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09/02/2022

Flores para Algernon



Não espere um livro com grandes plot twists, aliás, Flores para Algermnon não tem nenhuma reviravolta bombástica na história. Tanto é verdade que logo no início da trama, eu já imaginava qual seria o final e adivinhem? Acertei em cheio! Começando a resenha dessa forma, fica a impressão de que o livro de Daniel Keys é algo sem sal e sem açúcar, enfim uma leitura nada atraente. Mero engano. Na realidade, Flores para Algernon é maravilhoso, uma leitura cativante e emocionante. Aliás, para uma obra literária ser boa não é preciso que ela esteja recheada de plot twists. Conheço várias narrativas ruins que tem inúmeras reviravoltas, por outro lado, conheço muitas narrativas excelentes e sem nenhum twist. Flores para Algernon se encaixa nessa segunda categoria.

Além de ter me emocionado muito, a história de Charlie Gordon fez com que a minha empatia por pessoas com deficiências intelectuais crescesse ainda mais. A narrativa de Keys é um tapa na cara de muitas pessoas que não dão a devida atenção para adultos ou crianças portadoras desse tipo de transtorno, transformando-os em vítimas de bullying ou simplesmente ignorando-as. A minha vontade, quando terminei a leitura, era a de esfregar o livro na cara dessas pessoas. Verdade! A história, de tão profunda e emocionante, mexe muito, mas muito com a gente.

A história é escrita em primeira pessoa, na forma de epístolas pelo personagem Charlie Gordon que sofre de retardo mental. Ele trabalha em uma padaria onde é um bom funcionário. Apesar de ter amigos no ambiente de trabalho, quase sempre acaba sendo vítima de brincadeiras de mau gosto por esses supostos “amigos”.

Depois de algum tempo, Charlie é selecionado para ser o primeiro humano a passar por uma cirurgia revolucionária que promete aumentar o QI do paciente transformando-o num ser humano com uma capacidade intelectual espantosa. Em um avanço científico sem precedentes, a inteligência do personagem aumenta tanto que ultrapassa a dos médicos que planejaram o experimento. Entretanto, Charlie passa a ter novas percepções da realidade e começa a refletir sobre suas relações sociais e até sobre o papel de sua existência.

Os trechos do livro que mostram o relacionamento de Charlie com Alice, a sua professora da escola de alunos com deficiência mental, são os mais fortes e emocionantes da narrativa, principalmente depois que ele atinge o limite de seu QI, tornando-se uma pessoa extraordinariamente inteligente. Esta mudança acaba interferindo até mesmo em sua interação com as pessoas que tem um QI elevado – os chamados gênios – e muito mais ainda com aquelas de QI normal. Isto porque a sua inteligência, após a operação, chega a ultrapassar todos os limites.

Outro momento forte do livro e que desperta um sentimento de raiva no leitor é relacionamento de Charlie com a sua mãe e com a sua irmã quando ainda sofria de retardo mental. Cara, abusivo demais! Que ódio dessas duas mulheres!

A conclusão do enredo, mesmo não sendo nenhuma novidade e até mesmo obvio, emociona pra caramba.

O autor foi muito criativo ao optar por desenvolver a sua narrativa em primeira pessoa na forma de um diário onde Charlie vai escrevendo passagens de sua vida. No início, a sua escrita é cheia de erros crassos de português, mas depois conforme a sua inteligência vai avançando, esses erros também vão desaparecendo e o seu texto ganha uma escrita perfeita. Achei um lance bem inovador por parte de Keys.


Flores para Algernon foi escrito na forma de conto e publicado pela primeira vez em 1958 numa revista de fantasia e ficção científica, ganhando o Prêmio Hugo de Melhor Conto em 1960. O romance foi publicado em 1966 e foi co-vencedor do mesmo ano do Prêmio Nebula para Melhor Novela.

A ideia de Keys em escrever a história surgiu durante um momento crucial, em 1957, enquanto Keyes ensinava inglês a alunos com necessidades especiais. Um desses alunos perguntou-lhe se seria possível ser colocado em uma classe comum (regular) se ele trabalhasse muito e se tornasse inteligente. Esse foi o gatilho para escrever Flores para Algernon.

O livro fez tanto sucesso no decorrer dos anos que ganhou várias adaptações para a TV e o cinema, sendo a mais famosa delas “Os Dois Mundos de Charly” de 1968 e que rendeu o Oscar de ‘Melhor Ator’ para Cliff Robertson.

Antes de encerrar essa resenha gostaria de revelar quem é o Algernon do título do romance de Keys. Tudo bem, fique despreocupado porque não darei spoilers. Vamos lá. Algernon é um rato de laboratório que serviu de cobaia no experimento científico. O animal foi o primeiro a passar pela cirurgia para aumentar a inteligência. Quanto as “Flores” que também fazem parte do título, bem... só lendo a história para compreender.

A leitura valeu muito a pena.



07/08/2020

Uma Sombra Passou por Aqui


Na minha opinião existem dois gêneros de ficção científica: raiz e poético. O primeiro é representado por uma miscelânea de naves espaciais, seres alienígenas, guerras interestelares, disputas por planetas, poderosas armas laser, etc. Já o segundo, procura inserir num futuro bem distante situações cotidianas vividas em nosso dia a dia, mas com pouca ou quase nenhuma pirotecnia espacial, excetuando algumas poucas naves e foguetes.
“Guerra do Velho” (John Scalzi), “Tropas Estelares” (Robert A. Heinlein) e “O Jogo do Exterminador” (Orson Scott Card) são exemplos latentes de ficção raiz. Quanto ao poético, considero Ray Bradbury o seu representante máximo; do tipo: “não tem prá mais ninguém”. O cara é fera.
Por isso, quando você ler qualquer enredo escrito por Bradbury não espere muita ação, mas histórias para refletir sobre vários problemas e situações que sempre afligiram os seres humanos ao longo de sua história. Algumas dessas situações, inclusive, bem contemporâneas, apesar do período em que foram escritas.
O próprio Bradbury dizia ser um “escritor de ideias”, não de ficção científica, como ficou conhecido após criar sucessos como Crônicas Marcianas (1950), O Homem Ilustrado (1951), ou o romance Farenheit 451 (1953). Seu método consistia em associar palavras a ponto de lhes dar uma história inteira, algo assemelhado ao da poesia. Por isso que ficou conhecido no meio literário como o “Poeta da Ficção Científica”.
Uma Sombra Passou por Aqui ou O Homem Ilustrado é o exemplo mais claro desse gênero dentro da ficção científica criado por Bradbury. As histórias, apesar dos discretos foguetes e avanços científicos, parte de situações cotidianas do nosso dia a dia e criam situações assustadoras e inquietantes. Várias delas, com certeza, já enfrentadas por alguns de nós.
São 18 contos que, embora explorem o tema do conflito entre a tecnologia e a natureza humana, não têm conexão entre si.
Cada história tem como ponto de partida uma das tatuagens que cobrem todo o corpo de um homem conhecido apenas pelo apelido de o "homem ilustrado". As tatuagens foram feitas por uma mulher do futuro, segundo ele —, que vagueia de cidade em cidade. Quando alguém fixa o olhar numa delas, as figuras se tornam animadas e ganham vida e, assim a história começa.
Os contos que mais despertaram o meu interesse foram os seguintes;
A Estepe Africana
No futuro, um casal percebe que um jogo virtual está prejudicando os seus filhos que passam a maior parte do tempo dentro de um quarto capaz de criar qualquer ambiente ilusório. As crianças adoram ficar numa estepe africana cercada de leões. Quando os pais decidem acabar com essa realidade virtual, as crianças não aceitam e partem para a vingança.
Caleidoscópio
Um grupo de astronautas é jogado no espaço após a fuselagem do seu foguete se romper. Enquanto caem no espaço, eles procuram refletir sobre a vida que levaram até agora, chegando a várias conclusões. Um conto bem poético.
O Outro Pé
Após serem muito humilhados e maltratados pelos brancos, a maioria dos negros acabam migrando para o planeta Marte onde formam uma grande colônia, bem desenvolvida. Certo dia, eles ficam sabendo que um foguete da terra tripulados por brancos irá aterrissar em Marte. Então, os negros preparam a sua vingança que há muito tempo estavam esperando. Conto que explora as consequências do racismo.
O Homem
Um grupo de viajantes espaciais da Terra chega a um planeta que um dia antes havia recebido a visita de Jesus Cristo. O comandante da nave tenta de todas as maneiras se encontrar com Jesus, não medindo as consequências de seus atos. A história é uma verdadeira prova da genialidade de Bradbury, capaz de transformar qualquer tema ou assunto numa história de ficção científica.
A Grande Chuva
No planeta Vênus recriado por Bradbury não para de chover. Uma chuva forte e intermitente cai no planeta há séculos. Por isso foi necessário a construção de vários prédios conhecidos por “Domos” para abrigar os astronautas que desembarcam no planeta para certas missões. Problema: a maioria desses domos foram destruídos por seres alienígenas. Dentro desse panorama, um grupo de astronautas acaba ficando perdido no planeta e é obrigado a enfrentar a terrível chuva. Agora, imagine o aguaceiro batendo direto na cabeça desses viajantes. Alguns acabam enlouquecendo. Será que os sobreviventes conseguirão chegar aos poucos Domos existentes?
O Foguetista
Uma criança de 14 anos narra como ele e a mãe sentem falta do seu pai, um piloto de foguete, que passa apenas poucos dias do ano ao lado família. O restante de seu tempo, ele passa dentro de um foguete fazendo viagens interplanetárias. O conto inspirou a criação da música “Rocket Man” do cantor Elton John.
Os Ígneos Balões
Mais um conto que explora o tema religião. Um grupo de padres missionários segue para o planeta Marte com a missão de catequizar os marcianos. Chegando por lá, a surpresa é grande, pois o que presenciam  não é nada do que esperavam.
A Raposa e a Floresta
A história se passa em 1938, no México, onde um casal fugitivo passa a ser perseguido por um investigador que quer a qualquer custo que a dupla retorne para o ano de 2155, de onde fugiram.
O Visitante
No futuro, uma grave doença ataca os terráqueos e ameaça dizimar o planeta. Por isso, todos as pessoas que apresentam sintomas suspeitos são exiliadas para o planeta marte onde são obrigadas a viver na solidão esperando a morte. Certo dia, eles recebem a visita de um rapaz – também com suspeita da doença – que tem o poder de produzir neles vários prazeres que tinham na Terra. O que era para ser um alívio para todos se transforma numa guerra, quando os enfermos não aceitam dividir o rapaz
Marionetes S.A.
Conto fantástico e com um final surpreendente. Um marido infeliz no casamento e com uma mulher do tipo “marcação cerrada” que não dá folga, decide deixa-la por uns tempos para visitar o Rio. Para isso, ele deixa em seu lugar um robô com as suas características. É claro que as coisas não saem como o planejado. Conto com pitadas de humor e que serve para refletir sobre a fidelidade no matrimônio.
Taí galera, essas foram as histórias que mais me agradaram em Uma Sombra Passou por Aqui, o que não significa que as outras sejam ruins. Pelo contrário, todos os contos são muito bons e merecem ser lidos.
Em tempo: o livro foi adaptado para o cinema em 1969, mas o filme não obteve o sucesso esperado e recebeu muitas críticas negativas.
Por isso, melhor ficar com o livro.
Valeu!

23/11/2019

10 livros de ficção científica que li e adorei


Gosto muito de ficção científica, tanto nas telonas quanto nas páginas. E quer saber o que dói? É ter a certeza de que o seu autor preferido do gênero jamais irá escrever um livro novamente porque morreu. Pois é, imagine como eu fiquei quando recebi a notícia da morte de Michael Crichton em 2008. Como eu adorava os enredos do cara! Tanto é que cheguei a escrever um post especial, apenas com as suas obras (ver aqui).
Fiquei muito triste em saber que ele jamais voltaria a escrever um novo livro. Foi um baita baque. Depois de sua morte passei a me interessar por outros gêneros literários como por exemplo: terror e suspense. Foi nesses últimos dez anos que aprendi a admirar também Stephen King que, digamos... substituiu essa lacuna deixada por Crichton.
Acredito que foi através dos livros do idealizador de “Jurassic Park” que aprendi a gostar de ficção científica, gênero que continuo lendo, mas menos do que antes.
Ontem, observando a minha estante comecei a ‘viajar’ com os vários livros de sci-fi que adquiri no decorrer da minha vida de leitor inveterado. Histórias fantásticas que me deixaram tenso, curioso, surpreso e emocionado. ‘Entonce’ pintou aquele insight: “Que tal escrever um post sobre os livros de sci-fi que você leu e mais gostou?”. E assim, cá estou eu mandando ver no meu editor de textos cercado de 10 joias raras que li e que, agora, pretendo indica-las para a tchurma que segue esse espaço.
Vamos a elas!
 01 – Presa (Michael Crichton)
Há mais de oito anos eu publiquei no blog a minha segunda postagem. Tinha acabado de ler “Presa” de Michael Crichton e fiquei tão impressionado que tão logo finalizei a leitura já comecei a escrever a resenha. O enredo de Crichton é fantástico. Uma companhia do governo contrata um grupo de renomados cientistas para trabalhar num projeto de nanotecnologia criando micro-robôs invisíveis à olho nu, com objetivos militares e comerciais. Quando essa nuvem de nanopartículas sai do controle de seus criadores, ela deixa um rastro de morte, além de sitiar o laboratório da empresa que está localizado no meio do deserto. 
A partir daí começa a luta para tentar conter os micro-robôs assassinos, que passam a se reproduzir e agir por conta própria.
Apesar de ser considerado um dos livros menos conhecidos e divulgados de Crichton, a sua história é viciante. Amei!
02 – Guerra do Velho (John Scalzi)
O livro de John Scalzi  me provocou uma das maiores ressacas literárias no gênero ficção científica. Livraço! “Guerra do Velho” trata de temas comuns, mas ao mesmo tempo polêmicos que fazem parte do nosso dia a dia, como militarismo, ética, envelhecimento e amor.
No futuro, finalmente a humanidade chegou à era das viagens interestelares. A má notícia é que há poucos planetas habitáveis disponíveis – e muitos alienígenas lutando por eles. Para proteger a Terra e também conquistar novos territórios, os humanos precisarão de tecnologias inovadoras, além de um exército disposto a arriscar tudo. Esse exército, conhecido como Forças Coloniais de Defesa (FCD), não apenas mantém a guerra longe dos terráqueos e colonos, como também evita que eles saibam demais sobre a situação do universo. Mas, para se alistar, é necessário ter mais de 75 anos. John Perry acaba aceitando esse desafio, após a morte de sua esposa, mesmo tendo apenas uma vaga idéia do que pode esperar.
Achei esse personagem fodástico. Prestem atenção também em Jane Sagan. Esta dupla me conquistou; tanto é que não pensei duas vezes na hora de comprar “As Brigadas Fantasma”, sequência de “Guerra do Velho”.
03 – Os Frutos Dourados do Sol (Ray Bradbury)
Dos 22 contos do livro, apenas cinco tem o status de ficção científica, quanto aos demais passeiam pelos gêneros policiais, suspense, terror e algumas banalidades. Êpa, pêra aí!? Eu disse banalidades? Sim, banalidades. Mas com um porém, esses tais fatos banais vistos pela ótica de Bradbury se transformam em verdadeiras obras primas.
Comprei “Os Frutos Dourados do Sol” por causa de um único conto: “Um Som do Trovão”. Apesar de saber que poderia encontrar essa história facilmente na internet, queria tê-la à moda antiga, ou seja, impressa para que eu pudesse manuseá-la e depois guardá-la em minha estante. Quando descobri que “Um Som de Trovão” fazia parte da coletânea de “Os Frutos Dourados do Sol” não pestanejei e comprei o livro imediatamente.
A medida que fui lendo os contos, percebi que grande parte deles não tinha nada a ver com ficção científica, mas ao invés de ficar frustrado, acabei engolido por aqueles fatos fictícios transformados em histórias e que poderiam, perfeitamente, acontecr comigo ao invés dos personagens da história.
04 – O Homem Invisível (H.G. Wells)
Nesta obra, H.G. Wells consegue convencer o leitor – até mesmo o mais cético - que é possível descobrir a fórmula da invisibilidade. Um ponto positivo do livro que despertou a minha atenção foi a plausibilidade. O autor apresenta teorias baseadas em princípios científicos que faz com que o leitor acredite ser possível ficar invisível.
Outro ponto positivo é alertar a comunidade científica dos perigos de tratar a ciência sem nenhuma responsabilidade. Um aviso que cabe bem nos dias atuais, onde vemos cientistas e pesquisadores brincando de “bancar” Deus, preocupados apenas em romper os limites imaginários da ciência, sem dar atenção as conseqüências de suas descobertas. O que importa para o personagem principal da obra de Wells é ser o primeiro a romper determinado paradigma científico, mesmo desconhecendo se terá o controle do resultado final de sua criação.
O Homem Invisível” é considerado um verdadeiro clássico da ficção científica.
05 – O Parque dos Dinossauros (Michael Crichton)
O livro é fantástico, e para não fugir da rotina, muito superior ao filme.
Diferente da produção cinematográfica de Steven Spielberg, filmada dois anos após o lançamento da obra escrita, em 1993, a obra literária é muito mais completa. Crichton recheia o seu texto com detalhes técnicos que foram inteiramente banidos do filme. Desde o processo de criação dos dinossauros por meio de manipulação genética até informações sobre as características dos animais pré-históricos.
O autor lembra também do perigo de se tentar adaptar ao ecossistema atual, animais que viveram há milênios num habitat completamente adverso do nosso. Ele faz um alerta para os perigos da manipulação genética desenvolvida de maneira irresponsável, pensando apenas em lucros fáceis.
Você deve pensar que um livro com tantos detalhes técnicos e científicos acabe se tornando uma leitura enfadonha e sem atrativos. Mero engano. “O Parque dos Dinossauros” tem muita ação e suspense, e em doses cavalares. Aliás, Crichton é mestre nesse tipo de enredo, ou seja, ele é capaz de “lotar” seus textos de informações científicas sem torná-lo cansativo.
06 – Tropas Estelares (Robert A. Heinlein)
Um livro fantástico e bem distinto do filme de Paul Verhoeven, no qual foi baseado e lançado nos cinemas brasileiros em 1998. A produção cinematográfica é uma porcaria e das bravas. Mudaram toda a estrutura do romance e transformaram o filme num verdadeiro escândalo para os fãs do livro.
Em “Tropas Estelares”, Heinlein mostra aos seus leitores o planeta Terra, em um futuro não muito distante, vivendo sob uma federação interplanetária, onde só exerce o direito de voto quem serve as Forças Armadas. A história mostra o treinamento e preparação de jovens soldados até que estoura a guerra contra os temíveis ‘Insetóides’, poderosos alienígenas aracnídeos que podem destruir o sonho terrestre de expansão no universo.
Apesar de ter sido publicado em 1959, o livro não perdeu a sua atualidade por causa dos temas polêmicos abordados em suas páginas. O treinamento militar dos personagens é mostrado com um realismo incrível. Por outro lado, quem opta por não integrar as Forças Armadas é visto – meio que disfarçadamente, mas é – como integrante de uma casta social desprovida de todo o interesse, digamos que limitada.
Alguns consideram a obra facista; outros, militarista, já os mais fanáticos chegaram a taxá-la de racista e por aí vai. 
Deixando as polêmicas de lado, eu gostei muito do livro.
07 – O Planeta dos Macacos (Pierre Boulle)
O Planeta dos Macacos” merece ser lido e relido de ‘cabo a rabo’ e de uma forma muito especial; de preferência num lugar tranqüilo sem que ninguém o incomode. Dessa forma, você irá sugar toda a essência saborosa do enredo, incluindo o seu dilacerante final. Aliás, estou impactado, até agora, com o “The End”.
Boulle conta a saga do professor Antelle, do físico Levain e do jornalista Ulysse Mérou que deixam deixar a Terra numa missão espacial considerada pioneira. Eles embarcam numa espaçonave cósmica, em direção ao sol vermelho Betelgeuse, na constelação de Órion. O destino encontra-se a 300 anos-luz e até atingi-lo passam-se, em nosso planeta, cerca de três séculos e meio, enquanto os viajantes, devido a dilatação do tempo, tem a sensação de passarem apenas dois anos. Finalmente, eles se surpreendem ao aterrissar em um planeta com cidades, casas, florestas, enfim, um planeta igual a Terra, mas habitado por macacos que tratam os humanos como animais de estimação.
Como disse acima, o final do romance é um verdadeiro choque, à exemplo do que foi o filme de Charlton Heston nos anos 70.
08 – Vende-se Este Futuro (Bruno Miquelino)
Beatriz Prata, a personagem criada pelo escritor paulista Bruno Miquelino já entrou para o rol das minhas personagens femininas fodásticas da literatura. Amei Beatriz e amei o livro. Lí em poucos dias; aliás, devorei.
Esta garota fantástica é a personagem principal do romance de ficção científica chamado “Vende-se este Futuro”, livro de estréia do autor, publicado pela editora Novo Século.
Beatriz é uma espécie de agente de viagens temporais. Explicando melhor: ela trabalha para uma agencia que promove viagens no tempo chamada Déja Vu que surgiu 2097 em São Paulo, numa época em que esse tipo de viagem era comum. A principal função da Déja Vu é transportar pessoas do passado para o futuro, para que elas adquiram outra identidade, longe dos holofotes, da polícia, de seus problemas, enfim, do que for. No futuro que elas escolhem, então lhes é concedida uma nova identidade e consequentemente uma nova vida.
No livro a protagonista só precisa levar o grande Charles Chaplin para o futuro, mas inúmeras coisas dão errado e ela se vê presa no início do século XX, sem ter como voltar para os tempos modernos.
09 – O Concorrente (Stephen King)
“O Concorrente” é um livro dinâmico e marcante. Uma estreia com chave de ouro de Stephen King na ficção científica, muito o diferente do gênero ao qual está acostumado: o terror.
Se o livro vale a pena ser lido e relido, o filme “ O Sobrevivente” (1987), com Arnold Schwarzenegger,merece ser esquecido. Diretor e roteirista transformaram a adaptação para as telas de “O Concorrente” num medíocre filme de ação, mais parecido com um Rambo meia boca, deixando a ficção científica num terceiro ou quarto plano. Todo aquele clima bizarro e doentio explorado por King/Bachmnan no livro foi esquecido.
Melhor ficar com as páginas. Utilizando-se de uma narrativa extremamente vigorosa e realista, King transporta o leitor para um mundo futurista, em 2025, dominado pelos meios de comunicação onde a televisão é a grande vedete. Ela invade os lares americanos saciando o desejo de sangue dos telespectadores através de uma rede de TV especialista em promover jogos onde o vencedor ganha como prêmio a vida e o perdedor, a morte. A impressão que temos, ao ler o livro, é que estamos retrocedendo à Roma dos gladiadores, mas à uma Roma do futuro.
Vale a pena lembrar que King escreveu esse livro com o seu famoso pseudônimo Richard Bachman.
10 – Viagem Fantástica (Isaac Asimov)
À princípio, pensei que o livro “Viagem Fantástica" havia servido de referência para a criação do megassucesso cinematográfico homônimo de 1966. Mero engano! Foi ao contrário! O roteiro do diretor Richard Fletcher, onde cinco cientistas são reduzidos a um tamanho microscópico para serem injetados na corrente sanguínea de paciente idoso com o objetivo de eliminar um coagulo em seu cérebro, foi que serviu como base para que Isaac Asimov fizesse a novelização do filme. E mesmo sabendo que livro baseado em filme é uma grande fria, resolvi arriscar a leitura. E posso garantir que gostei. Não sei se pelo fato de fazer muito tempo que já havia assistido ao filme  - e por isso mesmo, não me lembrava de cenas importantes - a obra de Asimov me fez viajar novamente.
Só por curiosidade, depois de ler o livro decidi assistir ao filme para fazer uma comparação. Conclusão: filme e livro são iguais; sem tirar e nem acrescentar nada. Com certeza, se tivesse lido as páginas de Asimov logo depois de ter assistido ao filme de Fletcher, a decepção seria grande porque “um é carbono do outro”, mas como demorei tanto tempo para adquirir o livro, apreciei demais a leitura.
Dessa maneira, recomendo o livro “Viagem Fantástica”, de Asimov, para aquelas pessoas que não assistiram ao filme ou então, que o assistiram há muito tempo e por isso, não se recordam direito da história.
Taí! Espero ter colaborado com os amantes da ficção científica, principalmente os leitores.

28/10/2019

A Última Colônia


Vou dar dois conselhos antes de você ler “A Última Colônia” de John Scalzi: primeiro, jamais encare o novo livro sem antes ter lido “Guerra do Velho” e “As Brigadas Fantasma” e, segundo, esteja pronto para uma leitura mais introspectiva e conspiratória, sem as emocionantes batalhas presentes nos dois primeiros livros da saga. E aproveitando o embalo, já que estou me referindo à batalhas, em “A Última Colônia”, os leitores encontrarão apenas duas e bem menos intensas do que aquelas que John Perry e Jane Sagan lutaram em “Guerra do Velho” e “As Brigadas Fantasma”.
“A Última Colônia” é uma sequência direta dos outros dois livros da série, por isso se a galera resolver ler a obra sem dominar o universo da ‘União Colonial (UC)’ e das ‘Forças Coloniais de Defesa’ (FCD) criado pelo autor, sinto muito, mas vocês ficarão desorientados. Os três livros são interligados e precisam ser ‘devorados’ na ordem para uma leitura da saga mais prazerosa.
Se você seguir esse conselho, certamente gostará muito de “A Última Colônia” que fecha com chave de ouro e de uma maneira emocionante a “Saga do Velho” como ficou conhecida por alguns leitores.

Quando li o primeiro livro da trilogia me emocionei no momento em que John Perry, já muito idoso, com os seus mais de 80 anos, decidiu abandonar o planeta Terra, após a morte de uma pessoa muito querida, e ingressar nas Forças Coloniais de Defesa, no planeta Fênix – leiam "Guerra do Velho" e entendam como um vovô com 80 anos teria condições de ser recrutado por um exército interplanetário. O final de “A Última Colônia” também reserva uma despedida tão emocionante quanto a do primeiro livro. E antes que alguns leitores disparem flechas flamejantes contra mim, achando que estou soltando um spoiler camuflado nesse texto, eu explico que essa despedida não significa uma separação do icônico casal:  John e Jane. Nada a ver; trata-se de uma despedida poética, como um reinício, uma nova fase na vida de alguns personagens importantes da saga, incluindo Perry e Sagan.
Agora, deixando de lado esse “The End” perfeito, gostaria de falar escrever algumas linhas a mais para tranquilizar os leitores que estão preocupados com a falta de ação da história. Entendam que isso não quer dizer que o enredo elaborado por Scalzi é lento. Não é isso que estou dizendo. Pelo contrário, as conspirações, traições, surpresas e reviravoltas do enredo conseguem substituir com perfeição qualquer batalha interplanetária por mais quente e emocionante que seja.
O leitor, frequentemente, é surpreendido e as amizades surgem de onde você menos espera; os inimigos também, enfim, uma história repleta de conspirações.
Em “A Última Colônia”, Scalzi aborda o drama da raça humana que tenta expandir seus territórios, mas se depara com um problema: os planetas habitáveis são poucos e a competição por eles é enorme.
Após anos sem expandir suas fronteiras, a União Colonial (UC) toma a controversa decisão de iniciar uma nova colônia e a tarefa de administrá-la é entregue a dois condecorados heróis de guerra: John Perry e Jane Sagan.
Inicialmente, o maior desafio é conciliar os interesses de grupos com origens diversas, vindos de planetas distintos. E por isso, com culturas diferentes. Entretanto, logo os heróis se veem isolados em um planeta que não é o que parece e descobrem que são apenas peças no tabuleiro de uma disputa que envolve o destino de toda a humanidade, uma das maiores conspirações já tramadas pela União Colonial (UC).
Achei o livro incrível. Scalzi caprichou e soube encerrar com perfeição a trilogia. “A Última Colônia” tem todos os temperos necessários: personagens cativantes, conspirações, traições, intrigas políticas, bom humor, reviravoltas, além de mostrar a importância da amizade  verdadeira que pode surgir de onde e quando você menos espera.
Boa leitura!

19/05/2019

10 livros sobre viagens no tempo que não podem faltar em sua estante


Sempre fui fissurado em enredos sobre viagens no tempo. Confesso que não dá pra resistir aos enredos sobre grupos de aventureiros corajosos que embarcam numa máquina do tempo para explorar épocas aquém ou além daquelas na qual estão acostumados viver. Conhecer novos ou antigos povos, encarar hábitos desconhecidos e assim por diante. Cara, simplesmente, adoro essas histórias!
Por isso hoje, comecei o domingo inspirado para escrever um post sobre o assunto. Estarei indicando 10 livros que envolvem viagens no tempo e que com certeza também fizeram muitos leitores viajarem no mundo da fantasia. Vamos a eles.

01 – A Máquina do Tempo (H.G. Wells)
Não poderia deixar de iniciar um post desse tipo citando o livro de H.G. Wells escrito em 1895 e considerado o pioneiro do gênero. Wells foi o primeiro grande desbravador do tema na literatura, somente depois dele e diga-se, bem depois, surgiram outros autores para abordar o assunto. Sem contar que grande parte deles se inspiraram em “A Máquina do Tempo” para escrever as suas histórias.
O livro de Wells ganhou “infinitas” reedições ao longo dos anos; a mais recente, lançada em junho de 2018 pela editora Suma.
A ideia que saiu da mente do autor é fascinante. Um certo personagem, sem um nome específico, conhecido apenas como "O Viajante do Tempo", desenvolve, com base em conceitos matemáticos, uma máquina capaz de se mover pela Quarta Dimensão, neste caso considerada como a dimensão do tempo. Com ela, viaja até ao ano de 802.701 d.C. Nesse futuro distante, ele descobre que o sofrimento da humanidade foi transformado em beleza, felicidade e paz. A Terra é habitada pelos dóceis Eloi, uma espécie que descende dos seres humanos e formou uma antiga e enorme civilização. Mas os Eloi parecem ter medo do escuro, e têm todos os motivos para isso: em túneis subterrâneos vivem os Morlocks, seus maiores inimigos. Quando a máquina do tempo que levou o Viajante some, ele é obrigado a descer às profundezas para recuperá-la e voltar ao presente, mas para isso terá de enfrentar os maléficos Morlocks.
02 – Operação Cavalo de Tróia (J.J.Benitez)
“Operação Cavalo de Tróia” é uma série literária formada por nove volumes, escrita pelo espanhol J.J.Benitez. O primeiro volume foi lançado originalmente em 1984 em Barcelona, mas no Brasil, o livro só chegou três anos depois.
O enredo desenvolvido por Benitez é uma verdadeira salada russa onde se misturam ficção científica, viagem no tempo, segredos do governo norte-americano e temas bíblicos. Uma salada que acabou virando um verdadeiro best-seller, explodindo em vendas por todo o mundo, principalmente no Brasil. A saga completa totalizou seis milhões de livros vendidos!
O autor narra a história de um major, de nome não revelado, e um piloto que através de uma engenhoca do tempo, ultrassecreta, construída pelo governo dos Estados Unidos, são levados ao passado, nos anos 30 da era cristã, com o propósito de comprovar a existência de Jesus Cristo. Os militares acabam tendo a oportunidade de presenciar muitos fatos narrados na Bíblia, além de se encontrarem e interagirem com Jesus Cristo e vários personagens bíblicos conhecidos. 
03 – A Mulher do Viajante do Tempo (Audrey Niffenegger)
O livro conta a história de um homem chamado Henry que possui um problema genético que faz com que viaje pelo tempo sem que possa controlar isso. Quando ele tem 40 anos viaja para um local desconhecido no futuro e lá conhece uma menina de 6 anos, Clare. Depois desse encontro, Henry viaja muitas outras vezes para lá e vê essa menina, que no futuro se transformará em sua esposa, crescer. Ela se torna uma artista que é obrigada a lidar com a constante ausência do marido e as arriscadas experiências, envolvendo as viagens incontroláveis no tempo, que ele faz.
A obra foi um grande best-seller e em março de 2009 já havia vendido cerca de 2,5 milhões de cópias nos Estados Unidos e Reino Unido. Vários críticos publicaram sua opinião sobre o livro, dando especial atenção à visão única da autora sobre a viagem no tempo. Alguns parabenizaram a forma como o casal foi mostrado, aplaudindo a profundidade emocional com que eles foram caracterizados; outros criticaram o modo como ela escreveu a história, classificando-a como melodramática e o tema como extremamente gasto.
Bem... só mesmo você lendo para saber qual será a sua reação.
04 – Novembro de 63 (Stephen King)
E quem disse que o mestre do terror Stephen King não escreveu nada sobre viagens no tempo? Quem disse isso, absolutamente, mentiu. "Novembro de 63" com mais de 700 páginas lançado no Brasil em 2013 arrancou rasgados elogios tanto da crítica quanto do público. Os leitores se deliciaram com a história de Jake Epping, um professor de inglês de uma cidade do Maine, que encontra um portal do tempo no porão da lanchonete de um velho amigo, e assim, tem a ideia de tentar impedir o assassinato de John F. Kennedy que ocorreu em 22 de Novembro de 1963. 
Jake chega ao ano de 1958 -  tempo de Eisenhower e Elvis Presley, carrões vermelhos, meias soquete e fumaça de cigarro. Após interferir no massacre da família Dunning, Jake inicia uma nova vida na calorosa cidadezinha de Jodie, no Texas. Mas todas as curvas dessa estrada levam ao solitário e problemático Lee Harvey Oswald, o assassino de Kennedy. O curso da história está prestes a ser desviado... com consequências imprevisíveis.
Li o livro e adorei. Na minha opinião, um dos melhores escritos por King.
05 – Outlander: A Viajante do Tempo (Diana Gabaldon)
O enredo criado pela americana Diana Gabaldon fez tanto sucesso que acabou virando numa saga de oito livros. A história se concentra em dois personagens principais, Claire Randall e Jamie Fraser e acontece na Escócia nos séculos XVIII e XX.
No final da Segunda Guerra Mundial, a enfermeira Claire Randall volta para os braços do marido, com quem desfruta uma segunda lua de mel em Inverness, nas Ilhas Britânicas. Durante a viagem, ela é atraída para um antigo círculo de pedras, no qual testemunha rituais misteriosos.
Dias depois, quando resolve retornar ao local, algo inexplicável acontece: de repente se vê no ano de 1743, numa Escócia violenta e dominada por clãs guerreiros. Tão logo percebe que foi arrastada para o passado por forças que não compreende, Claire precisa enfrentar intrigas e perigos que podem ameaçar a sua vida e partir o seu coração.
Ao conhecer Jamie, um jovem guerreiro das Terras Altas, sente-se cada vez mais dividida entre a fidelidade ao marido e o desejo pelo escocês. A pergunta que fica no ar é se ela será capaz de resistir a uma paixão arrebatadora e regressar ao presente?
06 – Um Som de Trovão (Ray Bradbury)
Não se trata, basicamente, de um livro, mas um conto presente em várias coletâneas do gênio da ficção científica Ray Bradbury. Publicada originalmente em 1952 na revista Collier’s, “Um Som do Trovão” é
uma história bem conhecida sobre viagem no tempo, envolvendo uma empresa denominada Time Safari, Inc. A Time Safari assegura que pode levar pessoas de volta no tempo de modo que elas possam caçar animais pré-históricos, tais como o Tyrannosaurus rex. A fim de evitar um paradoxo temporal, os viajantes agem com muito cuidado para deixar o curso dos acontecimentos intacto, visto que mesmo uma alteração mínima pode causar mudanças gigantescas no futuro. Eles só podem abater animais que iriam morrer em breve, e não podem sair de uma trilha demarcada, que flutua acima do solo. Até que um dos caçadores pisa, acidentalmente, em uma borboleta e entonce...
"Um Som de Trovão" serviu de inspiração para um filme homônimo em 2005 que continua a história do ponto onde Bradbury terminou. Outra referência ao conto acontece na série de TV “Os Simpsons” onde foi feita uma paródia num dos episódios da sexta temporada.
07 – Pedra no Céu (Isaac Asimov)
“Pedra no Céu”, publicado pela primeira vez em 1950, faz parte da série “Fundação” - uma obra de ficção científica iniciada por Isaac Asimov em 1942 e que descreve em detalhes a história de um futuro distante e de como o destino de seus habitantes é influenciado por uma instituição chamada Fundação Enciclopédica.
Em “Pedra no Céu”, um alfaiate aposentado chamado Joseph Schwartz desfruta de uma pacífica caminhada de verão quando, devido a um acidente em um laboratório na mesma cidade, acaba sendo involuntariamente transportado milhares de anos para o futuro. Chega então a uma Terra marginal e abandonada, cuja superfície é quase toda inabitável, e que fica às margens de um grandioso Império.
Publicado pela primeira vez em 1950, “Pedra no Céu” foi o romance de estreia de Asimov e é um marco do que se tornaria a sua mais famosa obra: “Fundação”.
08 – Tróia – Uma Viagem no Tempo (Grecyanny Carvalho Cordeiro)
Neste livro infanto-juvenil da escritora tupiniquim Crecyanny Carvalho Cordeiro, o leitor é convidado a fazer uma viagem com Mário, um garoto que, em circunstâncias misteriosas, cruza o portal do tempo e chega à bela e rica cidade de Troia. Com a ajuda da princesa Cassandra, Mário passa a morar no castelo de Príamo, tornando-se um dos soldados do príncipe Heitor e participando dos principais eventos que marcaram essa guerra épica entre gregos e troianos.
Nessa viagem, os leitores terão a oportunidade de percorrer os bastidores de uma guerra que durou dez anos, desencadeada pelo rapto da bela Helena pelo príncipe troiano Páris.
“Tróia – Uma Viagem no Tempo” coloca a Ilíada e vários clássicos gregos ao alcance de todos, numa trajetória envolvendo mitos, deuses, além de heróis gregos e troianos, fazendo com que o leitor viaje no mundo da imaginação, de Homero, da Guerra de Troia e dos eventos que se sucederam ao fim da sangrenta batalha. A obra mistura aventura, fantasia, mitologia, suspense, ação e romance.
Grecianny é promotora de Justiça, mestre em Direito e autora de vários livros, dentre jurídicos, romances e de poemas. Escreve semanalmente para o jornal O Estado. É, também,Membro da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza.
09 – Vende-se este futuro (Bruno Miquelino)
Olha outro autor da terrinha em nossa lista, gente! Adorei o livro de Bruno Miquelino. O enredo cheio de ação e surpresas prende o leitor da primeira à última página. Li o livro em poucos dias.
Em “Vende-se este Futuro”, temos a personagem Beatriz – que diga-se de passagem, me apaixonei -  uma espécie de agente de viagens temporais. Explicando melhor: ela trabalha para uma agencia que promove viagens no tempo chamada Déja Vu que surgiu 2097 em São Paulo, numa época em que esse tipo de viagem era comum. A principal função da Déja Vu é transportar pessoas do passado para o futuro, para que elas adquiram outra identidade, longe dos holofotes, da polícia, de seus problemas, enfim, do que for. No futuro que elas escolhem, então lhes é concedida uma nova identidade e consequentemente uma nova vida.
No livro a protagonista só precisa levar o grande Charles Chaplin para o futuro, mas inúmeras coisas dão errado e ela se vê presa no início do século XX, sem ter como voltar para o tempos modernos.
Simplesmente fantastic! Recomendo.
10 – As Melhores Histórias de Viagens no Tempo (Vários autores)
O livro de 464 páginas reúne dezoito contos sobre viagens no tempo escritos por várias feras do universo sci-fi. Por isso pode ter certeza de que você estará levando para a estante de seu quarto ou de sua sala, uma grande obra de ficção científica.
“As Melhores Histórias de Viagens no Tempo” abrange cinco décadas, de 1940 a 1990, incluindo desde “Um Som de Trovão”, de Ray Bradbury, que inspirou o nome da famosa teoria do Efeito Borboleta, até Ursula K. LeGuin, em “Outra História ou um Pescador do Mar Interior”, ou mesmo uma ideia impensável, como no conto do premiado Jack Dann “Inversão do Tempo”, que propõe respostas surpreendentes para uma pergunta perturbadora: e se todos viajassem no tempo, menos você?
A obra reúne nomes como Arthur C. Clarke, Ray Bradbury, Richard Matheson e Larry Niven.
Beleza? Escolham os seus livros preferidos e boa leitura!

17/04/2019

Eu Sou a Lenda

Capa do livro lançado pela Novo Século

Eu já havia lido “Eu Sou a Lenda” há alguns anos. Sabe aquela edição lançada pela Novo Século que tinha a capa do filme? Pois é, foi essa aí. Tenho o livro na minha estante e na época em que li acabei resenhando apenas os outros contos que completavam a obra. Quanto ao conto principal, não sei porque acabei deixando de lado. Grande falha minha. Digo isso porque “Eu Sou a Lenda”, de Richard Matheson é fantástico. Um verdadeiro livraço.
No carnaval desse ano tive um novo contato com a história escrita por Matheson quando um antigo amigo de universidade que eu não já via há muito tempo, me presenteou com um exemplar da coleção “Mestres do Horror e da Fantasia” da editora Francisco Alves lançado em 1981. Estava numa lanchonete em Bauru, quando o Marcos ao me ver, sacou “Eu Sou a Lenda” de uma mochila que carregava nas costas e me deu, dizendo que eu iria gostar. Foi isso. Simples, assim.
Como fazia muito tempo que eu já havia lido a história – bem antes da edição da Novo Século -  e não me lembrava de várias passagens, inclusive do final, decidi fazer uma releitura.

O livro é muito melhor do que o filme, e diferente também. No longa-metragem, o roteirista optou por substituir os vampiros das páginas por certas espécies de zumbis ou humanoide. Acho que essa decisão deixou a película meio esquisita. Aqueles bichos estranhos do filme são tão esquisitos que não chegam a assustar. Já no conto, a situação muda, pois a descrição dos vampiros, chega a incomodar os leitores. Aliás, o autor é mestre nisso.
Matheson conta a história de um homem chamado Robert Neville que vive cercado de vampiros querendo mata-lo. Isto aconteceu após um vírus letal ter assolado o mundo, transformando cada homem, mulher e criança do planeta em sanguessugas. Nesse cenário pós-apocalíptico, dominado por criaturas da noite sedentas de sangue, Robert Neville pode ser o último homem na Terra.
Capa da coleção "Mestres do Horror e da Fantasia
O enredo vai muito mais além daquele velho batidão “corre, se não os monstros te pegam”. O autor explora ao máximo o lado psicológico na trama. Imagine como você se sentiria sabendo ser o último ser humano vivo na face da terra? E para complicar, ainda cercado de criaturas com as quais você não pode manter nenhum tipo de interação social. Desesperador, não é mesmo?
Com enorme maestria, Matheson explora os medos e angústias do seu personagem nesse sentido. Em muitos trechos, o isolamento de Neville chega a ser claustrofóbico. Neste ponto da história, passamos a torcer, desesperadamente, para que o pobre homem encontre alguma pessoa do sexo feminino ou masculino para interagir, fazendo-lhe companhia.
Para não enlouquecer com a solidão, Neville começa estudar a fisiologia dos temidos vampiros, na esperança de encontrar uma fórmula  que reverta esse quadro dantesco.
Acho que se revelar mais detalhes sobre a trama, acabaria estragando-a com spoilers. Portanto, melhor controlar o meu ímpeto. Basta dizer que no final da trama, você irá entender o motivo do livro se chamar “Eu Sou a Lenda”.
Como já disse durante essa resenha, trata-se de um livraço que os amantes da ficção científica não podem perder de maneira alguma.
“Eu Sou a Lenda” é considerado um dos maiores clássicos do gênero, tendo sido adaptado para os cinemas três vezes (1964, 1971 e 2007). O livro foi escrito em 1954.
Valeu!

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