a uma suspeita em potencial: Ashley Patterson, de 20 anos. Uma moça de bom coração, uma verdadeira samaritana. Resumindo: a moça é presa e vai a julgamento. De um lado, um promotor que afirma ter provas ferrenhas de que ela é a criminosa e por isso, exige a pena de morte. Do outro lado; um jovem advogado que coloca a sua carreira em jogo por defender Ashley, acreditando veemente em sua inocência.
Com o “andar da carruagem”, surgem mais duas lindas mulheres que também podem estar envolvidas nos crimes: Toni Prescott e Allete Peters. Todas jovens e sem antecedentes criminais. A grande pergunta é quem cometeu os crimes brutais?
Entonce... vem a surpresa. E que surpresa!
10 – Mentirosos (E. Lockhart)
Existem finais de livros que ficam guardados em nossa memória por toda a vida. Não tenho vergonha em dizer que até hoje, quase quatro meses, após ter lido “Mentirosos” de E.Lockhart ainda me emociono.
O final da trama não é só surpreendente – e quando digo surpreendente, estou querendo dizer algo do tipo: tirar completamente o chão dos leitores – mas emocionante até a última gota.
A tal virada surpreendente acontece no último capítulo intitulado ‘Verdade’. Garanto que é algo bombástico. É a partir daí que todos os esclarecimentos envolvendo os quatro personagens principais da trama chegam à tona. Mesmo a autora, em alguns trechos, soltando algumas pistas sobre o final impactante, tenho convicção que o leitor não irá sequer imaginar o que o último capítulo lhe reserva. É algo... sei lá, que não passa na cabeça de ninguém que lê o livro. E quando você descobre o que é, o seu queixo cai. Conheço alguns amigos que estão lendo a obra de Lockhart, exclusivamente, por causa de seu final inesperado.
Na trama, os Sinclair são uma família rica e renomada, que se recusa a admitir que está em decadência e se agarra a todo custo às tradições. Assim, todo ano eles passam as férias de verão numa ilha particular. Cadence — neta primogênita e principal herdeira —, seus primos Johnny e Mirren e o amigo Gat são inseparáveis desde pequenos, e juntos formam um grupo chamado Mentirosos. Cadence admira Gat por suas convicções políticas e, conforme os anos passam, a amizade com aquele garoto intenso evolui para algo mais. Mas tudo desmorona durante o verão de seus quinze anos, quando Cadence sofre um estranho acidente do qual não se recorda. Ela passa os próximos dois anos em um período conturbado, com amnésia, depressão, fortes dores de cabeça e muitos analgésicos. Toda a família a trata com extremo cuidado e se recusa a dar mais detalhes sobre o ocorrido… até que Cadence finalmente volta à ilha para juntar as lembranças do que realmente aconteceu. E quando ela descobre... vem a surpresa arrebatadora.
Taí galera que aprecia grandes reviravoltas nos livros ou então finais surpresas. Escolhem o seu e boa leitura!
Inté!

24/04/2019

A Cinco Passos de Você


No mês passado quando fui à biblioteca municipal fazer uma reportagem, aproveitei para dar uma ‘zapeada’ nos livros tão aconchegantemente acomodados nas diversas estantes. Ah! Sabiam que a biblioteca da minha cidade está no céu? Não no céu de Jesus, mas no céu dos homens. Estas três letrinhas são as iniciais de Centro de Educação Unificada que abriga a biblioteca do município. Sabem que é até engraçado, porque já virou hábito o pessoal da city dizer que vai no CÉU pegar um livro e não no CEU (sem o acento grave). Até mesmo muitas autoridades municipais e regionais agem dessa maneira quando concedem entrevistas. Eu, mesmo, quando fui até lá tasquei: - Hoje tenho uma entrevista agendada no Céu – um dos meus colegas de trabalho que leva tudo na brincadeira, perguntou se eu iria entrevistar São Pedro ou Jesus.
Putz, eu e as minhas divagações, novamente. Para com isso Jam!! Bem, voltando ao assunto e recuperando o fio da meada. Enquanto olhava as estantes vi na seção de livros novos, o lançamento “A Cinco Passos de Você”. Então, lembrei que já havia lido alguma coisa sobre a obra, inclusive que seria adaptada para o cinema. Pois é, resumindo, a curiosidade falou mais alto e acabei emprestando o livro.
Li as 288 páginas muito rápido. Acho que em 3 dias ou menos. Quem leu e gostou de “A Culpa é das Estrelas” e “Como eu era antes de você”, decerto irá adorar “A Cinco Passos de Você”. No meu caso, não gostei do livro de John Green, mas apreciei a obra de Jojo Moyes. Quanto ao enredo de Raquel Lippincot achei razoável: anos luz distante de “Marina”, de Carlos Ruiz Zafon, por exemplo, mas melhor do que “A Culpa é das estrelas” e no mesmo nível de “Como eu era antes de você.
Por ser uma história simples, acaba se tornando fluida e com isso, rápido de ler. O livro segue aquela temática tão comum na maioria dos romances de amores impossíveis, ou seja, duas pessoas que se amam, mas não podem ficar juntas por que uma delas está com a sua vida condenada, quase sempre por causa de uma doença incurável. Foi assim com “Love Story”, foi assim com “Escrito nas Estrelas” e foi assim com “A Cinco Passos de Você, mas com uma diferença, nesse último caso, não apenas um, mas os dois estão com as suas vidas abreviadas.
Neste amor impossível, os adolescentes Stella Grant e Will Newman são portadores da doença fribose cística e acabam se conhecendo no hospital. Começa aí a convivência do casal e uma convivência cheia de amor e principalmente conflitos, já que os dois são muito diferentes um do outro, tendo perspectivas de vida pra lá de antagônicas.
Stella é uma adolescente típica, mas com uma rotina de vida bem rigorosa tomando inúmeros remédios para controlar a sua doença crônica que impede que seus pulmões funcionem como deveriam. Suas prioridades são manter seus pais felizes e conseguir um transplante. Mas para ganhar pulmões novos, Stella precisa seguir seu tratamento à risca e eliminar qualquer chance de infecção, o que significa que ela não pode ficar menos que dois metros de distância – ou seis passos – de outros pacientes com a doença. 
Já deu para entender o que vai rolar desse ponto para frente, não é? Ela vai conhecer um cara, o tal Will Newman que tem a mesma doença e se apaixonar por ele, correndo o risco de colocar o seu tratamento em cheque.
E para complicar, Will é muito diferente de sua cara metade, já que o único controle que Will Newman deseja é o de sua própria vida, não dando a mínima para o novo tratamento experimental para o qual foi selecionado, além de aguentar, numa boa, a pressão de sua mãe para que melhore.
A revolta do rapaz é tanta que prestes a completar dezoito anos, ele mal pode esperar para finalmente se livrar das máquinas e hospitais, usando o pouco de vida que ainda lhe resta para conhecer o mundo.
Bem, brecou! Contar mais do que isso seria castigar o post com spoillers.
Galera, é isso aí, a história de amor de Will e Stella acontece dentro desse contexto. Não vou negar que a trama emociona em alguns momentos, algo que não senti lendo “A Culpa é das Estrelas” e também, muito pouco, lendo “Como eu era antes de você”. Em “A Cinco Passos de Você”, a autora explora o conflito mãe-filha e Will-Stella de uma maneira que mexe com o leitor. Como pano de fundo passamos a conhecer um pouco mais a dura rotina de vida das pessoas que sofrem de fibrose cística. Mas a grande sacada de Lippincot é ‘atiçar’ a curiosidade do leitor em saber se Stella irá abandonar tudo e seguir Will ou se Will contrariará os seus princípios e passará a conviver com Stella seguindo os seus conceitos de vida.
Posso garantir que o final da obra chega a surpreender, pelo menos um pouco.
Inté galera!

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